Mesosauria

Como ler uma infocaixa de taxonomiaMesossauros
Ocorrência: Permiano
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Sauropsida
Subclasse: Anapsida
Ordem: Mesosauria
Família: Mesosauridae
Baur, 1889
Gêneros

O nome da ordem Mesosauria vem do grego mesos "meio", "intermediário" e sauros "lagarto" ou "réptil", significando literalmente "réptil intermediário". Este nome foi dado no século XIX pelos primeiros pesquisadores acreditarem que o animal possuía características "intermediárias" entre grupos de répteis conhecidos na época, especialmente entre formas terrestres primitivas e animais aquáticos adaptados à natação. Foram um grupo de répteis aquáticos basais que viveram durante o Permiano Inferior e são conhecidos por sua importância nas evidências da deriva continental.

Descoberta e Nomeação

A ordem Mesosauria ocorreu durante o século XIX, em um período em que a paleontologia ainda estava se desenvolvendo como ciência. Naquela época os fósseis eram estudados com mais atenção, especialmente no hemisfério sul. Os primeiros restos fósseis de mesossauros foram encontrados na África do Sul, em depósitos da Formação Whitehill, parte do Sistema Karoo. Esses fósseis chamaram atenção porque pertenciam a um animal incomum: um réptil antigo que apresentava adaptações claras para a vida aquática. Em 1865, o paleontólogo francês Paul Gervais realizou a descrição formal do gênero Mesosaurus. Ao analisar os fósseis, Gervais percebeu que o animal possuía uma combinação de características considerada muito diferente dos outros répteis conhecidos na época. O corpo era alongado, a cauda parecia adaptada para natação, os dentes eram finos e numerosos, e os membros ainda mantinham estruturas relativamente desenvolvidas. Por causa dessa mistura de características terrestres e aquáticas, Gervais criou o nome “Mesosaurus”, derivado do grego mesos "meio", "intermediário" e sauros "lagarto" ou "réptil", significando literalmente "réptil intermediário". O nome refletia a ideia de que o animal representava uma forma intermediária entre répteis terrestres primitivos e formas mais adaptadas à vida aquática .

Morfologia

O Mesosaurus era um réptil de pequeno a médio porte, podendo alcançar cerca de 1 metro de comprimento. Possuía corpo delgado e coluna vertebral relativamente alongada, especialmente na região caudal. Seu crânio era alongado, com narinas posicionadas próximas às órbitas, além de numerosos dentes finos, que variavam em comprimento dependendo do gênero. Seus membros eram palmados, provavelmente dotados de membranas interdigitais, e seus ossos apresentavam características de paquiostose e osteosclerose, tornando-se mais espessos e densos.

Essas características evidenciam adaptações ao ambiente aquático. A cauda longa e os membros palmados auxiliavam na natação, enquanto o crânio alongado contribuía para a hidrodinâmica. As narinas próximas às órbitas possivelmente facilitavam a respiração com mínima exposição do corpo fora d’água, de maneira semelhante ao observado em crocodilianos modernos. A elevada densidade óssea também teria auxiliado no controle da flutuabilidade, característica igualmente presente em animais aquáticos atuais, como os peixes-boi .

Alimentação

A abundância de fósseis de crustáceos encontrados em associação direta com esqueletos de messossauros indica que esses animais eram sua principal fonte de alimento. Essa hipótese é reforçada pela morfologia dentária: os dentes finos e delicados desses répteis eram inadequados para a captura de presas maiores.

Por outro lado, a presença de ossos em conteúdos gástricos e coprólitos atribuídos a messossauros sugere a ocorrência de canibalismo ou necrofagia entre esses animais.

Filogenia

Atualmentede, Mesossauria pertence a subclasse Parareptilia com grupo irmão eureptilia, que forma Sauropsida. Entretanto, devido a extensos estudos em seus crânios realizados por Modesto (1994) há se a discussão sobre sua mudança para Anapsida . Sua ordem possuí atualmente três espécies conhecidas: Brazilosaurus sanpauloensis, Stereosternum tumidum e Mesosaurus tenuidens . Havia uma quarta espécie descrita: Mesosaurus brasiliensis, descrita em 1908 por MacGregor. Porém estudos posteriores a consideraram sinônimo de Mesosaurus tenuidens .

Locomoção

Os integrantes da ordem apresentavam adaptações anatômicas relacionadas à vida aquática, indicando que eram animais especializados em natação. O corpo era alongado e hidrodinâmico, enquanto a cauda comprida e achatada lateralmente provavelmente funcionava como principal estrutura de propulsão dentro da água. Estudos biomecânicos sugerem que nadavam principalmente através de movimentos ondulatórios laterais da cauda e da região posterior do corpo, de maneira semelhante à observada em crocodilos e alguns vertebrados aquáticos modernos. Membros anteriores e posteriores eram relativamente desenvolvidos, especialmente os posteriores, que possivelmente auxiliavam na estabilização, direção e manobras durante a natação, embora não fossem a principal fonte de propulsão .

Distribuição e habitat

Mesosaurus foi importante por fornecer evidências para a teoria da deriva continental, porque seus restos foram encontrados no sul da África, na Formação Whitehill , e no leste da América do Sul (Formação Mangrullo , Uruguai e Formação Irati, Brasil), duas regiões amplamente separadas . Mesosaurus viveu no litoral do mar Irati-Whitehill, um mar epicontinental que existiu na parte sul da Pangeia Gondwana, cobrindo partes do sul e leste da América do Sul e do sul da África durante o Permiano Inferior por um período de até 4 milhões de anos durante o final do Kunguriano do Permiano Inferior, há cerca de 275 milhões de anos, antes de secar, resultando na extinção dos mesossauros .Sugere-se que pelo menos alguns mesossauros, como os da Formação Mangrullo, viveram em lagoas salinas com águas de fundo anóxicas que tinham uma fauna relativamente depauperada dominada por mesossauros e crustáceos pigocefalomorfos, com animais aquáticos comuns como peixes e anfíbios temnospondilos ausentes das lagoas .

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