
Mamulengo é um tipo de fantoche típico do nordeste brasileiro, especialmente do estado de Pernambuco. A origem do nome é controversa, mas acredita-se que ela se originou de mão molenga - mão mole, ideal para dar movimentos vivos ao fantoche. Um ou mais manipuladores dão voz e movimento aos bonecos.
Suas apresentações eram em praça pública, em geral nos arrabaldes durante os festejos religiosos, apresentando temática em geral bíblica ou sobre atualidades.
O Mamulengo faz parte da cultura popular nordestina, sendo praticada desde a época colonial. Retrata situações cotidianas do povo que a pratica (geralmente, cômicas ou satíricas).
No ano de 2015, foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil. O processo de Registro, resultou na publicação, em 2014, de dois trabalhos intitulados Dossiê interpretativo e Dossiê videográfico, de autoria das pesquisadoras: Dra. Izabela Brochado e Dra. Adriana Alcure, respectivamente.
Na cidade Olinda o Espaço Tiridá - Museu do Mamulengo procura preservar a tradição dos bonecos, contando em seu acervo com cerca de mil e quinhentas peças, além de realizar apresentações diárias.
O Museu é mantido pela Prefeitura de Olinda, mantendo peças antigas e preservando a memória de mestres populares desta arte, como Saúba, Tonho de Pombos, Luiz da Serra, Pedro Rosa, Zé Lopes, Antônio Biló, Manuel Marcelino, etc.
Em Glória do Goitá, cidade da zona da mata de Pernambuco, conhecida como a "Capital do Mamulengo", também há o Museu do Mamulengo, que é dirigido pela Associação dos Mamulengueiros e Artesãos da Glória do Goitá, promovendo sempre apresentações e oficinas. Sem contar que, no próprio museu, podemos encontrar artesãos e mamulengueiros diariamente. Além de vivenciar o folguedo, ainda há bonecos reservados para venda, confeccionados pelos próprios artesãos e pelos Mestres José Lopes, Mestre Bila, Titinha, Mestre Gilberto Lopes.
A apresentação de bonecos pode ser realizada por um ou mais artistas e são carinhosamente chamadas de "brincadeira" devido ao teor alegórico dos eventos teatrais organizados. Neste sentido, a peça teatral é a "brincadeira", o ator é "brincante" e a atuação é o "brincar". Estas intervenções artísticas levam as características regionais nos seus roteiros se adaptando de forma que esses elementos sejam identificados nas falas e nas ações dos personagens.
Quando solo, o 'brincante" principal é o mestre da cerimônia, porém, quando há formação grupal, os mamulengueiros se dividem em uma hierarquia, sendo ela:
Estes grupos podem variar conforme as especificidades da proposta e de sua organização interna, mas há registros de até seis componentes por grupo em algumas localidades.
A transmissão dos saberes do mamulengo ocorre, em grande parte, por meio de linhagens familiares que preservam modos de fazer, repertórios e técnicas ao longo de gerações. Em Pernambuco, um dos exemplos mais conhecidos é o legado de *Mestre Zé Lopes* (1950–2020), reconhecido como referência do Teatro de Bonecos Popular Nordestino e atuante por décadas em Glória do Goitá, município frequentemente associado à tradição do mamulengo.
A continuidade desse legado segue viva através de integrantes de sua família e de novos brincantes formados em sua trajetória. Entre eles está *Cida Lopes*, mamulengueira, artesã e gestora cultural, que iniciou na brincadeira ainda na infância ao lado do pai e desenvolve ações voltadas à formação, circulação e valorização do mamulengo.
Cida Lopes integra e coordena o *Mamulengando Alegria, grupo fundado em 2008 inicialmente por mulheres da família Lopes, dedicado à preservação e recriação do mamulengo tradicional. O grupo desenvolve apresentações, oficinas e ações culturais e, desde 2024, é reconhecido como **Ponto de Cultura*, fortalecendo a transmissão intergeracional do teatro de bonecos popular.