Novabase

Novabase
Sede da empresa, no Parque das Nações
Razão socialNovabase — Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A.
Sociedade anónima
CotaçãoEuronext Lisboa: NBA AM
AtividadeTecnologias da informação
Fundação11 de Maio de 1989
Fundador(es)José Afonso Oom Ferreira de Sousa
Pedro Miguel Quinteiro Marques de Carvalho
SedeLisboa, Portugal
PresidenteLuís Paulo Salvado
Empregados1 270 (média no 1.º semestre de 2026)
SubsidiáriasCelfocus
Novabase Capital
Receita124,5 milhões de euros (2025)
Lucro5,5 milhões de euros (2025)
Websitewww.novabase.pt/,%20https://www.novabase.com/

A Novabase — Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A., geralmente designada Novabase, é um grupo empresarial português do sector das tecnologias da informação, com sede em Lisboa. Constituída em 1989 como uma empresa de desenvolvimento de sistemas informáticos, transformou-se em sociedade gestora de participações sociais em 1999 e está cotada na Euronext Lisboa desde Julho de 2000.

A empresa desenvolveu-se inicialmente a partir do fornecimento de software à medida, evoluindo durante a década de 1990 para a integração de sistemas e, após a entrada em bolsa, para um grupo diversificado nas áreas de consultoria, infra-estruturas, televisão digital e investimento tecnológico. A partir de 2019, iniciou uma nova reorientação estratégica, com a alienação de várias actividades tradicionais e a concentração progressiva dos recursos no segmento denominado Next-Gen, desenvolvido sobretudo através da Celfocus.

História

Fundação e formação do grupo

A Novabase foi constituída em 11 de Maio de 1989, sob a denominação Novabase — Sistemas de Informação e Base de Dados, Lda.. Os fundadores foram os engenheiros José Afonso Oom Ferreira de Sousa e Pedro Miguel Quinteiro Marques de Carvalho, que haviam trabalhado no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC). O estudo de Ricardo Paes Mamede sobre a evolução da empresa caracteriza-a como uma spin-off de membros daquela instituição de transferência tecnológica.

Nos primeiros anos, a actividade incidiu principalmente no desenvolvimento de sistemas de informação à medida, tendo entre os primeiros clientes várias instituições da Administração Pública. À medida que crescia a utilização de sistemas de informação nas empresas portuguesas, a Novabase passou a posicionar-se também como integradora de sistemas, alargando a actividade aos sectores financeiro, das telecomunicações e dos serviços de utilidade pública.

Em 1994, a empresa certificou o seu processo produtivo segundo a norma NP EN ISO 9001. Fontes institucionais posteriores identificam-na como a primeira empresa do mercado português de desenvolvimento de software a obter aquela certificação do Instituto Português da Qualidade.

Durante a segunda metade da década, a organização passou de uma estrutura essencialmente hierárquica para uma rede de unidades e empresas especializadas. Entre 1997 e 1999 foram criadas ou integradas sociedades orientadas para diferentes segmentos tecnológicos, mantendo a Novabase a participação maioritária e envolvendo gestores dessas unidades no respectivo capital.

A 23 de Dezembro de 1999, a sociedade alterou a sua denominação para Novabase — Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A. e o seu objecto social, tornando-se a holding do grupo. A reorganização antecedeu a dispersão de capital em bolsa no ano seguinte.

Rogério Carapuça, que viria a marcar a direcção do grupo durante mais de uma década, entrou para a administração da Novabase em 1994, tornando-se presidente do conselho de administração e presidente executivo em 1999.

Entrada em bolsa e diversificação

A Novabase realizou a sua oferta pública inicial e começou a negociar na Bolsa de Lisboa a 4 de Julho de 2000, com as acções colocadas a 8,50 euros. A entrada em bolsa permitiu financiar uma fase de rápida expansão por crescimento orgânico, criação de novas sociedades e aquisições.

Em 2000, o volume de negócios mais do que duplicou, para 52,85 milhões de euros, enquanto o resultado líquido atingiu 6,4 milhões. Nesse ano, a Novabase adquiriu participações ou a totalidade do capital de doze empresas e constituiu outras onze. Entre as aquisições encontrava-se a Octal, produtora de descodificadores para televisão digital, que passou a ser detida integralmente pela Novabase.

No mesmo período foi constituída a Celfocus, numa parceria entre a CFocus, pertencente ao grupo Novabase, e a então Telecel. A primeira detinha aproximadamente 55% do capital e a operadora de telecomunicações 45%. A nova sociedade destinava-se inicialmente ao desenvolvimento de soluções de gestão de relações com clientes para empresas de telecomunicações.

A expansão incluiu também uma tentativa de internacionalização para o Brasil e a preparação da entrada em Espanha.

Em Dezembro de 2002, a Novabase acordou com a General Electric a aquisição de 83% da GE Capital IT Solutions Portugal por 2,5 milhões de euros. O negócio viria a contribuir para a formação da unidade de infra-estruturas e serviços geridos do grupo.

A fase de expansão não foi linear. Em 2003, o resultado líquido caiu 93,9%, de 9,5 milhões para cerca de 580 mil euros, devido a custos extraordinários e à redução da actividade de consultoria. Em 2004, a empresa decidiu igualmente abandonar a operação no Brasil, tendo constituído uma provisão de 1,9 milhões de euros associada ao encerramento desse negócio.

Também em 2004, a Novabase entrou numa parceria com a alemã TechnoTrend, que serviu de plataforma à expansão europeia da área de televisão digital. A unidade fornecia set-top boxes e outras soluções a operadores em mercados como Alemanha, Reino Unido e França.

A internacionalização voltou a acelerar nos anos seguintes. Em 2007, o grupo atingiu um volume de negócios de 313,2 milhões de euros, dos quais 38,9% eram gerados fora de Portugal, sobretudo através da área de televisão digital, contando nesse ano com uma média de cerca de 1 650 trabalhadores.

A deterioração dos mercados financeiros e os problemas em algumas participadas conduziram a uma reorganização em 2008. A Novabase encerrou a área de Mobility Solutions, concentrou a propriedade de empresas portuguesas ligadas à televisão digital e deixou de consolidar a TechnoTrend, reconhecendo a imparidade do investimento na empresa alemã.

Reestruturação e internacionalização

Em 2009, Luís Paulo Salvado sucedeu a Rogério Carapuça na presidência executiva. Carapuça permaneceu como presidente do conselho de administração, enquanto Salvado, até então director financeiro, assumiu a gestão corrente do grupo.

Nos anos seguintes, a Novabase voltou a apostar no crescimento internacional, procurando reduzir a dependência do mercado português durante a crise económica. Em Abril de 2011, adquiriu a totalidade da Evolvespace Solutions, especializada em soluções para o sector aeroespacial, por um valor máximo de 251 mil euros. A participada trabalhava maioritariamente em projectos internacionais para entidades como a Agência Espacial Europeia.

Paralelamente, a antiga área de televisão digital foi perdendo centralidade no grupo e passou a ser tratada como um investimento a desenvolver e posteriormente alienar. Em Fevereiro de 2014, a Novabase Capital vendeu ao grupo General Satellite a totalidade da Novabase Digital TV EURL e da DTV Research e 49% da Novabase Digital TV GmbH. A operação avaliou os activos alienados em cerca de cinco milhões de euros.

A actividade internacional tornou-se progressivamente mais relevante. Em 2015, o negócio realizado fora de Portugal ultrapassou pela primeira vez 100 milhões de euros; nesse exercício, a Novabase facturou 231,6 milhões e apresentou um resultado líquido de 7,4 milhões de euros, contra 3,1 milhões no ano anterior.

A partir de 2015, o grupo passou também a reduzir a exposição a mercados emergentes considerados mais voláteis, dando maior prioridade à Europa.

Redefinição do grupo

Em Outubro de 2016, a Novabase acordou vender à Vinci Energies a actividade de Infrastructures & Managed Services (IMS), que no ano anterior representara cerca de 45% do volume de negócios do grupo. O preço inicialmente acordado foi de 38,365 milhões de euros. Após o apuramento final do fundo de maneio e da dívida líquida, a contrapartida foi fixada em 41,061 milhões de euros.

A antiga Novabase IMS passou a integrar a marca Axians Portugal, da Vinci Energies. A transacção envolveu aproximadamente 400 trabalhadores e representou a saída de uma área que durante vários anos fora um dos principais pilares do grupo.

A governação da empresa também sofreu alterações. Rogério Carapuça saiu do conselho de administração em 2015, sendo sucedido na presidência por Luís Paulo Salvado. Nesse mandato foi temporariamente eliminado o cargo autónomo de presidente executivo. Em 2018, a separação entre supervisão e gestão executiva foi restabelecida: João Nuno Bento assumiu a presidência da comissão executiva e Salvado permaneceu presidente não executivo do conselho de administração.

No final de 2018, a empresa registava um volume de negócios de 148,7 milhões de euros, 54% dos quais provenientes do exterior. A administração anunciou então estar a realizar uma «reflexão estratégica profunda» sobre a configuração futura do grupo.

Estratégia Next-Gen

Em Julho de 2019, a Novabase apresentou o plano estratégico Strategy Update 2019+, baseado na concentração em tecnologias que agrupava sob a designação Next-Gen, entre as quais inteligência artificial, cloud computing e outras tecnologias digitais. O grupo estabeleceu como objectivo ultrapassar 150 milhões de euros de receitas neste segmento em 2023, aproximadamente o dobro do valor então registado, dando prioridade à Europa e ao Médio Oriente.

No primeiro semestre de 2019, o Next-Gen já correspondia a cerca de 55% da facturação da Novabase, sendo quase dois terços das respectivas receitas obtidos em mercados internacionais. A estratégia previa simultaneamente crescimento orgânico, aquisições selectivas e a alienação de actividades que não se enquadrassem no novo posicionamento.

Em Novembro de 2019, a Novabase acordou a venda à Vinci Energies do negócio de aplicações e análise de dados para os sectores de Governo, Transportes e Energia (GTE). A operação, concluída em Janeiro de 2020 por 33 milhões de euros, transferiu cerca de 400 trabalhadores e uma actividade que facturara aproximadamente 35 milhões de euros em 2018.

Em Março de 2020 foi vendida a Collab — Soluções Informáticas de Comunicação e Colaboração à sueca Netadmin System por um preço base de seis milhões de euros, sujeito a ajustamentos e a uma componente variável. A empresa empregava então cerca de 60 trabalhadores.

No mês seguinte, a Novabase chegou a acordo com a Vodafone Portugal para adquirir os restantes 45,001% da Celfocus por 20 milhões de euros, passando a controlar integralmente a empresa. O contrato previa ajustamentos que podiam elevar o valor total da operação até 27,75 milhões. A Celfocus tinha então cerca de 650 trabalhadores e registara 65 milhões de euros de volume de negócios em 2019.

Em 2021, João Nuno Bento deixou a liderança executiva. Luís Paulo Salvado voltou a concentrar a presidência do conselho de administração e a liderança executiva, sendo nomeado administrador-delegado juntamente com Álvaro Ferreira.

Nesse ano, o volume de negócios atingiu 138,8 milhões de euros, dos quais 75% eram já atribuídos ao segmento Next-Gen; 57,4% das receitas eram geradas fora de Portugal.

Em Outubro de 2023, a Novabase anunciou a venda do negócio de recrutamento e disponibilização de profissionais de tecnologias de informação, desenvolvido através da Neotalent, ao Conclusion Group. A alienação de mais de 95% da empresa foi concluída em Dezembro por 51,1 milhões de euros. A Neotalent empregava cerca de 800 pessoas e facturara 47 milhões de euros em 2022.

A operação gerou posteriormente uma mais-valia contabilística de cerca de 39,8 milhões de euros, contribuindo para que o lucro consolidado da Novabase atingisse 47,1 milhões em 2023.

No relatório desse exercício, a própria Novabase reconheceu que a ambição operacional estabelecida no plano 2019–2023 não fora integralmente alcançada, apesar de ter sido cumprido o objectivo de remuneração dos accionistas. A empresa atribuiu o desvio sobretudo ao atraso do crescimento por aquisições, aos efeitos da pandemia de COVID-19 e à instabilidade geopolítica.

A reestruturação prosseguiu com a saída do antigo negócio de IT Staffing em África. Em Novembro de 2025, a Novabase concluiu a venda dos 99,2% que detinha na NBASIT — Sistemas de Informação e Telecomunicações, subsidiária angolana criada em 2010, por 99 200 euros. A operação encerrou a participação do grupo naquele negócio depois da alienação da Neotalent em Portugal e Espanha.

Em 2025, o grupo apresentou um volume de negócios de 124,5 milhões de euros e um resultado líquido de aproximadamente 5,5 milhões. Embora as receitas tenham recuado 7%, o EBITDA aumentou 16%, evolução que a administração associou a uma maior selecção dos projectos e à concentração em actividades de maior margem.

Actividade

Após as sucessivas alienações realizadas desde o final da década de 2010, a actividade operacional da Novabase passou a estar essencialmente concentrada no segmento Next-Gen, desenvolvido através da Celfocus. A Novabase mantém igualmente a Novabase Capital, dedicada ao investimento em empresas tecnológicas.

Celfocus

Criada em 2000 em parceria com a Telecel, a Celfocus começou por desenvolver soluções de gestão de relações com clientes para o sector das telecomunicações. A Novabase aumentou progressivamente a sua participação e, em 2020, adquiriu a posição remanescente da Vodafone Portugal, passando a deter 100% do capital.

Com a estratégia iniciada em 2019, a Celfocus tornou-se o principal veículo operacional do segmento Next-Gen, com actividade sobretudo nos sectores das telecomunicações e dos serviços financeiros e presença em mercados europeus e do Médio Oriente. Em 2023, 69% do volume de negócios deste segmento era realizado fora de Portugal, sendo o Reino Unido e a Alemanha os principais mercados externos.

A partir de 2025–2026, o grupo passou a utilizar a expressão Next-Gen Intelligence para descrever a evolução desta estratégia, com maior peso de inteligência artificial, dados e automatização.

Novabase Capital

A Novabase Capital constitui o braço de investimento do grupo. Historicamente, desenvolveu actividades de corporate venture, apoio a fusões e aquisições e gestão de fundos de capital de risco, tendo participado na incubação de negócios posteriormente integrados, desenvolvidos ou alienados pelo grupo. Depois da venda da Neotalent e das restantes actividades tradicionais, a Novabase Capital passou a representar a principal componente do denominado Value Portfolio, enquanto a actividade operacional se concentrou no segmento Next-Gen.

Governo societário

A liderança da Novabase passou por diferentes modelos de governo ao longo da sua história. Rogério Carapuça integrou a administração em 1994 e foi presidente do conselho de administração a partir de 1999, acumulando inicialmente a presidência executiva. Em 2009, Luís Paulo Salvado assumiu o cargo de presidente executivo, mantendo-se Carapuça como presidente do conselho.

Em 2015, após a saída de Carapuça, Salvado tornou-se presidente do conselho de administração e o modelo societário deixou temporariamente de prever um cargo separado de CEO. João Nuno Bento assumiu a presidência da comissão executiva em 2018, permanecendo Salvado como presidente não executivo. Bento deixou a gestão em 2021, quando Salvado voltou a exercer funções executivas.

No mandato de 2024–2026, Luís Paulo Salvado exerce os cargos de presidente do conselho de administração e administrador-delegado. Álvaro Ferreira é igualmente administrador-delegado.

Mercado de capitais

As acções da Novabase estão cotadas em Lisboa desde 4 de Julho de 2000. A sociedade integrou em diferentes períodos o principal índice bolsista português, o PSI, tendo saído e regressado à sua composição em várias revisões ao longo das décadas de 2000 e 2010.

Em 2026, os accionistas aprovaram uma operação de aumento do capital social por incorporação de reservas, de 1,15 milhões para 52,63 milhões de euros, seguida de uma redução destinada à libertação de excesso de capital. Depois das duas operações, o capital social ficou fixado em 37 266 403,81 euros.

Referências

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