Maria Barroso

Maria Barroso
Maria Barroso em 2013
Portugal Primeira-dama de Portugal
Período9 de março de 1986
até 9 de março de 1996
PresidenteMário Soares
Antecessor(a)Manuela Ramalho Eanes
Sucessor(a)Maria José Ritta
Dados pessoais
Nome completoMaria de Jesus Simões Barroso Soares
Nascimento2 de maio de 1925
Fuseta, Olhão
Morte7 de julho de 2015 (90 anos)
São Domingos de Benfica, Lisboa
ProgenitoresMãe: Maria da Encarnação Simões
Pai: Alfredo José Barroso
Alma materConservatório Nacional, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
MaridoMário Soares
Religiãocatólica
ProfissãoAtriz, Professora

Maria de Jesus Simões Barroso Soares GCL • GCIP • GCSI (Fuseta, Olhão, 2 de maio de 1925 ― São Domingos de Benfica, Lisboa, 7 de julho de 2015) foi uma atriz, professora e ativista política e social portuguesa, tendo sido uma das fundadoras do Partido Socialista (PS), na Alemanha, em 1973. Como esposa do 17.º presidente de Portugal, Mário Soares, foi primeira-dama do seu país entre 1986 e 1996.

Família

Filha de Alfredo José Barroso (Alvor, Portimão, 15 de abril de 1887 — Campo Grande, Lisboa, 14 de janeiro de 1970), oficial do Exército, e de sua mulher Maria da Encarnação Simões (Sé Nova, Coimbra, 3 de janeiro de 1890 — Campo Grande, Lisboa, 26 de abril de 1970), casados em Alvor em 1912. Neta paterna de José Barroso de Sousa e de sua mulher Maria de Jesus Barroso, também naturais de Montes de Alvor, e neta materna de Manuel Maria dos Santos e de sua mulher Maria da Rainha Santa, naturais de Coimbra.

Era tia paterna do jornalista e político Alfredo Barroso e tia materna do cineasta Mário Barroso, do médico cirurgião Eduardo Barroso e da bailarina Graça Barroso.[carece de fontes]?

Biografia

De uma família numerosa — foi a quinta de sete irmãos — Maria de Jesus Barroso acompanhou na infância as mudanças da família, da Fuseta para Setúbal e, em seguida, de Setúbal para Lisboa. O pai, opositor à ditadura, esteve preso na Penitenciária de Lisboa e foi deportado para os Açores, onde foi encarcerado no Forte de Angra do Heroísmo. Depois da instrução primária, que fez em Setúbal e em Lisboa, frequentou os liceus D. Filipa de Lencastre e Pedro Nunes.

Na adolescência interessa-se pelo teatro e pela arte de dizer poesia, o que a levará a frequentar o Curso de Arte Dramática da Escola de Teatro do Conservatório Nacional. Terminou esse curso em 1943, com a classificação mais elevada do seu ano. Foi encenadora e professora de Arte de Dizer no Colégio Moderno, em substituição de Manuel Lereno. Em 1944, estreia-se no teatro profissional na peça Sua Excelência, o Ladrão, da Companhia Brunilde Júdice-Alves da Costa, levada à cena no Teatro Gymnasio. Por intermédio do ator Assis Pacheco entra na prestigiada companhia de teatro Rey Colaço-Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II, em substituição de Maria Lalande, onde se estreia também em 1944, na peça Auto da pastora perdida e da velha gaiteira, de Santiago Prezado. No Teatro Nacional, integrou o elenco de Aparências, de Jacinto Benavente, encenada por Palmira Bastos, e teve uma interpretação destacada em Benilde ou a Virgem Mãe, de José Régio, em 1947. Em 1948, após representar em Coimbra A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, é impedida de continuar naquela companhia por interferência da PIDE. Participou nas campanhas presidenciais de José Norton de Matos (1949) e Humberto Delgado (1958).

Ao mesmo tempo que fazia carreira como atriz, Maria Barroso prosseguiu os estudos na Faculdade de Letras, onde viria a completar uma licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, em 1951, com a tese Valentim Fernandes e a sua obra. Foi na faculdade que conheceu Mário Soares, com o qual viria a casar a 22 de fevereiro de 1949, por procuração (mas com registo na 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa). Soares estava então preso por motivos políticos e foi representado no casamento por Rogério de Araújo. Foram padrinhos de casamento Joaquim Barradas de Carvalho e Ruth Arons, em casa de quem Mário Soares se refugiou pouco antes de ser preso pela PIDE em 15 de fevereiro de 1949, e também o escritor Manuel Mendes, que se encontrava igualmente preso, e a sua esposa Berta Júlia das Neves Mendes. Com Mário Soares teve dois filhos, João, que seguiu a carreira política; e Isabel, psicóloga e professora do Colégio Moderno, onde sucedeu a sua mãe como diretora.

Depois de ser impedida de trabalhar no teatro, Maria Barroso seria também proibida pelo governo de ser professora. Candidata ao estágio para o ingresso na docência, não foi admitida na escola pública, optando então por realizar o estágio no Colégio Moderno, dirigido pelo seu sogro, João Soares. Em 1959, porém, ser-lhe-ia rejeitada pelo Ministério da Educação Nacional o pedido de licença para o exercício da docência no ensino particular. Acaba por assumir a gerência do colégio familiar e só depois da Revolução de 25 de Abril de 1974 assumiria, legalmente, a função de diretora do Colégio Moderno.

Voltará à representação, em Antígona (1965), de Sófocles, no Teatro Villaret, e no cinema, com o surgimento da vaga do Cinema Novo Português, participando no filme de Paulo Rocha, Mudar de Vida, em que interpretou Júlia, uma mulher do mar. Em 1966, no Clube de Viseu, esteve prestes a interpretar o monólogo A Voz Humana, de Jean Cocteau, tendo a peça sido proibida pelo regime, pelo que Maria Barroso deixou de fazer teatro. Já na década de 1970 e década de 1980 participou em filmes de Manoel de Oliveira (1985 - Le Soulier de Satin, 1979 - Amor de Perdição, 1975 - Benilde ou a Virgem Mãe).

Mário Soares e Maria Barroso em 1974

Em 1968, acompanha o marido quando este é deportado para São Tomé, onde é de novo impedida de dar aulas, também a nível particular. Depois, já na década de 1970, quando o governo de Marcello Caetano permite a Soares o exílio em Paris, Maria Barroso volta a Portugal, continuando a assegurar a gestão do colégio familiar.

Em 1969, foi candidata a deputada pela Comissão Democrática Eleitoral (CDE) no círculo de Santarém. Em 1973 participou no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, sendo a única mulher a intervir na sessão de abertura.

Mário Soares e Maria Barroso no funeral do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, em 1989

Em 1973, foi a única mulher presente no congresso fundador do Partido Socialista, em Bad Münstereifel, na Alemanha. Nessa ocasião, foi uma das sete pessoas a votar contra a transformação da Acção Socialista Portuguesa em partido, contra a posição de Mário Soares.

Depois do 25 de abril de 1974, Mário Soares e Maria Barroso regressaram a Portugal no "comboio da liberdade". Maria Barroso foi eleita deputada à Assembleia da República, sucessivamente, pelos círculos de Santarém, Porto e Faro, nas legislaturas iniciadas em 1976, 1979, 1980 e 1983. Em 1976, foi eleita deputada à Assembleia Municipal de Sintra. Em 1977, foi eleita vice-presidente da Comissão de Educação da Assembleia da República.

Em 1986 Mário Soares é eleito Presidente da República e Maria Barroso assume o papel de primeira-dama de Portugal (1986–1996). Nessa qualidade a sua intervenção dirigiu-se à defesa do sentido da família e no combate à exclusão social e a todas as formas de violência, participando em diversas iniciativas quer em Portugal quer noutros países de língua oficial portuguesa. Em 1990 criou o movimento Emergência Moçambique, outorgando, no ano seguinte, a escritura da Associação para o Estudo e Prevenção da Violência. Em 1995 presidiu à abertura do ciclo de realizações do Ano Internacional de Luta contra o racismo, a xenofobia, o antissemitismo e a exclusão social.

Depois de deixar o Palácio de Belém, em 1997, assumiu a presidência da Cruz Vermelha Portuguesa, cargo que exerceu até 2003. Foi ainda sócia-fundadora e presidente do Conselho de Administração da Fundação Pro Dignitate, desde 1994 até ao seu falecimento, e ainda da Fundação Aristides de Sousa Mendes.

Foi distinguida com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Lesley (3 de maio de 1994), pela Universidade de Aveiro (16 de dezembro de 1996), pela Universidade de Lisboa (3 de novembro de 1999) e pela Universidade Lusófona (18 de maio de 2012). Foi professora honorária da Sociedade de Estudos Internacionais de Madrid. Recebeu também a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade a 7 de março de 1997.

Maria Barroso faleceu aos 90 anos de idade, no dia 7 de julho de 2015, às 5h20m, no Hospital da Cruz Vermelha, freguesia de São Domingos de Benfica, em Lisboa, onde estava internada, em estado grave, desde 25 de junho de 2015, devido a uma queda que a deixou em estado de coma irreversível. Foi-lhe diagnosticado um derrame intracraniano e entrou em coma no mesmo dia. O funeral realizou-se dia 8 na Igreja dos Santos Reis Magos, no Campo Grande. Foi sepultada no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, em jazigo de família.

Maria Barroso abraçou a fé católica e era politicamente republicana.

Condecorações

Publicações da autoria de Maria Barroso

Biografias sobre Maria Barroso

Prémios

[carece de fontes]?

Associações

[carece de fontes]?

Referências

  1. ↑ «Maria Barroso, a atriz, ativista e companheira de vida de Mário Soares». www.jn.pt. Consultado em 16 de março de 2021
  2. ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia de Alvor (1887)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Faro. p. 15, assento 44
  3. ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia da Sé Nova - Coimbra (1890)». pesquisa.auc.uc.pt. Arquivo da Universidade de Coimbra. p. 2 e 2v, assento 4
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  7. 1 2 3 Gageiro, Sandy (7 de julho de 2015). «Faleceu Maria Barroso, a atriz, ativista e companheira de vida de Mário Soares». RTP Notícias. Consultado em 26 de setembro de 2024
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  23. ↑ «Bibliografia da autoria e sobre Maria Barroso | Fundação Mário Soares e Maria Barroso». fmsoaresbarroso.pt. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
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  25. ↑ «Maria Barroso. Os legados». Editora d'Ideias. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
  26. ↑ Lusa, Agência. «Maria Barroso e jornalistas homenageados por defesa dos direitos humanos». Observador. Consultado em 16 de março de 2021
  27. ↑ Pina, Ana (1 de abril de 2022). «"Prémio Maria Barroso" atribuído à jornalista Maria Elisa Domingues». O Jornal Económico - Notícias, Economia, Política, Empresas, Mercados e Opinião. Consultado em 31 de outubro de 2023
  28. ↑ «Prémio Maria Barroso». www.cm-lagoa.pt. Consultado em 30 de outubro de 2023

Fontes