Marco Falcone (Belo Horizonte, 25 de junho de 1963 – Belo Horizonte, 5 de janeiro de 2024) foi um cervejeiro, empresário e professor brasileiro que fundou a Falke Bier com seus irmãos e esteve entre os pioneiros da cerveja artesanal em Minas Gerais.
Ensinou a preparar e avaliar cerveja em cursos de formação profissional e, com a jornalista Fabiana Arreguy, fundou a Academia Sommelier de Cerveja. Orientou pessoas que queriam abrir suas próprias fábricas e, nas degustações, combinava cervejas com alimentos escolhidos para acompanhar a bebida.
Presidiu a Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja, do Ministério da Agricultura. Defendeu mudanças nos impostos cobrados das pequenas fábricas e a participação dessas empresas nas decisões sobre o setor.
Marco Antônio dos Anjos Falcone nasceu em Belo Horizonte, em 25 de junho de 1963, filho de Júlio Falcone Júnior e Maria Hilma dos Anjos Falcone.
Falcone começou a fazer cerveja em casa na década de 1980, antes de deixar o trabalho como representante de uma indústria de medidores de energia elétrica para se dedicar à bebida. Depois de uma viagem a Hanôver, na Alemanha, passou a estudar formas de aperfeiçoar a produção.
Quando seu filho mais velho, Tiago, ainda era bebê, Falcone preparava cerveja em casa enquanto cuidava dele e fez 200 garrafas para comemorar o primeiro aniversário do menino.
Em 2004, fundou a Falke Bier com os irmãos Juliana e Ronaldo, no sítio da família em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Em 2010, a Colorado distribuía as cervejas da Falke Bier em São Paulo, em uma parceria entre pequenas cervejarias.
Na Falke Bier, produzia uma tripel, cerveja de estilo belga, e uma India Pale Ale, ou IPA, estilos ainda pouco comuns no Brasil em 2011. Torrava o malte, um dos ingredientes da cerveja, e escolhia alimentos que combinassem com a bebida, trabalho chamado de harmonização.
Partiu de receitas inspiradas na Lei da Pureza alemã, que restringia os ingredientes usados na cerveja, e passou a experimentar estilos belgas com frutas e especiarias. Participou da criação da Vivre Pour Vivre, cerveja feita com jabuticaba e apresentada na feira Brasil Brau de 2011.
A Falke abriu seu primeiro bar em 2019, a Casa Falke, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.
Foi professor da Escola Superior de Cerveja e Malte, em Blumenau, e do Science of Beer Institute, em Florianópolis. Com a jornalista Fabiana Arreguy, fundou a Academia Sommelier de Cerveja, em Belo Horizonte, para formar profissionais.
Em 2012, estava prevista a participação de Falcone como convidado de um encontro do Pão e Cerveja na livraria Fnac de Belo Horizonte, apresentado por Fabiana Arreguy.
Em agosto de 2013, ministrou em Natal cursos sobre produção de cerveja e abertura de negócios, nos quais os alunos também avaliavam a bebida pela degustação, em aulas de análise sensorial. A Associação dos Cervejeiros Artesanais Potiguares organizou as atividades.
Carolina Campos e Raquel Velloso, fundadoras da Amigas do Rei, creditavam aos conselhos de Falcone a decisão de abrir a cervejaria. A sala de produção recebeu seu nome, e ele esteve presente à primeira brassagem, coordenada pelo filho Max, na qual os ingredientes foram misturados para preparar a cerveja. Carolina afirmou que os conselhos de Falcone também a incentivaram a ampliar a fábrica.
Em uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em junho de 2019, apresentou cursos de formação em cerveja destinados a pessoas de baixa renda, que já haviam formado mais de cem profissionais em Nova Lima e Ribeirão das Neves.
Em 2009, Falcone redigiu o manifesto do movimento Slow Bier Brasil, inspirado no Slow Food, para reunir produtores caseiros, microcervejarias e o segmento de cervejas especiais importadas em torno de uma pauta comum. Considerava que o crescimento desse mercado permitia uma atuação conjunta perante o poder público e a sociedade, mas apontava a concorrência dos grandes grupos cervejeiros e a carga de impostos como ameaças aos pequenos produtores. O manifesto defendia proteção à atividade e regras tributárias que dessem às pequenas cervejarias melhores condições de competir.
Em 2013, participou das discussões sobre os impostos das pequenas cervejarias pelo Sindbebidas, o sindicato das indústrias de cerveja e bebidas de Minas Gerais. Defendeu a entrada dessas empresas no Simples Nacional, sistema de cobrança de impostos para micro e pequenas empresas.
Como vice-presidente do Sindbebidas, participou da criação da marca coletiva Cervejas de Minas, com o slogan "Livres por Tradição", para distinguir as cervejas artesanais produzidas no estado. A marca foi lançada em 2018 no festival Mondial de La Bière, no Rio de Janeiro, em parceria com a Fiemg e o Sebrae. O projeto previa formação e acesso a novos mercados, com uma central de negócios formada por vinte cervejarias.
Na crise de contaminação que atingiu a Backer em janeiro de 2020, falou pelo setor sobre as consequências para as vendas e a necessidade de procedimentos técnicos para garantir a qualidade da cerveja. Em maio, durante a pandemia de COVID-19, discutiu a queda nas vendas e os problemas financeiros das pequenas fábricas, que buscavam formas de entregar a bebida aos clientes.
Em fevereiro de 2021, presidia a Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais, ou Febracerva, criada para reunir associações de pequenas cervejarias e defender seus pedidos perante o poder público. Pediu à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, naquele ano, que as microcervejarias participassem das medidas de recuperação econômica e recebessem benefícios nos impostos.
Em março de 2022, foi nomeado para substituir Carla Crippa na presidência da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja, grupo do Ministério da Agricultura que reúne integrantes do setor para discutir pedidos e propor políticas públicas.
Em maio de 2022, apoiou o anúncio de regras de impostos específicas para pequenas cervejarias em Minas Gerais, que chamou de um pedido antigo dos produtores.
Nas discussões sobre o Carnaval de Belo Horizonte em 2023, defendeu que cervejarias artesanais pudessem patrocinar a festa e criticou a exclusividade concedida a uma grande fabricante. Em setembro de 2023, criticou a proposta de aumentar o imposto estadual sobre a circulação de mercadorias, o ICMS, cobrado sobre a cerveja, e os custos que isso traria às pequenas fábricas.
Tiago Falcone, um dos três filhos de Marco, começou como aprendiz na cervejaria do pai em 2008 e passou a trabalhar na Beavertown Brewery, em Londres, depois de uma temporada na Itália. Marco produziu uma cerveja com a fábrica inglesa, sem colocá-la à venda. Com o projeto Pedlar, Tiago viajou de bicicleta pela Europa e fez cervejas em parceria com fábricas que visitava. Em 2019, Tiago trabalhava como mestre cervejeiro da Broaden & Build, em Copenhague, onde desenvolvia receitas com Matt Orlando, chef do restaurante Amass. Na Bélgica, trabalhou no projeto Dansaert, da Brussels Beer Project, que produzia cervejas envelhecidas em barris.
Max Falcone, outro filho de Marco, trabalhou na Falke Bier e atuou como mestre cervejeiro da Companhia Central de Bebidas. Prestou consultoria técnica à Agrária Malte em Minas Gerais, e afirmava ter aprendido com o pai a dar atenção à formação de cervejeiros e à qualidade da bebida.
Depois da morte de Falcone, em 5 de janeiro de 2024, aos 60 anos, os organizadores do Concurso Brasileiro de Cervejas anunciaram o Prêmio Marco Falcone, criado para reconhecer o trabalho de mestres cervejeiros. Em março de 2024, o prêmio foi concedido a Carlos Mioranza, da cervejaria Alem Bier.
Os organizadores do Festival Internacional de Cerveja e Cultura anunciaram uma homenagem a Falcone para a edição de agosto de 2024, em Belo Horizonte. A programação previa uma cerveja feita por seu filho Max, em parceria com a Falke Bier.