Este artigo ou parte de seu texto pode não ser de natureza enciclopédica. (julho de 2023) |

A M-Health (ou saúde móvel) é um campo emergente que se refere ao uso de dispositivos móveis, como smartphones, tablets e dispositivos vestíveis, para fornecer serviços de saúde e promover o bem-estar. Esse conceito abrange uma ampla gama de aplicativos e tecnologias que têm o objetivo de melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, aumentar o acesso aos serviços médicos e incentivar os indivíduos a cuidarem da própria saúde.
A M-Health aproveita a onipresença e a conectividade dos dispositivos móveis para facilitar a coleta de dados de saúde, o monitoramento remoto, o diagnóstico, o tratamento e a promoção da saúde.
Além disso, a M-Health tem o potencial de superar barreiras geográficas e financeiras, permitindo que pessoas em áreas remotas ou com recursos limitados acessem cuidados médicos de qualidade. Através da telemedicina e consultas remotas, os pacientes podem receber atendimento médico virtualmente, economizando tempo e custos de viagem.
Os serviços M-Health estão se tornando cada vez mais populares e enfrentam obstáculos no que diz respeito à garantia da segurança dos dados pessoais dos usuários, no entanto, apesar das atuais restrições legais em relação à regulamentação do processo de concepção, desenvolvimento, avaliação de risco-benefício e garantia da proteção das informações, é essencial superar essas barreiras para garantir a ampla adoção desses serviços e, para isso, alguns países implementaram leis que regulamentam a proteção de dados e os direitos dos indivíduos.
No Brasil há as seguintes leis:
Nos Estados Unidos há a Lei Federal de Responsabilidade e Portabilidade de Seguros de Saúde (Health Insurance Portability and Accountability Act, HIPAA), de 1996, sendo o suporte legislativo da regulamentação dos dados digitais em saúde.
Além dos aspectos éticos envolvidos, existem obstáculos que dizem respeito à aceitação e o acesso à tecnologia. As tecnologias móveis têm um potencial maior de progresso quando sua implementação é feita em harmonia com os sistemas de saúde, levando em consideração tanto os desafios de locais regulatórios, questões legais, tecnológicas, financeiras, organizacionais e humanas. As limitações sociais também devem ser consideradas, tendo em vista que, muitos pacientes não possuem os dispositivos, infraestrutura adequada para a conectividade e conhecimento técnico para utilizar a ferramenta.
A deficiência auditiva pode impactar significativamente na qualidade de vida do indivíduo, levando à dificuldades de comunicação, saúde mental e interação social, diante disso, o Relatório Mundial da Saúde, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca que há uma necessidade de intensificar os esforços visando a prevenção e tratamento da perda auditiva, investindo e expandindo o acesso a serviços de saúde auditiva. A tecnologia móvel tem desempenhado um papel cada vez mais importante na área da saúde, e na saúde auditiva não é exceção.
A identificação da deficiência auditiva envolve procedimentos de triagem ou rastreio auditivo que devem ser de fácil aplicação, rápidos e validados e uma das aplicações mais comuns da M-Health na saúde auditiva é a utilização de aplicativos móveis que realizam esses procedimentos. Esses aplicativos podem realizar testes de audição simples, permitindo que os usuários avaliem seu próprio nível de audição e identifiquem possíveis dificuldades auditivas. Além disso, trata-se de um recurso de fácil e rápida aplicação e baixo custo. Importante ressaltar que os aplicativos que possuem a finalidade de realizar a triagem auditiva devem ser pautados em evidências científicas com critérios de aplicação e de acurácia.
A aplicação de triagens auditivas em dispositivos móveis pode ser viável, principalmente no contexto das Unidades Básicas de Saúde, com o objetivo de promover o cuidado em indivíduos com risco para perda auditiva, e aqueles que possuem acesso limitado a serviços especializados de saúde auditiva, mas ainda sim, é de extrema importância a realização da audiometria tonal, sendo o padrão ouro para o diagnóstico auditivo.
A M-Health na saúde auditiva também oferece soluções de reabilitação, através de aplicativos móveis que podem fornecer exercícios e treinamento das habilidades auditivas, como figura-fundo, fechamento, memória, discriminação, ordenação e resolução temporal, atenção, entre outras. A utilização dos recursos tecnológicos possibilitam a padronização dos estímulos utilizados, no entanto, cabe destacar que deve-se estabelecer um controle acústico e a variação de estímulos, além de levar em consideração as diferentes habilidades auditivas, para realizar adequadamente a reabilitação por meio de tecnologias.
A tecnologia móvel ainda está presente no uso de aparelhos de amplificação sonora (AASI), a integração de recursos móveis nos aparelhos auditivos amplia suas funcionalidades e oferece benefícios adicionais aos usuários.
A M-Health ainda oferece opções de tratamento e gerenciamento do zumbido, como os aplicativos móveis de terapia sonora, cujo objetivo é oferecer uma variedade de sons, como ruído branco, sons da natureza ou melodias suaves que podem auxiliar da redução da percepção do zumbido, além disso, pode-se utilizar o método de mascaramento e exercícios relaxantes, no entanto, esses aplicativos ainda são poucos suportados por evidências científicas.
Através de aplicativos móveis, as pessoas podem acessar informações educacionais sobre saúde auditiva, aprender sobre práticas de proteção auditiva e obter orientações sobre como manter a saúde auditiva. Essas ferramentas podem aumentar a conscientização sobre a importância da audição e promover a adoção de medidas preventivas.
É importante ressaltar que a M-Health na saúde auditiva não substitui a consulta a profissionais qualificados. Os aplicativos e dispositivos móveis podem ser uma ferramenta complementar valiosa, mas é fundamental que um diagnóstico e tratamento adequados sejam realizados por profissionais de saúde auditiva treinados, como fonoaudiólogos e médicos otorrinolaringologistas.