M'banza Congo | |
|---|---|
| Localidade de Angola (Cidade e município) | |
| Dados gerais | |
| Fundada em | 691 (1 335 anos) |
| Gentílico | sotero-congolense mabanzense |
| Província | Zaire |
| Características geográficas | |
| Área | 7 651 km² |
| População | 205 272 hab. (2018) |
| Altitude | 408 m |
| Localização de M'banza Congo em Angola | |
| Projecto Angola • Portal de Angola | |
| M'banza Congo, vestígios da capital do antigo Reino do Congo | |
|---|---|
| Património Mundial da UNESCO | |
| The Bansa, or residence of the King of Kongo, called St. Salvador (M'Banza Kongo), Astley 1745.jpg | |
| Critérios |
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| Referência | 1511 en fr es |
| País | |
| Histórico de inscrição | |
| Inscrição | 2017 |
| Nome usado na lista do Património Mundial | |
M'banza Congo, também grafada como M'banza Kongo e Mabanza Congo, é uma cidade e município angolana, capital da província do Zaire.
Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 205 272 habitantes e área territorial de 7 651 km². É a única capital angolana que não é a localidade mais populosa de sua província, perdendo para a cidade zairense do Soio.
Designada historicamente como "São Salvador do Congo", capital do antigo e poderoso reino do Congo, teve o seu centro histórico declarado, em 2017, como Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A história oral e memorial de Mabanza Congo, bem como as pesquisas arqueológicas na região, atestam que a povoação e ocupação original da cidade é mais anterior à chegada dos portugueses, e mesmo da formação do poderoso reino do Congo, que, posteriormente, fez dela a morada e capital da dinastia reinante.
Segundo a tradição oral, no ano de 690 AD os congos chegaram à região compreendida entre os rios Cuanza e Cuango, sob a liderança de Na-Culunsi, uma autoridade religiosa. As autoridades religiosas congolesas chamaram essa região Timansi-Timancosi, que siginifica "coração do leão".
Em 691 as autoridades ordenaram que se construísse numa zona planáltica, próximo a uma montanha de nome Congo-dia-Tôtila, uma cidade, com trabalhos sob supervisão do artífice Masema-Toco. Sob coordenação do mesmo artífice abrem-se os Anzila Congo, as sete estradas que ligariam a nova cidade (que a princípio conservou o nome Tôtila) a todos os territórios dos congos, ao sul do rio Congo.
Segundo a tradição oral, o primeiro grande governante de Tôtila foi Muabi Maiidi, em 698 AD, sendo sucedido por Zananga Moua e Mabala Luqueni, e; somente muito depois o reino receberia o nome de Muene Cabunga e a cidade de Tôtila passaria a chamar-se Mongo-dia-Congo, possivelmente no século XII.
Quando o rei Luqueni-lua-Nimi (ou Nímia Luqueni) conseguiu unificar as entidades políticas dos congos para formar o reino do Congo em 1390, fixou inicialmente capital em uma localidade por nome Nisi Cuílo, em territórios do Congo-Quinxassa.
Já politicamente forte, o reino do Congo organizou uma expedição e conquistou o reino rival de Muene Cabunga, que tinha sua capital na ainda denominada Mongo-dia-Congo. Após a conquista, a cidade mudou de nome, passando a chamar-se Mabanza Congo, para onde o rei do Congo se mudou e construiu o seu palácio.

Em 1483, o explorador Diogo Cão, a serviço do reino de Portugal, chega em Mabanza Congo, onde assentava-se o trono do manicongos, monarcas que governavam o Reino do Congo. Quando os portugueses chegaram atestaram que Mabanza Congo era uma grande cidade, a maior já registrada pelos europeus na África a sul da linha do equador.
No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída o templo católico Catedral de São Salvador do Congo no local em que os angolanos reclamam ser a mais antiga da África Sub-Saariana. A edificação foi elevada a catedral em 1596, quando foi erigida a Diocese de Angola e Congo e um bispo passou a residir na cidade.
O nome "São Salvador do Congo", para designar a cidade de Mabanza Congo, apareceu pela primeira vez em cartas enviadas por Álvaro I do Congo (ou Álvaro II do Congo), entre os anos de 1568 e 1587.
Durante o reinado de Afonso I do Congo, edificações de pedra foram criadas, incluindo o palácio e muitas igrejas. Em relatório da Diocese de Angola e Congo em 1630, consta que foram realizados cerca de 5000 baptismos cristãos na cidade, com Mabanza Congo contando com uma população de 100.000 pessoas.
Os desentendimentos do reino do Congo com o reino de Portugal, levaram a cidade a ser saqueada várias vezes, principalmente durante a guerra civil que se seguiu após a batalha de Ambuíla. As consequências foram tão dramáticas que São Salvador do Congo foi abandonada no ano de 1678.
Nas cercanias do ano de 1704 o rei Pedro IV do Congo concede a Quimpa Vita, líder política, profetiza e membro da monarquia congolesa a incumbência de ser a regente de São Salvador do Congo, numa tentativa de reocupar e restaurar a cidade. Por esforço de Quimpa Vita a cidade foi reestruturada e reconstruída aos poucos, não sendo mais abandonada desde então.

No século XIX Portugal criou o Protetorado do Congo Português e, em seguida, o "distrito do Congo", mas resolveu não assentar os aparatos administrativos em São Salvador do Congo, a preterindo por Cabinda.
Durante a grande revolta do Congo contra Portugal, a cidade foi parcialmente destruída, caindo em desgraça, pois em 1914 a monarquia congolesa é extinta, deixando de ser capital.
Em 1917 o governo colonial pretere mais uma vez a cidade de São Salvador do Congo, pois transfere a capital do distrito do Congo para a antiga capital do ducado de Bambata, a cidade de Maquela do Zombo.
Em 1922, porém, a cidade passa a sediar o "distrito do Zaire", condição que conserva até 1930, quando o distrito do Zaire é fundido ao de Cabinda para tornar-se a "Intendência-Geral do Zaire e Cabinda", com capital na cidade de Cabinda.
Em 1961 a cidade recupera seu estatuto de capital, quando ocorre a refundação do "distrito do Zaire". Este ímpeto dos portugueses em reconstituir administrativamente o distrito do Zaire e fazer Mabanza Congo novamente capital veio como resultado direto dos ataques ao norte de Angola em 1961 — a segunda ação que despoletou a Guerra de Independência de Angola — perpetrados pela Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA/UPA). Durante o restante da guerra anticolonial, até fevereiro de 1975, Portugal assegurou o controle da cidade.
Em fevereiro de 1975, após uma incursão relâmpago, as tropas da FNLA, com o apoio das Forças Armadas Zairenses, tomaram a cidade. O novo Estado angolano independente, sob comando do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), só conquistou a localidade em fevereiro de 1976, sendo a última grande localidade angolana sob domínio da FNLA. A partir desta data, Mabanza Congo permaneceu relativamente segura até a década de 1990. A cidade somente voltou a se chamar Mabanza Congo em março de 1976, após a Independência de Angola, por decreto do Presidente Agostinho Neto.
O papa João Paulo II visitou a cidade em 1992, fazendo um culto especial na histórica catedral, onde fez apelo às negociações de paz dos Acordos de Bicesse, uma das tentativas de encerrar a Guerra Civil Angolana.
Durante o relaxamento militar de 1992 para realização das eleições nacionais, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) tomou de assalto a cidade, dominando-a até novembro de 1994. Após a ofensiva das Forças Armadas Angolanas, e a retomada da cidade pelo governo, Mabanza Congo voltou a normalidade.
A reconstrução da cidade após o final do conflito civil em 2002 permitiu ao Ministério da Cultura de Angola pleitear, em 2012, a inclusão do patrimônio histórico-arquitetônico mabanzense dentre os sítios de importância fundamental para a humanidade. A candidatura recebeu o título "Mabanza Congo, Cidade a Desenterrar para Preservar". Como primeiro passo, a Assembleia Nacional Angolana votou e o Presidente da República sancionou em 10 de junho de 2013 a inclusão do "Centro Histórico de Mabanza Congo", como Património Histórico-Cultural Nacional. Em seguida, na 41ª Sessão do Comité do Património Mundial, realizada de 2 a 12 de julho de 2017 em Cracóvia, Mabanza Congo teve o seu centro histórico declarado como Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Em 16 de abril de 2015, Mabanza Congo foi admitida como membro efetivo da União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas (UCCLA). A aceitação da candidatura e posterior classificação como membro da UCCLA se deu pelo "excecional significado histórico" da cidade para a lusofonia. Dentre as atividades decorrentes da candidatura, foi fixada como data simbólica de comemorações da cidade o dia 25 de julho.
A reforma administrativa-territorial de 2024 fez Mabanza Congo ceder parte do seu território para criar o município de Luvo.
O município situa‐se no topo da serra ou planalto de Tôtila, que possui muitas encostas escarpadas; a sede municipal está numa elevação com cerca de cinco quilómetros quadrados, a cerca de quinhentos e vinte metros de altura em relação ao nível do mar. O planalto divide as sub-bacias dos rios Mupozo e Luezi.
O município de Mabanza Congo é administrativamente subdividido, além da comuna-sede — que corresponde a própria cidade de Mabanza Congo —, nas comunas de Caluca, Quiende e Madimba (ou Nadinba). Até setembro de 2024 seu território continha as comunas de Calambata e Luvo.
Mabanza Congo tem um clima tropical de savana (Aw) semelhante ao de Quinxassa ou Brazavile, caracterizado por uma estação chuvosa bastante longa, embora não intensa, de outubro a maio, e uma estação seca relativamente curta, mas quase sem chuva, de junho a setembro, causada pela forte influência da corrente fria de Benguela durante este período.
Mabanza Congo é agora um importante centro comercial de atacado e varejo para a província zairense; serve também como centro agroindustrial beneficiador de milho, amendoim, amêndoas, gergelim e mandioca cultivados no leste do Zaire.
A cidade também possui plantas industriais de beneficiamento de carnes, couro e leite, havendo também unidades de fabricação de bebidas, de têxteis e de materiais de construção.
A capital zairense ainda dispõe de uma gama grande de serviços financeiros, administrativos, além de oferta de outros relacionados com a saúde, turismo, educação e entretenimento.
O abastecimento de água potável na cidade é assegurado pela Empresa Pública de Águas e Saneamento do Zaire (EPASZ), que sustenta o sistema por captações subterrâneas e, principalmente, dos rios Luege e Coco, sendo a água bombeada por eletrobombas para os reservatórios.
Do ponto de vista de comunicação, os serviços disponíveis são os telefónicos — telefonia fixa e móvel — ofertados pelas operadoras Angola Telecom e Unitel; serviços de rádio com frequência da Rádio Zaire (retransmissora da Rádio Nacional de Angola) e da Rádio Ecclesia; televisivo, com repetidores da Televisão Pública de Angola; Correios de Angola, com serviços de correio e telégrafo, e; serviço de internet disponível pela operadora Multitel. Nas mídias impressas, ainda há o tradicional Jornal de Angola e o jornal regional Nkanda.

Na educação superior, a cidade dispõe do campus universitário público da Escola Superior de Ciências Sociais, Artes e Humanidades do Zaire, além dos privados Instituto Superior Politécnico Privado do Zaire e Instituto Superior Privado Nzenzu Estrela.
O fornecimento de energia eléctrica na cidade é garantido pelas línhas de transmissão de alta e média tensão da Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT-EP), que disponibiliza energia da Central do Ciclo Combinado do Soyo (também chamada de Central Térmica do Soyo I), bem como do Complexo Hidroelétrico de Inga (localizado no Congo-Quinxassa). A eletricidade é distribuída a nível residencial e comercial pela Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE).
No âmbito da saúde, a cidade dispõe dos centros de referência Hospital Geral do Zaire, Hospital Provincial Maria Eugénia Neto e Hospital Municipal de Mabanza Congo, além de diversas clínicas e centros de saúde.
O sistema de segurança pública de Mabanza Congo é garantido por um batalhão da Polícia Militar das Forças Armadas Angolanas, por um destacamento permanente da Polícia Nacional, por uma delegacia de polícia do Serviço de Investigação Criminal e por um quartel do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.
Embora não tenha papel de força de segurança pública convencional, na cidade está a sede da 2ª Região de Infantaria Motorizada do Exército Angolano.
As principais ligações rodoviárias do Mabanza Congo são pelas rodovias EN-210, que dá ligação ao Nezeto e à Cuimba, e; a EN-120 (Rodovia Transafricana 3), que dá ligação a Matadi (Congo-Quinxassa).
A cidade ainda dispõe do Aeroporto Pedro Moisés Artur, que será desativado e substituído por uma nova infraestrutura, o Aeroporto Nímia Luqueni, a 33 quilómetros do centro da cidade, na comuna de Quiende.

Uma das principais manifestações culturais-religiosas da cidade, e por consequência do país, são as festividades de São Salvador, o padroeiro da cidade, e a procissão em alusão ao martírio de Quimpa Vita. Quem as promove é a Diocese de Mabanza Congo.
Outras manifestações culturais de grande relevo são o Carnaval de Rua de Mabanza, a mais relevante festividade popular da cidade e do norte angolano, e o FestiCongo, uma festa multicultural que reúne os povos e países que integravam o antigo Reino do Congo.
Mabanza Congo é conhecida pelas ruínas da Catedral de São Salvador do Congo (construída em 1492), do século XV, que afirmam ser a igreja colonial mais antiga da África Subsaariana. Na tradição oral, diz-se que esta mesma igreja, conhecida localmente como Culumbimbi, foi construída por anjos durante a noite. Foi elevado ao estatuto de catedral em 1596. O Papa João Paulo II visitou o local durante sua passagem por Angola em 1992. Ao lado de Culumbimbi está o Cemitério dos Reis do Congo, local enorme de importância histórica nacional.
Outro local interessante de importância histórica é o Memorial de Dona Mpolo, mãe do rei Afonso I, próximo ao aeroporto, que rememora uma lenda popular que começou na década de 1680 em que o rei possivelmente havia enterrado sua mãe viva, porque ela não estava disposta a desistir de um "ídolo" que ela usava em volta do pescoço.
Outros locais importantes incluem o Jalancuvo, a árvore de julgamentos do manicongo, que ainda pode ser encontrada no centro da cidade, juntamente com o Sunguilu, uma estrutura retangular no nível do solo onde a tradição local diz que o corpo do rei foi lavado antes do enterro. Ambos estão nas proximidades do Palácio Real Tadi-dia-Bucucua (que atualmente abriga o parte do Museu Real do Congo) e da Casa do Secretário do Rei.
O Museu Real do Congo, que utiliza o Palácio Real Tadi-dia-Bucucua e outras estruturas modernas, abriga uma impressionante coleção de artefatos do antigo reino, embora muitos tenham sido perdidos do prédio mais antigo durante a Guerra Civil Angolana.