| Leonor de Almeida Portugal | |||||
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| 4.ª Marquesa de Alorna 8.ª Condessa de Assumar | |||||
Retrato por Joseph Pitschmann (1780) | |||||
| 4.ª Marquesa de Alorna | |||||
| Período | 26 de outubro de 1823 – 11 de outubro de 1839 | ||||
| Antecessor(a) | Pedro José de Almeida Portugal | ||||
| Sucessor(a) | José Trasimundo Mascarenhas Barreto | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 31 de outubro de 1750 Lisboa | ||||
| Morte | 11 de outubro de 1839 (88 anos) Benfica, Lisboa | ||||
| Sepultamento | Cemitério dos Prazeres, Lisboa | ||||
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| Cônjuge | Carlos Augusto, conde de Oeynhausen-Gravenburg | ||||
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| Pai | João de Almeida Portugal, 2.º Marquês de Alorna | ||||
| Mãe | Leonor de Lorena e Távora | ||||
| Brasão | |||||
Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre, 4.ª Marquesa de Alorna (Lisboa, 31 de outubro de 1750 – Lisboa, 11 de outubro de 1839) foi uma poetisa, tradutora e nobre portuguesa, conhecida pelo nome de Alcipe. Foi também condessa de Assumar, por direito próprio, e condessa de Oeynhausen pelo casamento.
Neta dos marqueses de Távora, passou a infância e a juventude encerrada com a mãe e a irmã no mosteiro de Chelas, na sequência do Processo dos Távoras, e começou aí a escrever poesia. Depois de libertada, em 1777, casou com o conde de Oeynhausen e viveu no Porto, em Viena e no Sul de França. Viúva desde 1793, foi obrigada a sair do país e viveu em Espanha e em Inglaterra de 1803 a 1814. De regresso a Lisboa, obteve a reabilitação do irmão e a recuperação dos títulos da família. A sua obra poética, situada entre o neoclassicismo e o romantismo, foi publicada postumamente, em seis volumes, em 1844.
Nasceu em Lisboa a 31 de outubro de 1750, primogénita dos três filhos de D. João de Almeida Portugal (1726–1802), 2.º Marquês de Alorna e 4.º Conde de Assumar, e de D. Leonor de Lorena e Távora, quarta filha dos 3.ºs marqueses de Távora. O avô paterno, D. Pedro Miguel de Almeida Portugal, vice-rei da Índia, recebera em 1748 o título de marquês de Alorna, em memória da conquista da praça de Alorna.
A 3 de setembro de 1758, D. José I foi alvo de um atentado, cuja responsabilidade foi imputada aos marqueses de Távora, avós maternos de Leonor, aos seus tios e ao duque de Aveiro. O pai foi preso a 13 de dezembro desse ano, sem nunca ter sido formalmente acusado, primeiro na Torre de Belém e depois no forte da Junqueira. No dia seguinte, Leonor, então com oito anos, a mãe e a irmã, D. Maria Rita, foram encerradas no mosteiro de São Félix, em Chelas; o irmão, D. Pedro, com quatro anos, ficou sob a tutela do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal. Os avós maternos foram executados em Belém a 13 de janeiro de 1759.
A família permaneceu presa cerca de dezoito anos, até à morte de D. José I e ao afastamento de Pombal, em 1777. Por volta de 1763, os membros da família passaram a trocar correspondência às escondidas, com a conivência de guardas e criados. As cartas que Leonor escreveu ao pai e à condessa do Vimieiro, D. Teresa de Mello Breyner, parente dos Távoras que a visitava em Chelas desde 1770, documentam as suas leituras e os meios de que se servia para ter lições e obter livros. Na correspondência com a condessa, que assinava Tirse, usava o nome de Lília.
Em Chelas, estudou latim, grego e várias línguas europeias, e leu autores como Rousseau, Locke, Pascal, Racine e Young. Segundo o seu próprio testemunho, começou a escrever poesia para distrair o pai na prisão, e enviava-lhe os seus poemas juntamente com manuscritos de poetas da Arcádia Lusitana, como Correia Garção e António Dinis da Cruz e Silva. Participava nos outeiros poéticos organizados no mosteiro em dias de festa religiosa e por ocasião das eleições das preladas, nos quais praticou o improviso e a glosa de motes.
Os seus poemas circularam em cópias manuscritas fora do mosteiro, que passou a ser visitado por poetas e letrados. Entre eles contaram-se Filinto Elísio, a quem se atribui o nome literário de Alcipe, frei José do Coração de Jesus, António Ribeiro dos Santos e frei Alexandre da Sagrada Família, mais tarde bispo de Angra. Alguns destes poetas celebraram em verso a libertação da família, em 1777.
Na correspondência com a condessa do Vimieiro, comentou poetas do seu tempo. Numa carta de 25 de fevereiro de 1771, apreciou com reservas Domingos dos Reis Quita e João Xavier de Matos, considerou Cláudio Manuel da Costa um imitador de Metastasio e de Guarini e criticou O Uraguai, de Basílio da Gama, cujo sucesso atribuiu ao favor de Pombal, a quem considerava o «carrasco» da sua família.

Em 1779, casou com Carlos Augusto, conde de Oeynhausen-Gravenburg, oficial alemão de religião luterana, primo do conde de Schaumburg-Lippe, que reorganizara o exército português. Para a poder desposar, o conde abjurou da sua fé numa cerimónia pública de batismo a 15 de fevereiro de 1778, em que foram padrinhos a rainha D. Maria I e o rei D. Pedro III; o casamento realizou-se um ano depois. O conde tinha um filho natural, João Carlos Augusto de Oeynhausen, que fez carreira no Brasil, onde recebeu o título de marquês de Aracati, e morreu em Moçambique como governador.
O casal fixou-se primeiro no Porto, onde o conde comandou o 6.º Regimento de Infantaria até 1780 e onde nasceu a primeira filha, Leonor Benedita. Depois de diligências de Leonor junto da rainha, o marido foi nomeado ministro plenipotenciário em Viena, e o casal partiu para a Áustria, passando pelas cortes de Espanha e de França. Em Viena, relacionou-se com o imperador José II, que a condecorou com a Ordem da Cruz Estrelada, com Metastasio, com o filósofo Moses Mendelssohn e com a cantora Luísa Todi, e frequentou os salões da cidade; o nome do marido figura entre os subscritores dos concertos dados por Mozart em 1784. Aí aprendeu alemão. Também se dedicou à pintura; enviou ao pai o quadro Soledade e à princesa do Brasil uma alegoria do amor conjugal.
Entre 1780 e 1784, nasceram em Viena três filhas, Maria Regina, Frederica e Juliana; Maria Regina morreu com pouco mais de um ano. O casal estabeleceu-se no fim de 1784 em Avinhão, onde viveu cerca de seis anos e onde nasceram Mário Carlos Augusto, que morreu quatro anos depois, e Henriqueta. Leonor passou uma temporada em Lisboa entre 1787 e 1788, sem o marido, procurando obter da rainha favores para ele. Sobre a morte de filhos, escreveu a ode Ao túmulo da minha filha e o soneto A um filho que morreu poucos instantes depois de nascer.
Depois do regresso a Portugal, em 1790, nasceram ainda João Carlos Ulrico e Luísa. O conde, que chegara ao posto de tenente-general e, segundo o neto, ao de inspetor de cavalaria, foi nomeado governador militar do Algarve. A 3 de março de 1793, morreu antes de tomar posse do cargo.

Do casamento nasceram oito filhos:
Viúva aos 43 anos, com filhos menores e em situação económica precária, foi criticada pela administração da casa; a família recebia do Erário uma pensão anual de seis mil cruzados. Nestes anos, manteve relações literárias com a viscondessa de Balsemão e com poetas da Nova Arcádia, como Francisco Joaquim Bingre e Bocage, que lhe dedicou o tomo III das suas Rimas, em 1804.
A 9 de novembro de 1801, foi nomeada por alvará dama de honor da princesa D. Carlota Joaquina e, no ano seguinte, convidada a sugerir os temas da decoração do Palácio da Ajuda. Segundo o neto, foi intimada a 6 de outubro de 1802 pelo intendente-geral da Polícia, Pina Manique, a abandonar o país, por causa da fundação de uma sociedade denominada Sociedade da Rosa. Entre 1803 e 1814, viveu fora do país, primeiro em Espanha, até 1804, e depois em Inglaterra, aparentemente envolvida em atividades políticas de apoio à contrarrevolução francesa e contra Napoleão. Em Inglaterra, relacionou-se com Madame de Staël e com o duque de Palmela, embaixador de Portugal em Londres.
Em 1809, tentou regressar a Lisboa, onde chegou a 30 de setembro no paquete de Inglaterra, com uma filha solteira. O Conselho da Regência, desconfiado por ela ser mãe da condessa da Ega, que aceitara a corte de Junot, e irmã do marquês de Alorna, ao serviço de Napoleão, e por não ter apresentado licença do regente nem passaporte, ordenou-lhe a 5 de outubro que voltasse para Inglaterra. Por intercessão do ministro britânico, obteve licença para ficar até ao fim de outubro.

A 1 de julho de 1814, regressou a Portugal, depois da morte do irmão, D. Pedro José de Almeida Portugal, 3.º Marquês de Alorna, ocorrida em Königsberg a 2 de janeiro de 1813. Nos dez anos seguintes, procurou obter a reabilitação do irmão, condenado por inconfidência por ter comandado a Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão. O pai morrera em Almada a 9 de junho de 1802. Por decreto de 26 de outubro de 1823, obtida a revisão da sentença, recebeu os títulos de 4.ª marquesa de Alorna e de condessa de Assumar, de que se tornara herdeira por morte da cunhada e dos dois sobrinhos. Foi depois dama de honor da rainha D. Maria II.
Apesar das dificuldades financeiras, que se mantiveram até à sua morte, recebeu poetas e literatos nas casas onde viveu, em Lisboa e em Almada. Entre 1816 e 1829, frequentou as reuniões em casa da escritora Francisca Possolo da Costa. Entre os frequentadores do seu círculo contaram-se Belchior Curvo Semedo, Domingos Borges de Barros e os então jovens António Feliciano de Castilho e Alexandre Herculano. Herculano escreveu que lhe devia incitamento e proteção literária no início da sua carreira.
Viveu os últimos anos na casa do neto, D. José Trasimundo Mascarenhas Barreto, 7.º Marquês de Fronteira, o Palácio dos Marqueses de Fronteira, em Benfica, onde morreu a 11 de outubro de 1839, com 88 anos. Foi sepultada no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
Pelo casamento, foi condessa de Oeynhausen-Gravenburg. Em 1823, recebeu os títulos de 4.ª marquesa de Alorna e de condessa de Assumar.
Com o seu casamento, a varonia dos marqueses de Alorna passou a ser a dos condes de Oeynhausen-Gravenburg. Pelo casamento da filha Leonor Benedita com o 6.º marquês de Fronteira, em 1799, a casa de Alorna, e com ela a representação da de Assumar, foi incorporada na dos marqueses de Fronteira.
Escreveu sonetos, éclogas, epístolas, odes, idílios, epitáfios, apólogos e epigramas, e fez traduções e imitações de autores latinos, ingleses, alemães, franceses e italianos. Em 1844, por iniciativa das filhas Henriqueta e Frederica, foi publicada uma coletânea que inclui, além da poesia original, adaptações de textos de Amelia Opie e de Madame Deshoulières e traduções de Claudiano, Gray, Goethe, Bürger, Metastasio, Milton, Thomson, Goldsmith, Lamartine, Klopstock, Wieland e do pseudo-Ossian. Entre as obras mais citadas contam-se o poema didático Recreações botânicas, em seis cantos, as traduções da Arte poética de Horácio, do Rapto de Prosérpina de Claudiano, do Ensaio sobre a crítica de Pope e da Primavera de Thomson, e a paráfrase dos Salmos.
Foi por vezes designada como a «Staël portuguesa». No fim do século XIX, enciclopédias francesas e italianas colocavam-na entre as principais poetisas portuguesas, mas criticavam o abuso de reminiscências mitológicas e de gongorismos. A sua poesia tem sido situada na transição entre o neoclassicismo e o romantismo. Thereza Leitão de Barros incluiu-a, com Filinto Elísio, entre os precursores do romantismo português, considerando limitada a sua influência literária direta, mas assinalando que divulgou os poetas alemães, como Klopstock, Wieland e Voss, junto dos jovens poetas do seu tempo. Álvaro Manuel Machado assinala o seu interesse pela poesia inglesa: em Chelas, leu as Night Thoughts de Young antes da primeira tradução portuguesa (1782) e traduziu Gray, Ossian, Dryden e As Estações de Thomson.
A sua correspondência conserva-se no arquivo da Casa de Fronteira e Alorna, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e está em grande parte inédita. Parte dos seus livros integra a biblioteca do Palácio dos Marqueses de Fronteira. Entre os seus papéis encontra-se um soneto que lhe dedicou, antes de 1779, a poetisa Leonor da Fonseca Pimentel.
A Quinta da Alorna, junto a Almeirim, comprada pelo avô em 1723 e onde Leonor residiu, foi vendida pelos descendentes depois da sua morte e pertence desde 1918 à família Lopo de Carvalho; uma das gamas de vinhos da quinta tem o nome de Marquesa de Alorna.
A sua vida é tema do romance histórico Marquesa de Alorna. Do cativeiro de Chelas à corte de Viena (Oficina do Livro, 2011), de Maria João Lopo de Carvalho, e da série televisiva Leonor, Marquesa de Alorna, baseada nesse livro e produzida pela Ukbar Filmes para a RTP, com Sara Matos no papel principal; a estreia na RTP está prevista para novembro de 2026, seguindo-se a exibição na Netflix.