Marcus Vilar nasceu em Campina Grande, mas mudou-se para João Pessoa (a capital paraibana) ainda na juventude, no ano de 1976 aos 17 anos de idade. Ingressou na Universidade Federal da Paraíba no curso de Educação Física, mas por influência dos amigos de faculdade ele conheceu e migrou para o mundo das artes. No fim da graduação não quis seguir a carreira que o curso lhe proporcionara, mudou o foco dos estudos e trocou a bola pela câmera, tornando-se referência no cenário do cinema paraibano.
24 horas → É uma produção em preto e branco filmada na bitola cinematográfica de 16 milímetros em 1987. Mistura a ficção com o gênero documentário durante 15 minutos, questionando os motivos que levam uma pessoa a tornar-se alcoólatra, documenta frenéticos momentos do uso de bebida em alguns pontos de João Pessoa.
Sertãomar → Documentário colorido de 12 minutos produzido em 1994. Conta a história do "homens peixes", família do sertão paibano com uma rara doença chamada ictiose, em que a pele não transpira deixando-a com a aparência de escamas.
A árvore da miséria → Primeira produção na bitola cinematográfica de 35 milímetros, esta ficção em preto e branco de 12 minutos foi lançada em 1998 e baseada em um conto popular. Conta a história de Dona Miséria. Após expulsar alguns meninos da sua árvore, ela atende um mendigo que se diz enviado por Deus. Depois disso a morte vem buscá-la para outro mundo, daí então seu cotidiano é modificado.
A canga → Produzida em 2001, "A canga" é uma ficção colorida de 12 minutos baseada no conto de mesmo nome, que depois virou romance, de Waldemar José Solha. Retrata as dificuldades de relacionamento de uma família no sertão nordestino. A ação transcorre no meio de uma lavoura seca, onde o velho Ascenço Texeira (interpretado pelo próprio Solha, autor do conto e livro), obriga os filhos, a esposa e a nora grávida a colocarem nos ombros uma canga de boi. Fora de si, o velho perde o controle da situação e a família reage.
O meio do mundo → Esta ficção colorida de 2005 é uma adaptação do contohomônimo do escritor sergipano Antônio Carlos Viana. O curta conta, durante 11 minutos, a estória de Tonho, um garoto de 12 anos que, vivendo em um lugar distante, no meio do mundo, é levado pelo pai para conhecer a vida.
O senhor do castelo → Este primeiro longa-metragem de Marcus Vilar, que levou quinze anos para sua finalização, é um documentário sobre o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna. As gravações tiveram início em 1992 na aula magna do Reitorado do professor Neroaldo Pontes, uma das primeiras aulas espetáculo ministrada por Ariano Suassuna. Durante 72 minutos, Ariano narra, com locações na Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro, sua trajetória de vida e discorre sobre sua luta em defesa da língua portuguesa.
Jogo de olhar → Produzido em 2012, este documentário colorido mostra, durante 15 minutos, as torcidas organizadas durante um jogo dos times de futebol da cidade de Campina Grande. Na geral, cadeiras ou arquibancadas, habitam olhares, narrando, cada lado, o seu jogo. E por eles, e só através deles, podemos enxergar o espetáculo que se constrói. A ideia de produzir uma obra sem o plano subjetivo (a visão do personagem) surgiu no filme “A flauta mágica”, que é a trilha sonora desta produção. O minutos iniciais do filme A flauta mágica mostram apenas a reação da plateia ao ouvir esta ópera de Mozart.
Terceiro Velho → O filme de 2013 é em preto e branco e filmado todo à noite, com locações nas praias e na zona sul de João Pessoa. O roteiro é uma adaptação do conto "O Terceiro Velho da Noite", do escritor sergipano Antônio Carlos Viana (mesmo autor do conto e do curta “O meio do mundo”), e mostra a noite de uma prostituta que encontra três estranhos clientes de idade avançada e vivencia situações inesperadas em que desejo, medo e solidão misturam-se e tomam forma na escuridão.
Trabalhos futuros
Atualmente, Marcus Vilar está produzindo o seu segundo longa-metragem, agora sobre Jackson do Pandeiro. Este novo filme, dirigido por ele e também por Cacá Texeira começou a ser gravado desde 2003 numa primeira entrevista com a primeira mulher de Jackson (in memorian), Almira Castilho. Com locações em Alagoa Grande (cidade natal de Jackson do Pandeiro), Campina Grande, João Pessoa, Recife, Rio de Janeiro (todos locais em que ele residiu) e, por fim, em Brasília (onde faleceu), o filme narra a história desse renomado músico paraibano. O longa conta com grandes participações da música brasileira, artistas consagrados que trabalharam com o Jackson, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Antonio Barros e Cecéu, Alceu Valença, Lenine, Jarbas Mariz, entre outros.
O projeto que começou sem nenhum recurso só passou a tê-lo a partir de 2013, quando foi aprovado pelo edital Valfredo Rodriguez e em seguida no Funcultura de Pernambuco. A previsão para o lançamento desta obra é até agosto de 2015.
Prêmio de melhor montagem e melhor som, no II Curta Coremas, na Paraíba, realizado em maio de 2012.
Prêmio de melhor montagem, melhor edição de som e prêmio Romero e Romulo Azevedo de melhor filme no IV Comunicurtas, na cidade de Campina Grande, na Paraíba, em agosto de 2012.
O terceiro velho
Melhor Filme de Ficção, melhor ator, melhor atriz, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Filme Geral (dividido com "A Queima" de Diego Benevides) no VIII Comunicurtas, em Campina Grande, na Paraíba, em 2013.