
A leitura é uma atividade cognitiva e social complexa que vai além de decodificar símbolos para extrair e atribuir significado ao texto, sendo, portanto, uma forma de processamento da linguagem. O antagonismo entre os verbos extrair e atribuir se dá pela direção do sentido. Ao utilizar-se o verbo extrair, a ênfase recai sobre o texto, como se o significado estivesse nele contido. Ao empregar o verbo atribuir, a ênfase desloca-se para o leitor, pois o significado não estaria somente na mensagem do texto, mas sim na série de acontecimentos que ele desencadeia na mente de quem lê.
A leitura tornou-se uma atividade extremamente importante para a civilização, sendo essencial para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional de estudantes. Amplia o vocabulário, desenvolve a criatividade e o pensamento crítico do aluno.
Como atividade social, a leitura pressupõe a interação entre quem escreve e quem lê, muitas vezes distante um do outro, mas que se comunicam por meio do texto, tendo cada um seus objetivos, suas expectativas e seus conhecimentos de mundo.
A leitura de conteúdos presentes em diversos gêneros textuais alarga os horizontes de quem lê. Além disso, expande o conhecimento, fomenta o desenvolvimento intelectual, amplia a visão de mundo, fortalece convicções pessoais, melhora a capacidade de argumentação, o senso crítico e a manifestação de opiniões com utilização de um vocabulário mais rico.
O desenvolvimento das habilidades que possibilitam ler e escrever de acordo com diferentes situações pessoais, sociais e escolares, de acordo com os gêneros e tipos textuais é chamada de letramento, que vai além da simples decodificação do escrito.
Há milhares de anos o homem começou a fazer inscrições nas paredes das cavernas, representando animais e cenas do seu cotidiano. Essas inscrições, chamadas de arte rupestre, mais tarde foram evoluindo para uma forma rudimentar de comunicação, chamada pictografia. A evolução da pictografia fez com que o homem fosse também desenvolvendo sons para transmitir o significado daquela escrita, tornando possível a comunicação e o relacionamento com outros homens.
O conhecimento na antiguidade, antes da evolução da escrita, era transmitido principalmente de forma oral, sendo a oratória, a base dos ensinamentos que os mestres transmitiam a seus aprendizes, que eram apenas "ouvintes". Na Grécia Antiga e no Antigo Egito, a escrita e a leitura eram restritas a poucos privilegiados, que eram filósofos e aristocratas, chamados escribas. Na Roma Antiga, a escrita era uma forma de garantir os direitos dos patrícios às propriedades. Na Idade Média, poucos eram alfabetizados. Igrejas, mosteiros e abadias eram os únicos centros da cultura letrada, onde se encontravam as únicas escolas e bibliotecas da época. Nestes locais, eram preservadas e restauradas as antigas obras da herança greco-romana.

Na Alta Idade Média, a educação formal era restrita basicamente ao meio clerical. Durante o período merovíngio, a igreja mantinha escolas episcopais, garantindo assim a formação do clero. Nos mosteiros, eram lidos e copiados os antigos documentos escritos e alguns livros das civilizações grega e romana. Havia um caráter sagrado na leitura, e tanto o seu ensino, como o da escrita, não eram obrigatórios àqueles que não seguiriam a vocação religiosa. Desta forma, a igreja passou a monopolizar e a censurar as obras que seriam transcritas, criando-se a ideia de que os indivíduos laicos deveriam ter respeito e não contestar os ensinamentos sagrados, apenas os ouvindo e memorizando. Em meados do século XI, houve um crescimento das atividades comerciais e de manufatura, levando a um crescimento das zonas urbanas. A igreja começou a perder o poder sobre o ensino e a escrita avançou então para além dos limites eclesiais, alcançando assim também os leigos, até chegar ao que se conhece na atualidade.
Podemos considerar importantes razões para a referida evolução da descentralização do monopólio intelectual da Igreja, a chamada invenção da imprensa, processo gráfico aperfeiçoado por Johannes Gutenberg no século XV.
Nos séculos seguintes os fatos que contribuíram para a disseminação da escrita e da leitura fora dos muros da Igreja Romana: a publicação da Bíblia de Lutero (1543), traduzida para o alemão pelo reformador Martinho Lutero, consolidando a moderna língua alemã e alcançando posteriormente a larga escala de meio milhão de exemplares publicados em três décadas; a propagação do modelo heliocêntrico do universo defendido por Nicolau Copérnico em Das revoluções das esferas celestes (1543) e a propagação das ideias do físico Isaac Newton nos três volumes de Princípios Matemáticos da Filosofia Natural (1687), que dentre outras coisas, descreve a Lei da gravitação universal.

Podemos vincular o conceito de leitura ao processo de literacia, numa compreensão mais ampla do processo de aquisição das capacidades de leitura e escrita e principalmente da prática social destas capacidades. Deste modo, a leitura nos insere em um mundo mais vasto, de conhecimentos e significados, nos habilitando inclusive a decifrá-lo; daí a noção de leitura do mundo, difundida por Paulo Freire. Ampliar a noção e o hábito de leitura acentua a visão de mundo em âmbitos culturais e intelectuais. Para o bibliófilo José Mindlin, "é fundamental facilitar o acesso das pessoas a livros" a fim de que se habituem à leitura - independente do gênero e da idade. O importante, lembra ele, é que se crie o hábito.
A escrita deve ter um sentido para quem lê, pois saber ler não pode ser representar apenas a decodificação de signos, de símbolos. Ler é muito mais que isso; é um movimento de interação das pessoas com o mundo e delas entre si e isso se adquire quando passa a exercer a função social da língua, ou seja, quando sai do simplismo da decodificação para a leitura e reelaboração dos textos que podem ser de diversas formas apresentáveis e que possibilitam uma percepção do mundo.
O ato de ler pode ser uma forma de lazer ou uma atividade básica no processo de escolarização ou, num sentido mais geral e finalístico, uma forma de adquirir conhecimento e cultura. Como prática de ensino a leitura pode apresentar resultados diferenciados de acordo com a concepção de leitura adotada. Entre as concepções destacam se: