As referências deste artigo necessitam de formatação. (julho de 2020) |
Nociceptina | |
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| Estrutura química da nociceptina | |
A nociceptina / orfanina FQ (N/OFQ), um neuropeptídeo de 17 aminoácidos, é o ligante endógeno do receptor de nociceptina (NOP, ORL-1) e atua em inúmeras atividades cerebrais, como na sensação de dor e aprendizado do medo. É derivada da proteína prepronociceptina, assim como outros 2 peptídeos, nocistatina e NocII, que inibem a função do receptor N/OFQ. A nociceptina atua como um potente antianalgésico, efetivamente neutralizando os efeitos dos analgésicos. O gene que codifica a prepronociceptina está localizado no Ch8p21 em humanos e atua no receptor de nociceptina (receptor NOP), anteriormente conhecido como ORL1. A nociceptina é o primeiro exemplo de farmacologia reversa.
Desde a sua descoberta, a nociceptina tem sido de grande interesse para os pesquisadores. Este ligante é um peptídeo relacionado à classe de opioides, como a morfina e a codeína, porém não atua nos receptores opióides clássicos que normalmente agem como analgésicos. A nociceptina é amplamente distribuída no SNC; é encontrada no hipotálamo, tronco cerebral e prosencéfalo, bem como nos cornos ventral e dorsal da medula espinhal. O receptor NOP também é amplamente distribuído por áreas do cérebro, incluindo o córtex, núcleo olfativo anterior, núcleos septais, hipotálamo, hipocampo, amígdala cerebelosa, substância cinza periaquedutal, núcleo pontino, núcleo interpeduncular, substância negra, complexo de rafe, cerúleo e medula espinhal.
O sistema N/OFQ-NOP é encontrado no tecido nervoso central e periférico, onde está posicionado para modular a nocicepção e a sensação de dor do corpo. Ao contrário da morfina e de outros opioides usados para aliviar a dor, o papel da nociceptina na nocicepção não é este. Estudos mostraram que a administração de N/OFQ no cérebro causa hiperalgesia. Isso a torna única e distinta dos peptídeos opioides clássicos, que normalmente agem como analgésicos, pois a nociceptina pode inclusive neutralizar a analgesia, agindo como um antiopioide. Além disso, o bloqueio do receptor de nociceptina pode levar a um aumento do limiar da dor e à diminuição da tolerância aos opioides analgésicos. Estudos recentes propuseram que a função antianalgésica da nociceptina decorre da inibição da ação do cinza periaquedutal, que é responsável por controlar a modulação da dor no sistema nervoso central. Esse efeito pode levar ao seu uso como um método para reduzir a dose de morfina e, dessa maneira, reduzir o desenvolvimento de tolerância e dependência. Vale ressaltar porém que quando a nociceptina é administrada na medula espinhal, produz efeitos analgésicos semelhantes aos opioides clássicos.
Há inúmeros estudos em animais que sugerem que o sistema N/OFQ-NOP tem um importante papel na ansiedade e na depressão. Nesses estudos, a nociceptina apresentou-se como um ansiolítico, mas, em contrapartida, apresentou-se também como um perpetuador da depressão, pois impediu que o N/OFQ se ligasse ao NOP.
Em estudos, verificou-se que áreas do hipotálamo e da amígdala que se correlacionam com o processo de recompensa no abuso de drogas contêm receptores NOP. A nociceptina foi também associada à inibição da produção de dopamina relacionada ao processo de recompensa. Especificamente, a nociceptina age para inibir as recompensas neurais induzidas por drogas como anfetaminas, morfina, cocaína e especialmente o álcool em animais, embora o mecanismo exato de como isso ocorre ainda não tenha sido comprovado. Além disso, a nociceptina também possui capacidade terapêutica para atuar no tratamento de dependência de vários medicamentos, potencialmente fazendo parte da composição de compostos que diminuíram as tendências de abstinência.
Em estudos com animais, foi descoberto que a via do receptor N/OFQ-NOP desempenha tanto papéis positivos quanto negativos na aprendizagem e na memória. Os pontos negativos estão ligadas à alteração do aprendizado do medo em distúrbios cerebrais, como por exemplo no estresse pós-traumático (TEPT). A nociceptina também pode desempenhar um papel inibitório na função de memória, pois alguns estudos in vivo mostraram que ela prejudica o aprendizado, enquanto estudos in vitro, mostraram inibição da potenciação a longo prazo e da transmissão sináptica.
O sistema N/OFQ-NOP também tem sido implicado no controle do sistema cardiovascular, pois a administração de nociceptina levou ao aumento da pressão sanguínea e à bradicardia. Dessa maneira, entende-se que a nociceptina tem efeitos significativos nos parâmetros cardiovasculares, como pressão arterial e freqüência cardíaca. Porém, variam de acordo com as espécies, pois é, por exemplo, excitatório para roedores e inibitório para ovelhas.
No sistema urinário, a nociceptina desempenha um papel importante no balanço hídrico, no balanço eletrolítico e na regulação da pressão arterial. Dessa maneira, demonstrou que pode ser usada em um potencial tratamento diurético para aliviar doenças relacionadas à retenção de líquidos.
Pesquisas adicionais sugerem que a nociceptina pode estar envolvida no sistema imunológico e na sepse. Um estudo da Universidade de Leicester analisou pacientes gravemente doentes com sepse e descobriu que os níveis de N/OFQ no sangue eram significativamente mais altos em pacientes que morreram dentro de trinta dias em comparação com os sobreviventes.
Em ambos os intestinos e no estômago, verificou-se que a nociceptina tem efeitos variados na contratilidade desses órgãos, além de estimular o aumento do consumo de alimentos.
|display-authors=Okuda-Ashitaka E, Minami T, Tachibana S, Yoshihara Y, Nishiuchi Y, Kimura T, Ito S (ajuda)|display-authors=Mollereau C, Simons MJ, Soularue P, Liners F, Vassart G, Meunier JC, Parmentier M (ajuda)|display-authors=Meunier JC, Mollereau C, Toll L, Suaudeau C, Moisand C, Alvinerie P, Butour JL, Guillemot JC, Ferrara P, Monsarrat B (ajuda)|display-authors=Calo' G, Guerrini R, Rizzi A, Salvadori S, Regoli D (ajuda)|display-authors=Zaveri NT (ajuda)|display-authors=Katsuyama S, Mizoguchi H, Komatsu T, Sakurada C, Tsuzuki M, Sakurada S, Sakurada T (ajuda)|display-authors=Lambert DG (ajuda)|display-authors=Jenck F, Moreau JL, Martin JR, Kilpatrick GJ, Reinscheid RK, Monsma FJ, Nothacker HP, Civelli O (ajuda)|display-authors=Gavioli EC, Vaughan CW, Marzola G, Guerrini R, Mitchell VA, Zucchini S, De Lima TC, Rae GA, Salvadori S, Regoli D, Calo' G (ajuda)|display-authors=Andero R (ajuda)|hdl-access= requer |hdl= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Thomas R, Stover C, Lambert DG, Thompson JP (ajuda)|display-authors=Williams JP, Thompson JP, Young SP, Gold SJ, McDonald J, Rowbotham DJ, Lambert DG (ajuda)