Célula exterminadora natural | |
|---|---|
| Subclasse de | linfócito, agranulócito |
| Cell Ontology | CL_0000623 |
| MeSH | D007694 |
| Foundational Model of Anatomy | 63147 |

As células exterminadoras naturais ou células NK (do inglês Natural Killer Cell) são um tipo de linfócitos citotóxicos necessários para o funcionamento do sistema imunitário inato. Têm um papel importante no combate a infecções virais e células tumorais. Identificadas pela primeira vez em 1975, foram rotuladas de Exterminadoras Naturais (Natural Killer), pela sua actividade citotóxica contra células tumorais de diferentes linhagens, sem a necessidade de reconhecimento prévio de um antigénio específico, contrariamente ao funcionamento dos linfócitos T.
O termo natural killer deriva do fato de que sua principal função é a morte das células infectadas, similar às células killer do sistema imune adaptativo, os linfócitos T citotóxicos (CTLs), e elas estão prontas para o fazer uma vez que tenham se desenvolvido, sem nova diferenciação (por isso, natural).
Partilham um progenitor comum com os outros linfócitos, também sendo originados de linfoblastos. São produzidos na medula óssea e em análises histológicas são descritos como grandes e granulares.
Os receptores de células NK podem também ser diferenciados com base na sua função. As células NK não são um subtipo da família dos linfócitos T. Os receptores de citotoxicidade natural (Natural cytotoxicity receptors) induzem directamente a apoptose após se ligarem ao ligando Fas que indica a infecção celular.
A activação de células NK é determinada através do balanço entre a estimulação de receptores inibitórios e de receptores excitatórios. Por exemplo, se a sinalização de um receptor inibitório for mais proeminente, então a actividade da célula NK vai ser inibida; similarmente, se o sinal excitatório for dominante, resulta então na activação da célula NK.
Elas são ativadas em resposta a diversos estímulos, nomeadamente por citocina produzidos por outros elementos do sistema imunitário, por estimulação dos receptores de Imunoglobulinas FcR, presentes na sua membrana celular, e pelos receptores de activação ou inibição, específicos das células NK.
Estas células são activadas em resposta a interferons ou a citocinas (principalmente IL-12) provenientes de macrófagos e células dendríticas. A sua principal função está relacionada com as infecções virais e o seu controle, através da eliminação das células infectadas, evitando assim a multiplicação dos vírus.
As células NK são componentes importantes na defesa imunitária não especifica. Estas células não destroem os microorganismos patogénicos directamente, tendo uma função mais relacionada com a destruição de células infectadas ou que possam ser cancerígenas. Não são células fagocíticas. Destroem as outras células através de mecanismos semelhantes aos usados pelas T CD8+ (T Citotóxicas), através da degranulação e libertação de enzimas que activam os mecanismos de apoptose da célula atacada. São quimicamente caracterizadas pela presença de CD56 e ausência de CD3.
As células NK são citotóxicas, ou seja, identificam as células que exibem um sinal de mal funcionamento e as destroem.
As NKC podem atuar como células reguladoras quando envolvidas em interações recíprocas com células dendríticas, macrófagos, linfócitos T e células endoteliais.
Novas pesquisas indicam que células NK também atuam secundariamente como defesa específica ao estimular a produção de células de memória.
Como a maioria das gestações envolve dois pais que não são compatíveis em termos de tecidos, o sucesso da gravidez requer a supressão [en] do sistema imunológico da mãe. Acredita-se que as células NK sejam um tipo celular importante nesse processo. Essas células são conhecidas como células NK uterinas [en] (células uNK) e diferem das células NK periféricas. Elas estão no subconjunto de células NK CD56bright, potentes na secreção de citocinas, mas com baixa capacidade citotóxica e relativamente semelhantes às células NK CD56bright periféricas, com um perfil de recetores ligeiramente diferente. Essas células uNK são os leucócitos mais abundantes presentes no útero no início da gravidez, representando cerca de 70% dos leucócitos presentes nesse local, mas a sua origem permanece controversa.
Essas células NK têm a capacidade de provocar citotoxicidade celular in vitro, mas em um nível inferior ao das células NK periféricas, apesar de conterem perforina. A falta de citotoxicidade in vivo pode ser devida à presença de ligantes para os seus recetores inibidores. As células trofoblásticas regulam negativamente o HLA-A [en] e o HLA-B [en] para se defenderem contra a morte mediada por células T citotóxicas. Isso normalmente ativaria as células NK por falta de reconhecimento próprio; no entanto, essas células sobrevivem. A retenção seletiva de HLA-E (que é um ligante para o receptor inibitório de células NK NKG2A [en]) e HLA-G (que é um ligante para o receptor inibitório de células NK KIR2DL4 [en]) pelo trofoblasto é considerada uma defesa contra a morte mediada por células NK.
As células NK uterinas não apresentaram diferenças significativas em mulheres com abortos recorrentes em comparação com os grupos de controlo. No entanto, percentagens mais elevadas de células NK periféricas ocorrem em mulheres com abortos recorrentes do que nos grupos de controlo.
As células NK secretam um nível elevado de citocinas que ajudam a mediar a sua função. As células NK interagem com o HLA-C [en] para produzir citocinas necessárias para a proliferação trofoblástica. Algumas citocinas importantes que elas secretam incluem TNF-α, IL-10, IFN-γ, GM-CSF e TGF-β, entre outras. Por exemplo, o IFN-γ dilata e afina as paredes das artérias espirais [en] maternas para aumentar o fluxo sanguíneo para o local de implantação.
Pesquisas com manipulação de células NK tem resultado indicam promissora capacidade de utilização dessas células para melhorar a eficiência de transplante de órgãos hematopoiéticos e sólidos, para promover a imunoterapia antitumoral e no controle de doenças inflamatórias e auto-imunes.