Myriam Muniz

Myriam Muniz
A atriz Myriam Muniz em 2004.
Nome completoMyriam Muniz de Mello
Nascimento
Morte
18 de dezembro de 2004 (73 anos)

Nacionalidadebrasileira
Ocupaçãoatriz
produtora
diretora
professora
Período de atividade1961–2004
Websitemyriamuniz.com.br

Myriam Muniz de Mello (São Paulo, 28 de outubro de 1931 — São Paulo, 18 de dezembro de 2004) foi uma atriz brasileira. Durante sua carreira, ela ganhou vários prêmios, incluindo um Prêmio Guarani, um Kikito e um Troféu Imprensa, além de ter recebido indicações para dois prêmios Grande Otelo.

De forte carreira no teatro, Myriam tornou conhecida por sua atuação em grupos teatrais em São Paulo, onde fundou o Teatro Escola Macunaíma, sendo professora de interpretação também. Ela ganhou maior destaque atuando como Santa na novela Nino, o Italianinho (1969-1970), pelo qual ela recebeu muitos elogios e venceu o Troféu Imprensa de revelação feminina. Myriam também atuou no cinema, sendo uma participação especial em Macunaíma (1969) seu primeiro trabalho.

Por sua performance no filme O Jogo da Vida (1977), ela foi eleita melhor atriz coadjuvante pelo Festival de Cinema de Gramado. Voltou à televisão na minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998) e destacou-se no filme Alô?! (1998), onde interpretou a divertida empregada doméstica Maria, papel esse que lhe rendeu alguns prêmios de melhor atriz em festivais de cinema brasileiro. Protagonizou o filme Amélia (2000), pelo qual recebeu sua primeira indicação da Academia Brasileira de Cinema ao Grande Otelo de Melhor Atriz. No papel da exploradora Eulália no filme Nina (2004), ela recebeu aclamação da crítica e foi novamente indicada ao Grande Otelo de Melhor Atriz e recebeu o Prêmio Guarani de Melhor Atriz Coadjuvante.

Biografia

Descendente de portugueses e italianos, Myriam nasceu no bairro do Cambuci, em São Paulo. Seu pai, Agostinho Muniz de Mello, filho de José e de Albina Muniz de Mello, era natural de Ponta Delgada, nos Açores, onde nasceu em 1904. Sua mãe, Rosaria Ferri, era paulistana, nascida em 1911, filha de imigrantes italianos, Gaetano Fierro e Maria Teresa Menchise, ele de Spinazzola, província de Bari, na Puglia (Apúlia, em português), e ela de Genzano di Lucania, província de Potenza, na Basilicata.

Durante sua carreira, seu nome foi grafado de formas diferentes, dependendo da ocasião e do espetáculo: Myrian ou Mirian Muniz, Myriam ou Miriam Muniz. Na Escola de Arte Dramática, no final dos anos 50, havia adotado o nome de Miriam Melo. Ao estrear no teatro profissional em 1961, adotou o nome artístico de Myrian Muniz. Antes de dedicar-se ao teatro estudou e praticou enfermagem no Hospital Samaritano, em São Paulo. Também estudou balé clássico, com Halina Biernacka, integrando o Corpo de Baile do Teatro Municipal de São Paulo.

Seu irmão, José Muniz de Mello, foi proprietário de um restaurante em São Paulo, fundado pelos pais de ambos em 1961, onde se encontra farto material fotográfico e jornalístico sobre a carreira de Myriam Muniz, com fotos sobre sua trajetória artística. No segundo andar do restaurante foi inaugurado em outubro de 2006 um espaço cultural para leituras dramáticas e pequenas apresentações de teatro e música.

Vida pessoal

Casou-se em primeiras núpcias com o ator e diretor Sylvio Zilber. Dele se separou no final dos anos 70, depois de quase vinte anos de relacionamento. Casou-se pela segunda vez com Carlos Henrique D'Andretta (Cacá D'Andretta). Depois de vinte anos de vida em comum, dele se separou no final da década de 1990. É mãe de dois filhos: Marcelo de Mello Zilber, casado com Teresa Fogaça de Almeida, e Rodrigo de Mello Zilber, este falecido em 1986, aos dezoito anos.

Faleceu em 18 de dezembro de 2004 aos 73 anos vítima de um AVC, seu corpo foi cremado no Cemitério da Vila Alpina em São Paulo.

Carreira

Decidindo-se a ser atriz, Myriam ingressou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD) em 1958, onde permaneceu por quatro anos e formou-se em 1961, quando a escola estava ainda sob direção de seu fundador, Dr. Alfredo Mesquita - que foi seu professor, ao lado de nomes como Décio de Almeida Prado, Paulo Mendonça, Sábato Magaldi, Maria José de Carvalho, Haydée Bittencourt, Leila Coury, Chinita Ullmann e Mylène Pacheco. Frequentando a EAD, ela encenou textos de grandes autores do teatro mundial, como Ubu Rei, de Alfred Jarry, A Tempestade, de William Shakespeare, Os Persas, de Ésquilo, As Preciosas Ridículas, de Molière, O Defunto, de René de Obaldia ( pelo qual ganhou o Prêmio Chinita Ullmann, juntamente com a atriz Aracy Balabanian), Bodas de Sangue, de Lorca, e textos de Pirandello, John Millington Synge e Maria Clara Machado. Lorca permaneceu como uma de suas grandes paixões na dramaturgia teatral.

Ao longo de sua carreira atuou no teatro como atriz e diretora, no cinema e na televisão como atriz, e foi professora de interpretação. Teve sua trajetória artística documentada em livro, organizado pela historiadora e pesquisadora Maria Thereza Vargas, livro esse para o qual Myriam fez importante depoimento. Estreou no teatro profissional em 1961 em uma montagem de José, do Parto à Sepultura, de Augusto Boal, onde foi dirigida por Antonio Abujamra. Desde então, consolidou-se como um dos maiores nomes do teatro paulista.

Homenagens

Em 20 de outubro de 2004, ela prestou depoimento no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo, parte integrante do ciclo de depoimentos sobre os 50 anos desse teatro. Coordenação da Cia.Livre, de Cibele Forjaz. O depoimento foi tomado pela atriz Isabel Teixeira. Encontra-se gravado em CD-ROM, na capa do qual Myriam aparece fotografada, homenagem da Cia Livre a ela. Faleceu dois meses depois, em 18 de Dezembro de 2004.

No primeiro aniversário de seu falecimento, foi lançado um DVD em sua homenagem pelas amigas Carmo Sodré, Muriel Matalon, Vânia Toledo, Angela Dória e Sandra Mantovani (responsável pela entrevista com Myriam que se vê no DVD, feita em 1999 no apartamento onde ela então morava, na Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, São Paulo).

Em 2006, a Funarte/ Ministério da Cultura instituiu para todo o Brasil o "Prêmio de Teatro Myriam Muniz", estímulo e fomento à produção e à pesquisa de artes cênicas. Em 2006, ainda, o SESC publicou o livro "Arena, Oficina, Anchieta e Outros Palcos", com prefácio de Lauro César Muniz, sendo um dos depoimentos o de Myriam, sobre sua trajetória artística.

Seu livro biográfico, "Giramundo: O Percurso de Uma Atriz - Myriam Muniz", organizado por Maria Thereza Vargas, ganhou o Prêmio Shell de Teatro, categoria especial, em 1998. Existe a Sala Myriam Muniz - uma das salas do Teatro Ruth Escobar, em São Paulo.

Filmografia

Televisão

Ano Título Personagem Notas
1960 Florence Nightingale — Especial da TV
1962 Gente como a Gente
1969–70 Nino, o Italianinho Dona Santa
1969 A Sopa
1970 A Casa de Bernarda Alba Ieda
1971 A Fábrica Maria Albina
1972 Eu e a Moto — como diretora
1983 Caso Verdade Apresentadora Episódio: "Desejo e Reparação"
1996–97 Brava Gente Esperança Messinari
1998 Dona Flor e Seus Dois Maridos Dona Miloca
2001 Os Maias Patrocínio das Neves (Titi)
2004 Metamorphoses Aspásia

Cinema

Ano Título Personagem Notas
1969 Macunaíma Ciuçi/Caipora Mãe
1970 Cléo e Daniel Gaby
1971 Pequena Ilha da Sicília
1977 Mar de Rosas Dona Niobi
O Jogo da Vida Tonica
1982 O Homem do Pau Brasil Juíza
Das Tripas Coração Muniza
1997 Alô? Maria
2000 Amélia Francisca
2002 Morte Amiga no velório Curta-metragem
2004 Nina Dona Eulália

Teatro

Como atriz

Como diretora

Como professora de interpretação

Prêmios e indicações

Ano Associações Categoria Nomeações Resultado
1963 Prêmio Saci Melhor Atriz Coadjuvante em Peça Teatral
Tia Mame
Venceu
1965
Tartufo
Indicado
1966 Prêmio Governador do Estado Melhor Atriz de Teatro
O Noviço
Venceu
1970 Troféu Imprensa Melhor Revelação Feminina
Nino, o Italianinho
Venceu
1978 Festival de Cinema de Gramado Melhor Atriz Coadjuvante
O Jogo da Vida
Venceu
1993 Prêmio Shell Melhor Atriz
Porca Miséria
Indicada
1998 Festival de Cinema de São Vicente Melhor Atriz
Alô?!
Venceu
2001 Grande Prêmio do Cinema Brasileiro Melhor Atriz
Amélia
Indicada
2004 Festival de Cinema de Porto Alegre Melhor Atriz
Nina
Venceu
2005 Grande Prêmio do Cinema Brasileiro Melhor Atriz Indicada
Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro Melhor Atriz Coadjuvante Venceu

Referências

  1. ↑ «Morre a atriz Myriam Muniz aos 73 anos». Folha de S. Paulo. Consultado em 20 de dezembro de 2004
  2. ↑ «Os Maias». Memória Globo. Consultado em 16 de março de 2018
  3. ↑ Cinemateca Brasileira, Das Tripas Coração [em linha]
  4. ↑ Cinemateca Brasileira, Alô?! [em linha]
  5. ↑ «Morte.». Porta Curtas. Consultado em 22 de maio de 2018
  6. ↑ «Nina». Cinemateca Brasileira. Consultado em 7 de dezembro de 2017
  7. ↑ «"FALSO BRILHANTE", DE ELIS REGINA, CHEGA À 100ª APRESENTAÇÃO». Efemérides de Éfemello. Consultado em 9 de março de 2019
  8. ↑ «Myriam Muniz: uma pedagoga do teatro». UNESP. Consultado em 24 de fevereiro de 2019
  9. ↑ «A festa do Saci». memoria.bn.gov.br. Consultado em 27 de novembro de 2024

Ligações externas

"Giramundo - o Percurso de Uma Atriz", organizado por Maria Thereza Vargas e com textos escritos por Gianni Ratto, Carlos Alberto Soffredini, Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha, Juca de Oliveira, Paulo Betti, Eliane Giardini, Cristina Pereira, Fauzi Arap, além de extenso depoimento da própria Myriam Muniz.