Leon Hirszman

Leon Hirszman
Hirszman em 1973, durante as gravações de S. Bernardo.
Nascimento
Morte
15 de setembro de 1987 (49 anos)

Rio de Janeiro, RJ
Ocupaçãoroteirista, montador, produtor, diretor de cinema
Prêmios
Lista

Leon Hirszman (Rio de Janeiro, 22 de novembro de 1937 — Rio de Janeiro, 15 de setembro de 1987) foi um roteirista, montador, produtor e diretor de cinema brasileiro. Considerado um dos mais importantes cineastas brasileiros de todos os tempos, foi um dos principais expoentes do movimento conhecido como Cinema Novo.

Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), sua obra é marcada pela influência de teses marxistas centrais nos debates políticos da América Latina e pela representação politizada da classe trabalhadora. Dirigiu, entre outros, A Falecida (1965), S. Bernardo (1973), e Eles Não Usam Black-tie (1981), com o último tendo recebido o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, na Itália.

Primeiros anos

Leon Hirszman nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de novembro de 1937. Ainda estudante de Engenharia iniciou suas atividades em cineclubes e ligou-se a Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo Viana Filho. Começou suas atividades cinematográficas junto com sua vigorosa e consistente militância política, no movimento estudantil no Rio de Janeiro, tendo sido um dos fundadores do Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Carreira

Foi no CPC que ele realizou sua primeira produção, o curta Pedreira de São Diogo, um dos cinco episódios do filme Cinco vezes favela, lançado em 1962. Seu primeiro longa de ficção foi uma adaptação de Nelson Rodrigues, A Falecida, estrelada por Fernanda Montenegro e Ivan Cândido e que já versava sobre um dos temas caros a Leon: a alienação das classes populares.

Documentarista e autor de ficção, em sua obra figuram os documentários Nelson Cavaquinho, Megalópolis (1972)", Ecologia e Sexta-feira da Paixão, Sábado de aleluia. Em 1971, ele realiza o longa-metragem S. Bernardo, baseado na história homônima de Graciliano Ramos, que apesar do enorme sucesso de crítica, não conseguiu se transformar em sucesso de público.

Ainda na década de 1970 filmou os importantes documentários Cantos do trabalho no campo em 1976, o longa-metragem Que País É Esse? em 1977, Rio, Carnaval da Vida em 1978 e realizou o longa ABC da Greve, sobre o movimento operário da região do ABC paulista.

Em 1981 recebeu a consagração de público e crítica, e três prêmios no Festival de Veneza, também indicado ao Leão de Ouro, com o filme Eles Não Usam Black-tie, adaptação da peça teatral de Gianfrancesco Guarnieri, que escreveu com Leon o roteiro e os diálogos do filme. Gianfrancesco Guarnieri também trabalhou como ator no filme fazendo o papel de Otávio, o pai, militante e corajoso, que entra em conflito com o filho Tião (Carlos Alberto Riccelli), dividido entre suas aspirações por uma vida pequeno-burguesa ao lado da noiva Maria (Bete Mendes) e as exigências do movimento grevista. Guarnieri compôs com Fernanda Montenegro (no papel de Romana, mulher de Otávio), um dos momentos de maior expressividade do cinema: a cena em que ambos, desolados por causa da ruptura com o filho e pela morte do amigo Bráulio (Milton Gonçalves) se põem a catar feijão.

Eles Não Usam Black-tie recebeu outros importantes prêmios como: Grande Prêmio Coral Negro no 3º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em 1981; Grande Prêmio do Festival dos Três Continentes e Espiga de Ouro do Festival Internacional de Vallodolid, também em 1981, alem do Prêmio Air France de 1982.

Leon Hirszman teve um papel extremamente importante na afirmação do cinema brasileiro e deixou vários textos onde se pode ler agudas reflexões sobre as condições da produção cinematográfica no Brasil, o mercado nacional e sua respectiva legislação de proteção, a Embrafilme, as correntes de criação cinematográfica e o cinema político.

Leon morreu vítima de AIDS, depois de quase um ano de tratamento, deixando três filhos: Irma, Maria e João Pedro, e sua companheira, Cláudia Fares Menhem.

Filmografia

Key
† indica ser documentário de longa-metragem ‡ indica ser documentário de curta-metragem
Lista de filmes dirigidos por Leon Hirszman
Ano Título Observações
1962 Pedreira de São Diogo além da direção, também assina o roteiro
1964 Maioria Absoluta † além da direção, também assina o roteiro
1965 A Falecida além da direção, também assina o roteiro (com Eduardo Coutinho)
1967 Garota de Ipanema além da direção, também assina o roteiro (com Eduardo Coutinho)
1969 Nelson Cavaquinho ‡
1969 Sexta-Feira da Paixão, Sábado de Aleluia ‡
1973 S. Bernardo além da direção, também assina o roteiro
1973 Megalópolis † filme institucional
1973 Ecologia † filme institucional
1974-1976 Cantos de Trabalho † trilogia com os curtas-metragem Mutirão, Cacau e Cana-de-Açúcar
1976 Que País É Este? † além da direção, também assina o roteiro (com Zuenir Ventura)
1978 Carnaval do Povo † além da direção, também assina o roteiro (com Sérgio Cabral)
1981 Eles Não Usam Black-Tie além da direção, também assina o roteiro (com Gianfrancesco Guarnieri)
1982 Partido Alto † além da direção, também assina o roteiro
1988 Imagens do Inconsciente † lançamento póstumo; além da direção, também assina o roteiro (com Nise da Silveira)
1990 ABC da Greve † lançamento póstumo; finalizado sob supervisão do diretor de fotografia Adrian Cooper; além da direção, também assina o roteiro
1995 Cinema Brasileiro: Mercado Ocupado † lançamento póstumo; além da direção, também assina o roteiro
1996 Bahia de Todos os Sambas † lançamento póstumo; codireção (com Paulo Cesar Saraceni)
2014 Posfácio: Imagens do Inconsciente † lançamento póstumo

Restauração da obra

A obra de Leon Hirszman vem sendo restaurada digitalmente e relançada em DVD pela Videofilmes. Já foram restaurados os seguintes títulos

DVDs 1 e 2 (2007)
DVD 3 (2008)

Referências

Ligações externas

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