Na Noite Escura

Nella notte buia
Na Noite Escura
Nella notte buia
Na noite escura [BR]
Capa da edição brasileira
Autor(es)Bruno Munari
IdiomaItaliano
PaísItália
IlustradorBruno Munari
EditoraMuggiani
Lançamento1956
Edição brasileira
TraduçãoNilson Moulin
EditoraCosac Naify
Lançamento2008

Na Noite Escura (em italiano, Nella notte buia) é um livro ilustrado do artista e designer italiano Bruno Munari, publicado originalmente em Milão, em 1956, pela editora Muggiani. A obra conduz o leitor por três cenários, uma cidade à noite, um campo e uma caverna, e depende menos do texto do que da variação de papéis, recortes e cores. É analisada em estudos sobre livros-objeto e sobre a materialidade no livro infantil. No Brasil, foi publicada em 2008 pela Cosac Naify.

Contexto

Bruno Munari (Milão, 1907 – 1998) atuou como ilustrador, designer gráfico e editor. A partir de 1949, produziu os Libri illeggibili (“livros ilegíveis”), livros sem palavras em que o corte, a cor e o formato das páginas formam figuras à medida que são viradas. Segundo a pesquisadora Marnie Campagnaro, Nella notte buia e I prelibri (1980) decorrem dessas experiências com materiais, impressão e diagramação.

Descrição

A narrativa se divide em três partes, que Campagnaro descreve como “capítulos visuais”, cada uma com um tipo de papel.

A noite na cidade

A primeira parte usa papel preto, que representa a noite, e ilustrações em azul intenso. Um gato azul percorre a cidade, e uma pequena luz amarela aparece através de um furo na página.

O campo

A segunda parte usa papel semitransparente, do tipo empregado em ateliês de arquitetura na época. Ele revela e esconde pequenos animais entre as folhas de grama, como vaga-lumes, grilos, joaninhas, besouros, aranhas e centopeias. Nessa parte descobre-se que a luz amarela era um vaga-lume.

A caverna

A terceira parte usa papel pardo reciclado, semelhante ao de embrulho, de aspecto irregular. Um grande furo, cuja forma muda de página em página, leva a uma gruta com desenhos que lembram pinturas rupestres, rios subterrâneos e fósseis. O livro termina com uma página preta salpicada de pequenas luzes amarelas.

O texto verbal é escasso. Maya P. Lim observa que não há enredo, diálogo nem desenvolvimento de personagens, que o texto não aparece em todas as páginas e que tem corpo menor que o habitual em livros ilustrados e posição pouco convencional.

Análise e Recepção

Campagnaro afirma que Munari usa a materialidade do papel como algo que comunica por si, e não apenas como suporte para texto e imagem. Para ela, o livro abriu caminho para experimentos editoriais posteriores e influenciou ilustradores como Katsumi Komagata e Suzy Lee.

Na resenha publicada em 2009 pelo Le Monde Diplomatique Brasil, Marco Catalão defende que, nesse livro, as imagens são a própria narrativa e não a ilustram. Ele propõe classificar a obra como “livro-experiência” e não apenas como livro-objeto.

Lim, no Design Observer, relaciona a tipografia e os materiais à construção do espaço e do tempo na obra. Allison Meier, no Hyperallergic, escreve que o livro poderia atender tanto a crianças quanto a adultos.

No contexto brasileiro, Camila Feltre inclui Na noite escura entre as traduções publicadas pela Cosac Naify que ajudaram a perceber o projeto gráfico como parte da narrativa no livro para a infância.

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Campagnaro, Marnie (4 de dezembro de 2019). «Materiality in Bruno Munari's book objects: the case of Nella notte buia and I Prelibri». Libri et liberi. 8 (2): 359–379. doi:10.21066/carcl.libri.8.2.7
  2. 1 2 3 Support, C. M. M. (12 de outubro de 2017). «Bruno Munari: In the Darkness of the Night». DesignObserver (em inglês). Consultado em 6 de novembro de 2026
  3. ↑ Estúdio, Prima (24 de janeiro de 2009). «Entre o livro-objeto e o livro-experiência». Le Monde Diplomatique. Consultado em 6 de novembro de 2026
  4. ↑ «A New Dawn for an Italian Modernist's Book About the Night». Hyperallergic (em inglês). 25 de outubro de 2017. Consultado em 6 de novembro de 2026
  5. ↑ Feltre, Camila (2020). «Materialidade do livro como convite à criação.». interFACES. 2 (30): p. 85–102