| Neoplasia | |
|---|---|
| Colectomia contendo uma neoplasma maligno, ou seja, um carcinoma colorretal invasivo (o tumor de forma irregular e cor mais vermelha) | |
| Especialidade | Anatomia Oncologia |
| Sintomas | Variam conforme o tipo da neoplasia e sua localização, mas alguns incluem:
Perda de peso Fadiga Dor Alterações na pele Sangramento Tosse Inchaço |
| Tipos | Neoplasia benigna Neoplasia potencialmente maligna Neoplasia maligna |
| Método de diagnóstico | Ocorre a partir de exames como:
Ultrassonografias Tomografias Ressonância magnética |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-11 | 2F7Z |
| CID-10 | C00-D48 |
| CID-9 | 140-239.99 |
| CID-CID-O | 8000/1, 800 |
| DiseasesDB | 28841 |
| MedlinePlus | 001310. |
| MeSH | D009369 |
Neoplasia , também chamada neoformação, neoplasma, neoplastia ou tumor, é uma proliferação celular local, sem que haja causa definida, podendo ocorrer de forma hereditária, dieta, estresse, obesidade, exposição desprotegida ao Sol, ou até exposição à toxinas do ambiente, como poluição, radiação ou até álcool. Havendo crescimento excessivo, ilimitado, progressivo e anormal que ocorre nos tecidos ou nos órgãos. Esta relação é irreversível e com tendência a perda de diferenciação celular. Estas afetam todos os organismos vivos, não se resumindo assim, somente ao reino animal.
As neoplasias podem ser classificadas como benignas, malignas ou potencialmente malignas (ou tumores de borderline). As benignas normalmente são pouco agressivos, isto é, não invadem os tecidos ou órgãos adjacentes. As potencialmente malignas apresentam características benignas em franco processo de malignização.
Porque a neoplasia inclui doenças muito diferentes, é difícil encontrar uma definição abrangente. A definição do oncologista britânico R.A. Willis é amplamente citada: "Um neoplasma é uma massa anormal de tecido, cujo crescimento excede e é descoordenado com o do tecido normal e persiste no mesmo modo excessivo depois da cessação do estímulo que provocou a alteração."
Uma neoplasma pode ser benigno, potencialmente maligno (pré-câncer), ou maligno (câncer).
Recentemente, o crescimento do tumor tem sido estudado usando matemática e mecânica do contínuo. Os tumores vasculares são, portanto, encarados como sendo amálgamas de um esqueleto sólido formado por células pegajosas e um líquido orgânico preenchendo os espaços em que essas células podem crescer. De acordo com este tipo de modelo, as cargas mecânicas podem ser tratadas e sua influência sobre o crescimento do tumor e o tecido envolvente e vasculatura elucidado. Descobertas recentes a partir de experiências que utilizam este modelo mostram que o crescimento ativo do tumor é restrito às arestas exteriores do tumor e que a rigidez do tecido normal subjacente inibe também o crescimento do tumor.
Há uma ligação entre as células tumorais e células normais, a célula tumoral é capaz de convencer as outras a produzir substâncias que lhe permitam invadir os tecidos vizinhos e migrar pelos tecidos do organismo.
| Termos com o sufixo -plasia |
|---|
| (Ana)plasia - desdiferenciação |
| (Hiper)plasia - proliferação fisiológica |
| (Neo)plasia - proliferação anormal |
| (Dis)plasia - maturação anormal |
| (Meta)plasia - conversão de tipo celular |
O conhecimento de neoplasias em populações passadas depende muito do estudo das manifestações ósseas presentes em esqueletos ou múmias, assim como dos registos médicos, iconografias e outras fontes documentais, porém, estes nem sempre estão disponíveis.
O estudo de neoplasias no passado passa, maioritariamente, pela análise macroscópica e radiológica das reações osteológicas. Porém, várias doenças que integram este grupo nosológico apresentam alterações ósseas com morfologia e distribuição muito semelhantes entre si. Pelo que o diagnóstico de neoplasias específicas através do esqueleto é bastante difícil. Atualmente, e cada vez mais, outras técnicas, como o estudo molecular e histológico, são usadas para diagnosticar, com maior confiança, o tipo de neoplasia. Porém, quando estas técnicas não estão disponíveis e as evidências ósseas são comuns a várias patologias, deve-se diferenciar apenas entre categorias mais amplas de doenças (neoplásicas, inflamatórias/imunitárias, vasculares, traumáticas, metabólicas, anomalias e inervações).
Neoplasias no registo paleopatológico
Na última década, vários casos de neoplasias foram registos em contextos arqueológicos, provenientes de várias regiões geográficas e períodos históricos. Estes são apenas alguns exemplos de neoplasias no registo paleopatologico português:
| Tipo de Neoplasia: | Local de Proveniência: | Período Histórico: | Autor: |
| Carcinoma Metástico | Necrópole de Constância, Santarém (Portugal) | Séculos XIV-XIX | Assis & Codinha, 2010 |
| Osteocondroma | Igreja de Nossa Senhora da Anunciada, Setúbal (Portugal) | Séculos XVI-XIX | Antunes-Ferreira et al, 2014 |
| Carcinoma Metástico | Coimbra (Portugal) | Séculos XV-XX | Wasterlain et al, 2011 |
Tipos de lesões ósseas:
A análise cuidadosa deste tipo de lesões, a sua localização nos ossos afetados (epífise, metáfise, diáfise, osso cortical ou medular), distribuição no esqueleto, assim como o estudo da idade e sexo do indivíduo, permitem, não só distinguir entre lesões neoplásicas e lesões não-neoplásicas, mas também reduzir significativamente o número de diagnósticos possíveis.
O tamanho e número de lesões é um importante fator para a distinção entre neoplasias malignas e benignas. Tumores benignos tendem a originar lesões únicas que, embora possam atingir grandes proporções, mais vulgarmente são de tamanho mais reduzido. As lesões malignas, pelo contrário, são caracterizadas por um grande crescimento/destruição local e/ou pela dispersão de várias lesões pelo esqueleto (metástases ósseas). Metástases ósseas, quer de origem lítica ou clástica, podem ocorrer em virtualmente todos os tumores malignos, mas são particularmente comuns em cancros de progressão lenta e mais frequentemente encontradas em ossos com maior fornecimento sanguíneo.
No que diz respeito às características morfológicas das lesões osteolíticas, tumores benignos tendem a formar lesões radiologicamente bem circunscritas/focais (geográficas), de margens redondas e bordos bem definidos. Lesões com origem em neoplasias malignas ou metástases, comummente, apresentam áreas de atividade osteolítica difusas e confluentes, margens irregulares (tipo “moth-eaten” ou permeativas) e sem bordo esclerótico. Na presença deste tipo de lesões também se deve considerar doenças de foro infecioso, uma vez que as características das lesões são muito semelhantes às descritas.
Para além da diferenciação entre tumores malignos e benignos, deve-se também ter em consideração que as lesões presentes no esqueleto podem ter outras etiologias. Cistos, anomalias de desenvolvimento como doença de Paget, doenças reumáticas como a artrite e entesopatias, doenças infeciosas como a osteomielite, treponematoses, lepra e tuberculose, e traumas cicatrizados, podem apresentar lesões muito semelhantes às provocadas por neoplasias, pelo que a observação cuidada da localização, distribuição e características das lesões presentes é pertinente para a integração ou exclusão destas condições no diagnóstico diferencial.