Mount Eerie

Mount Eerie
Álbum de estúdio de
Lançamento21 de janeiro de 2003 (2003-01-21)
Gravação21 de novembro de 2001 – 10 de junho de 2002
EstúdioDub Narcotic (Olympia)
Gêneros
Duração40:51
IdiomaInglês
Gravadoras
  • K
  • PW Elverum & Sun, Ltd.
  • 7e.p. (Japão)
ProduçãoPhil Elverum
Cronologia de The Microphones

Mount Eerie é o quarto álbum de estúdio da banda americana de indie folk e indie rock The Microphones, lançado pela K Records em 21 de janeiro de 2003. O álbum recebeu o nome da montanha Mount Erie, perto de Anacortes, Washington, cidade natal de Phil Elverum, vocalista da banda. O álbum recebeu críticas geralmente positivas, incluindo prêmios como o título de "Melhor Música Nova" da Pitchfork e a inclusão nalista de álbuns "essenciais" de psych folk da Treblezine.

Mount Eerie foi descrito por Elverum como sendo sobre montanhas, terra e espaço. O álbum é conceitual, consistindo em uma narrativa linear que se estende por suas cinco faixas. Elverum estabelece uma metáfora para a vida, na qual retrata o útero, o nascimento e a morte, na penúltima faixa. Suas letras descrevem uma série de personagens, enquanto a música inclui bateria cinematográfica, coros e drones. Sonoramente, o álbum é uma continuação de The Glow Pt. 2 (2001), o álbum de estúdio anterior do The Microphones.

Após o lançamento de Mount Eerie, Elverum adotou o nome artístico Mount Eerie, já que os temas de sua música haviam mudado. O álbum foi lançado juntamente com dois EPs, The Singing from Mount Eerie e The Drums from Mount Eerie, apresentando faixas isoladas do álbum. Após o lançamento, Elverum sentiu que o final da narrativa de Mount Eerie era inconclusivo, o que o levou a lançar a sequência Mount Eerie pts. 6 & 7 em 2007.

Antecedentes e gravação

Na imagem, uma seção do mapa que Elverum usou para planejar "I. The Sun".

Mount Eerie recebeu o nome da montanha Mount Erie perto de Anacortes, Washington. Elverum explicou: "de onde eu cresci, o lado sul, [a montanha] tem uma face rochosa bastante dramática, e então ela sempre estava lá, especialmente de onde eu pegava o ônibus escolar".

Mount Eerie foi gravado entre 21 de novembro de 2001 e 10 de junho de 2002 no Dub Narcotic Studio em Olympia, Washington. Duas seções do álbum, intituladas "Big Black Death" e "Wind / Vultures", são atribuídas exclusivamente a Kyle Field e Karl Blau, respectivamente. "Wind / Vultures" foi gravada no Quatro-Syncho em Trafton Lake, Washington. Elverum descreve Mount Eerie como "uma continuação do som que conclui The Glow Pt. 2", o álbum de estúdio anterior do The Microphones. "I. The Sun" foi sonoramente ligada à faixa de encerramento de The Glow Pt. 2, "My Warm Blood", usando o som de sirene de nevoeiro que conclui a faixa.

Elverum usou vocalistas diferentes para representar personagens diferentes porque queria que o álbum fosse mais ambíguo e teatral. Ele queria que esses personagens "parecessem e se sentissem diferentes". Elverum concebeu os primeiros versos de "I. The Sun" durante uma turnê americana de seis semanas entre novembro e outubro de 2001. Enquanto estava na Flórida, a presença do sol e a atmosfera "ameaçadora" do estado o levaram a escrever o refrão da música. "I. The Sun" foi fortemente inspirada pela trilha sonora do filme brasileiro Orfeu Negro (1959).

"I. The Sun" foi inspirado na trilha sonora de Orfeu Negro, composta por Antônio Carlos Jobim (à esquerda) e Luiz Bonfá (à direita).

A melodia vocal de "II. Solar System" foi retirada de "Fall Flood" da banda Little Wings. Elverum usou a melodia porque ela estava presa em sua cabeça e observou: "nossa amizade naquela época era de muita troca e influência mútua, com ideias e anotações um do outro." Sobre "III: Universe", Elverum comenta: "a maneira como gravei a bateria foi tipo, 'vamos ver como o microfone fica se gravarmos aqui.'" Calvin Johnson foi escolhido como a voz do Universo devido à sua voz profunda, provocadora e estrondosa, com Elverum afirmando: "só poderia ser ele, eu acho."

Para o coro de "IV: Mount Eerie", Elverum colocou cartazes em Olympia, procurando cantores. Ele gravou oito cantores. Na seção intitulada "Big Black Death", referida por Elverum como "rap do Kyle", Kyle Field escreveu e cantou a letra para a personificação da morte. Um verso da seção, "Do you see what happens?", é uma referência ao filme de 1998, O Grande Lebowski. Elverum tentou anotar todas as suas ideias para o álbum antes de gravá-lo. Ele criou um diagrama de elementos que delineava o que mais tarde se tornaria "I. The Sun" e o início de "II. Solar System". Outro diagrama foi usado para mapear os ritmos complexos de bateria em partes de "I. The Sun". Mais dois diagramas foram usados ​​para planejar as harmonias e gravações de faixas para "III. Universe", e outro com letras preliminares de "V. Universe". Algumas letras do álbum foram inspiradas ou retiradas diretamente de trechos dos diários de Elverum, que datam do final de 2001.

Composição

Na imagem, o Mount Erie, que dá nome ao álbum e serve de cenário para sua narrativa.

Mount Eerie é um álbum conceitual, que retrata uma narrativa linear com personagens distintos. Foi descrito como psych folk, rock experimental e música experimental. As letras focam-se fortemente na natureza e no universo e, em última análise, na morte. Mount Eerie representa o rock numa trilogia de álbuns baseados na natureza, com It Was Hot, We Stayed In The Water (2000) representando a água e The Glow Pt. 2 (2001) representando o fogo. No álbum, Elverum ​​narra uma escalada fictícia ao Mount Erie, Washington (estilizado como Mount Eerie no álbum), passando por obstáculos ao longo do caminho. Adam Dlugacz, da PopMatters, interpretou que Elverum usa a escalada do Monte Eerie como metáfora para a vida, após ter visto continuamente a montanha enquanto crescia em Anacortes.

O álbum começa com "I. The Sun", uma faixa de 17 minutos. Eric Carr, da Pitchfork, descreveu a bateria como um "pulso semelhante ao de um coração"; ela cresce gradualmente e se torna mais complexa. A bateria percorre os canais estéreo, o que Carr descreve como "evocando o nascer e o pôr do sol de nossa estrela ou a revolução da Terra". De acordo com Elverum, os primeiros cinco minutos da faixa representam o tempo no útero, e a seção até 10:42 abrange os primeiros 24 anos de vida. Bem no meio da música, os vocais entram, soando desolados e vulneráveis. Assim que os vocais entram e Phil ​​nasce, ele é perseguido à força montanha acima, por uma personificação da Morte montada em um navio negro. Quando a música termina, ela é consumida por uma parede de distorção, que Carr descreve como "um zumbido ensurdecedor e um estrondo de pratos".

Em "II. Solar System", Phil continua sua ascensão. A parede de ruído da faixa anterior é reduzida a um dedilhado acústico, descrito por Carr como "delicado". A letra foi interpretada como uma autorreflexão na natureza, ou como isolamento e preocupação.

Gostei também da ideia de este álbum não ser um álbum comum, onde é apenas a voz de um compositor ou de uma banda ou algo do género. Queria que fosse ambíguo o que se passa aqui. Tipo, “O que é isto, uma compilação? Quem é que está a cantar agora? E porque é que soa totalmente diferente?” Queria que fosse confuso desta forma. E também de uma forma teatral. Queria que as personagens se sentissem e parecessem diferentes.

— Phil Elverum, em entrevista ao Life of the Record

Em "III. Universe", diferentes vozes são usadas de forma proeminente para representar diferentes personagens. De acordo com as notas do encarte escritas por Elverum, Headwaters, quando Phil começa uma frase com "see me" (veja-me), ele está falando com o sol. Esse esquema lírico é usado nos primeiros versos de "III. Universe" e em "I. The Sun" (I. O Sol). Ele explicou: "[O personagem 'Phil'] diz 'see me' (veja-me) fazer isso e aquilo porque o sol vê tudo, imparcialmente." A faixa termina com um coro enorme atuando como a voz do cosmos.

A faixa-título, "IV. Mt. Eerie", funciona como um clímax para o álbum. No início, Phil vê a Morte se aproximando, ou como agora é chamada por completo, a Grande Morte Negra. Logo, a Morte chega, com a voz de Kyle Field. Carr descreve a chegada da Morte como contendo uma "sede de sangue primal e percussiva". Logo, abutres aparecem. Eles dilaceram a carne de Phil e ele morre, sinalizando o fim da faixa.

"V. Universe" foi descrito como uma apreensão e reflexão após a morte. Phil obtém uma compreensão maior do universo e sente sua imensidão dentro dele. Como retratam as letras: "Mas Universo, eu vejo seu rosto / Parece exatamente com o meu / E estamos abertos e abertos". Um "coro fantasmagórico" – semelhante ao usado em "III. Universe" – está presente, juntamente com um "bumbo titânico". Com isso, a jornada de Phil termina.

Lançamento

Capa da versão em CD de Mount Eerie.

Após terminar as gravações de Mount Eerie, Elverum saiu de sua casa em Olympia, fez uma turnê e passou um inverno na Noruega, compondo material para Dawn (2008). Depois de voltar, lançou Mount Eerie e retornou para Anacortes, antes de decidir adotar o nome Mount Eerie. Elverum explicou a mudança de nome: "quando comecei a gravar música, na verdade cantava sobre microfones, equipamentos, gravação. Mas fazia um tempo que eu não fazia isso, e comecei a cantar sobre esses temas estranhos, sombrios e naturais."

Mount Eerie foi lançado no Japão com uma lista de faixas expandida em 12 de dezembro de 2002, pela 7.ep. Em 21 de janeiro de 2003, o álbum foi lançado nos Estados Unidos pela K Records. Junto com o álbum principal, dois EPs, intitulados The Singing from Mount Eerie e The Drums from Mount Eerie, foram lançados. Eles apresentam faixas vocais e de bateria isoladas, respectivamente; o site da P.W. Elverum & Sun observou que as faixas são "destinadas à amostragem, mas não realmente".

Após o lançamento, Elverum sentiu que o álbum estava inacabado, inconclusivo e ambíguo. Uma sexta faixa, "The Universe (Conclusion)", foi deixada de fora do álbum devido à indecisão, embora tenha sido incluída no lançamento japonês do álbum. Ele criou uma sequência em 2007, Mount Eerie pts. 6 & 7. Após receber permissão da K Records, Elverum decidiu relançar cinco discos do Microphones, incluindo Mount Eerie. Elverum explicou que eles estavam "fora de catálogo por muito tempo". O álbum foi relançado em 20 de agosto de 2013 pela gravadora de Elverum, P.W. Elverum & Sun.

Recepção crítica

Críticas profissionais
Pontuações agregadas
FonteAvaliação
Metacritic76/100
Avaliações da crítica
FonteAvaliação
AllMusic4 de 5 estrelas.
Alternative Press5/5
Pitchfork8.9/10
Stylus MagazineB
Tiny Mix Tapes5/5

Mount Eerie recebeu críticas geralmente positivas, obtendo uma pontuação de 76/100 no agregador de críticas Metacritic. Após seu lançamento, Eric Carr, da Pitchfork, concedeu ao álbum o título de "Melhor Música Nova" da publicação e o avaliou com 8,9/10. Lavina Lee, da Flak Magazine, chamou o álbum de "uma completa tragédia. Ou uma comédia." e o criticou por ser ambicioso demais, ter vocais "roucos" e um lançamento presunçoso. Heather Phares, da Allmusic, descreveu Mount Eerie como "profundamente belo e perturbador, bem como profundamente reflexivo". Em uma crítica para a PopMatters, Adam Dlugacz deu ao álbum uma avaliação positiva, observando especialmente que "é nos detalhes que a mais recente obra de Phil Elvrum se revela". Ed Howard, da Stylus Magazine, escreveu que Mount Eerie faz com que os ouvintes "viajem com ele [Elverum] para o próximo oceano inexplorado do território dos Microphones". Um escritor convidado da Tiny Mix Tapes, que deu ao álbum uma pontuação perfeita, sentiu que "Elvrum no disco é o mesmo Elvrum na realidade" e que "é bom saber que Elvrum é lúcido em ambos os lados".

Em 2019, o álbum foi incluído na lista de álbuns de psych folk "essenciais" da Treblezine. Em 2020, o Bandcamp chamou o álbum de "o álbum mais elementar, porém complexo, do Elverum" e destacou as transições perfeitas entre os gêneros.

Lista de faixas

Lista de faixas do álbum original
N.ºTítuloDuração
1."I. The Sun"17:11
2."II. Solar System"3:38
3."III. Universe"6:41
4."IV. Mt. Eerie"8:58
5."V. Universe"4:23
Duração total:40:51
Lançamento japonês de 2002
N.ºTítuloDuração
1."The Sun"17:11
2."Solar System"3:38
3."Universe"6:41
4."Mount Eerie"8:58
5."Universe 2"4:43
6."Universe Conclusion"3:40
7."Excerpt I"7:06
8."Excerpt II"5:19
9."Excerpt III"1:35
10."Excerpt IV"0:25
11."Excerpt V"0:43
12."Excerpt VI"0:34
13."Excerpt VII"2:32
14."Excerpt VII"3:46
15."Excerpt IX"5:40
Duração total:1:12:37

Créditos

Adaptado das notas do encarte do álbum.

Créditos principais

Coro

"Precipice Carolers"

Histórico de lançamentos

Datas de lançamento e formatos para Mount Eerie
Região Data Formato Gravadora Número de catálogo
Japão 12 de dezembro de 2002 CD 7.e.p. EPCD007
Estados Unidos 21 de janeiro de 2003 LP, CD K Records KLP140
Estados Unidos 20 de agosto de 2013 LP, Download digital P.W. Elverum & Sun ELV032

Notas

  1. 1 2 Para os fins desta seção, "Elverum" refere-se a Phil Elverum, o músico, enquanto "Phil" se refere ao personagem Phil do álbum, que tenta escalar o Monte Eerie.

Referências

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Ligações externas