Esta biografia de uma pessoa viva cita fontes, mas que não cobrem todo o conteúdo. (novembro de 2020) |
| Laura Esquivel | |
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Laura Esquivel em 2013. | |
| Nascimento | 30 de setembro de 1950 (76 anos) Cidade do México |
| Nacionalidade | Mexicana |
| Ocupação | Escritora, redatora e deputada |
| Principais trabalhos | Como Água para Chocolate |
Laura Beatriz Esquivel Valdés (Cidade do México, 30 de setembro de 1950) é uma escritora, teatróloga, roteirista, promotora cultural e política mexicana. Internacionalmente reconhecida pelo romance best-seller Como Água para Chocolate (1989), sua obra é marcada por uma perspectiva humanista que resgata a importância dos afetos, da culinária e da ancestralidade feminina. Atuou como deputada federal pelo partido MORENA (2015–2018) e, em 2022, assumiu o cargo de embaixadora do México no Brasil.
A terceira de quatro filhos do casal Julio César Esquivel e Josefa Valdés, Esquivel nasceu no dia 30 de setembro de 1950, na Cidade do México e cresceu em uma família que valorizava a tradição oral. Oriunda de uma família católica, manteve, no entanto, desde cedo um interesse que a levou, na sua juventude, a estudar as filosofias orientais, a praticar a meditação e seguir uma dieta vegetariana. Não obstante, foi grandemente influenciada pela avó, matriarca da família, que se costumava reunir com as mulheres na cozinha, lugar que Laura Esquivel veio a considerar ideal para que as mulheres possam partilhar pensamentos íntimos.
Sua formação inicial foi em Educação Infantil, o que a levou a trabalhar como professora. Diante da escassez de materiais didáticos, começou a escrever peças de teatro para seus alunos, especializando-se em Teatro e Criação Dramática no Centro de Arte Dramático (CADAC). Também possui formação em Educação Pré-Escolar (1996–1998), como Instrutora de Oficinas de Teatro e Literatura Infantil (1997), Avaliação de Roteiros em Tlaxcala e Oaxaca (1998–2002) e como Instrutora de Oficinas de Escrita Criativa em Oaxaca, Michoacán e Espanha (1999). Trabalhou como educadora infantil mas, dada a escassez de materiais didáticos, começou ela própria a escrever peças de teatro para as crianças.
Entre 1970 e 1980, ela escreveu programas infantis para a televisão mexicana e, em 1983, fundou o Centro Permanente de Invenções , composto por oficinas artísticas para crianças, onde assumiu sua direção técnica. Essas experiências, somadas ao apoio de seu então marido, Alfonso Arau, a motivaram a escrever roteiros para o cinema.
Laura Esquivel foi casada com o ator e cineasta Alfonso Arau, com quem colaborou profissionalmente em diversas produções cinematográficas. O matrimônio encerrou-se em 1993, após o lançamento da adaptação de Como Água para Chocolate (1992), dirigida por Arau e roteirizada por Esquivel. O divórcio ocorreu em meio a um processo judicial envolvendo os direitos e créditos da obra, o que marcou o fim da parceria artística entre ambos.
Em relação a sua atuação política, entre 2008 a 2011, ela ocupou o cargo de Diretora Geral de Cultura em Coyoacán. Já em 2015, ela foi eleita deputada federal pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena), partido criado pelo ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador. No ano de 2022 assumiu a carreira diplomática e passou a ser embaixadora do México no Brasil.
Consagrada como escritora, Laura Esquivel continuou a produzir obras de ficção, como os romances La Ley Del Amor (1997, A Lei do Amor), Estrellita Marinera (1999, A Pequena Estrela-do-mar) e Tan Veloz Como El Deseo (2002, Tão Veloz Como o Desejo), e uma antologia de contos com o título Intimas Suculencias, Tratado Filosofico de Cocina (1998, Íntimas Suculências, Tradado Filosófico de Cozinha). O Livro das Emoções é uma de suas mais recentes obras. A obra Malinche, que trata da conquista do México pela coroa espanhola foi publicado em 2006. No início de 2014, lançou o seu mais novo livro, A Lupita Le Gustaba Planchar.
O artigo da pesquisadora Nataly Lemes Valdez analisa como o corpo, a memória e a experiência feminina são representados em Como Água para Chocolate, destacando o papel central da cozinha como um espaço de resistência e insubordinação contra os valores patriarcais impostos pela matriarca Mamãe Elena. Segundo o texto, a obra utiliza o Realismo Mágico e a estrutura narrativa da "cozinha-ficção" para demonstrar como a protagonista, Tita, canaliza suas emoções e desejos reprimidos através da culinária, transformando o ato de cozinhar em uma linguagem que comunica sensações físicas e memórias afetivas. O estudo conclui que, embora o corpo de Tita sofra restrições morais e físicas, a memória culinária atua como um elemento de libertação que permite o rompimento com tradições familiares opressoras e a afirmação da identidade feminina.