| Manuel de Melo e Simas | |
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| Nascimento | 10 de julho de 1870 Horta |
| Morte | 10 de agosto de 1934 (64 anos) Lisboa |
| Cidadania | Portugal, Reino de Portugal |
| Alma mater | |
| Ocupação | oficial, astrônomo, político |
Manuel Soares de Melo e Simas (Horta, 10 de julho de 1870 — Lisboa, 10 de agosto de 1934) foi um oficial do Exército Português, astrónomo e político. Atingiu o posto de coronel de artilharia, mas dedicou a maior parte da sua carreira à astronomia, prestando serviço no Observatório Astronómico de Lisboa. Republicano, foi Ministro da Instrução Pública durante a Primeira República Portuguesa. Colaborou no Boletim da Universidade Livre publicado entre 1914 e 1916.
Era filho de Manuel Maria de Melo e Simas e de Luísa Adelaide Soares e Simas.
Conclui o ensino secundário no Liceu Nacional da Horta, que frequentou de 1881 a 1887, matriculando-se seguidamente nos preparatórios da Universidade de Coimbra, onde em 1889 concluiu os preparatórios para a arma de Artilharia. Matriculou-se seguidamente na Escola Militar onde concluiu o curso de Artilharia.
Iniciou a sua carreira militar como alferes em 1893, passando à reserva no posto de coronel a que havia sido promovido em 1922.
A 4 de novembro de 1895, casou na igreja paroquial de Santa Isabel, em Lisboa, com Laura Augusta Sarmento Morais (Sé, Angra do Heroísmo, 20 de junho de 1873), filha de Francisco Máximo Morais e Júlia Cândida de Morais.
Serviu em várias unidades militares de Artilharia onde se distinguiu pela resolução de alguns problemas de tiro. Durante a Primeira Guerra Mundial, integrou o Corpo Expedicionário Português em França (1917-1919), interrompendo o serviço que prestava no Observatório Astronómico de Lisboa. O seu desempenho no Corpo Expedicionário Português levou a que fosse condecorado com a comenda da Ordem do Império Britânico (do Reino Unido), com a Legião de Honra (da França) e com a Medalha Comemorativa da Expedição à França, a Medalha da Vitória e o grau prata da Medalha de Comportamento Exemplar.
Desde muito jovem demonstrara apetência pelo estudo das matemáticas e da astronomia, dedicando-se como amador ao cálculo de órbitas de corpos celestes. Estando colocado em Lisboa, em 1905 frequentou o curso de Astronomia na Escola Politécnica. Essa sua paixão pela astronomia levou a que em 1911 interrompesse o serviço militar ativo e fosse colocado em comissão de serviço no Observatório Astronómico de Lisboa, instalado na Tapada da Ajuda, como astrónomo de 1.ª classe supranumerário. Viria a desenvolver quase toda a sua carreira naquela instituição, apenas interrompida pela sua mobilização para a Grande Guerra, atingindo a posição de subdiretor do Observatório em 1931.
Dedicou-se principalmente à observação de cometas e asteroides e à determinação dos elementos das suas órbitas e à observação de ocultações e de estrelas variáveis. Obteve grande nomeada com o cálculo orbital do asteroide 478 Tergeste. Foi pioneiro em Portugal no estudo e divulgação da teoria da relatividade. Realizou na Universidade Livre de Lisboa uma série de 13 conferências, entre 19 de novembro de 1922 e 27 de março de 1923, com o tema geral «Relatividade : sua noção e preceitos».
Considerado individualidade destacada no mundo científico internacional, deixou volumosa colaboração em revistas da especialidade sobre temas de astronomia e de cosmologia. Também publicou vários artigos sobre ciências militares, colaborando na Revista de Artilharia (1906-1907). Também se dedicou à divulgação científica, publicando múltiplas obras destinadas ao grande público e às escolas sobre temas de astronomia, cosmologia e física. Nesse campo, colaborou em diversas publicações, entre as quais os periódicos Sociedade Futura e O Século, e em jornais açorianos como o Diários dos Açores, A Folha, O Fayalense, Gazeta de Notícias e O Telégrafo.
Foi eleito sócio-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa em 1907 e sócio efetivo em 1931, passando a ocupar a cadeira 18 (Ciências Matemáticas). Foi sócio fundador da Academia das Ciências de Portugal, com o número 48, e presidente da sua secção de Cosmologia. Entre outras sociedades científicas, foi sócio da Sociedade Astronómica de Espanha e América (Sociedade Astronomica de España y América) e da Sociedade Astronómica de França (Société astronomique de France), de que foi um dos fundadores.
Também se dedicou à política, tendo inicialmente adotado uma posição próxima do Partido Progressista, mas depois aderindo ao Partido Republicano Português e depois ao Partido Democrático. Nas eleições de agosto de 1906 foi eleito deputado às Cortes, como independente próximo dos progressista, numa altura em que nos Açores se reclamava a presença na Câmara de Deputados de alguém que conhecesse a problemática das ilhas e tivesse influência social e intelectual para defender os interesses locais. Após a implantação da República Portuguesa, foi eleito senador pelo círculo da Horta em 1915, nas listas do Partido Democrático. Em 1923 foi ministro da Instrução Pública no governo presidido por António Ginestal Machado. Foi membro da Federação Nacional Republicana, desde 1919, tendo integrado o conselho central da sua Comissão Política.
Para além das condecorações que recebeu pela sua ação como militar, foi também agraciado com os graus de Comendador (17 de maio de 1919) e Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis (5 de outubro de 1923).
Melo e Simas deixou uma vastíssima obra publicada, dispersa por múltiplos periódicos e revistas científicas. Entre muitas outras, é autor das seguintes obras:
(1913), Utilidade da Astronomia. Grandesa e magnificencia do Universo. Idéa geral da distribuição dos mundos. Lisboa, Universidade Livre. [1.ª lição; edição correcta e aumentada com a 1.ª lição efectuada na filial de Leiria em 31 de janeiro].
Entre muitos outros, é autor dos seguintes artigos de vulgarização científica: