Computação em nuvem

A nuvem (cloud) é o nome genérico dado à computação em servidores disponíveis na Internet a partir de diferentes provedores

Computação em nuvem (em inglês, cloud computing) é um termo coloquial para a disponibilidade sob demanda de recursos do sistema de computador, especialmente armazenamento de dados e capacidade de computação, sem o gerenciamento ativo direto do utilizador. O termo geralmente é usado para descrever centros de dados disponíveis para muitos utilizadores pela Internet. Nuvens em grande escala, predominantes hoje em dia, geralmente têm funções distribuídas em vários locais dos servidores centrais. Se a conexão com o utilizador for relativamente próxima, pode ser designado um servidor de borda.

O armazenamento de dados é feito em serviços que poderão ser acedidos de qualquer lugar do mundo, a qualquer hora, não havendo necessidade de instalação de programas ou de armazenar dados. O acesso a programas, serviços e arquivos é remoto, através da Internet - daí a alusão à nuvem. O uso desse modelo (ambiente) é mais viável do que o uso de unidades físicas.

Num sistema operacional disponível na Internet, a partir de qualquer computador e em qualquer lugar, pode-se ter acesso a informações, arquivos e programas num sistema único, independente de plataforma. O requisito mínimo é um computador compatível com os recursos disponíveis na Internet. O PC torna-se apenas um chip ligado à Internet — a "grande nuvem" de computadores — sendo necessários somente os dispositivos de entrada (teclado, rato/mouse) e saída (monitor).

História

A metáfora da nuvem para representar redes de computadores e a internet surgiu na década de 1990, quando a empresa de tecnologia General Magic aplicou o conceito em um artigo para descrever uma rede de dispositivos interconectados e serviços digitais. O conceito começa a tomar mais forma pouco tempo depois, em 1996, quando executivos da Compaq utilizaram o termo em planos internos da empresa tratando do futuro da computação e consequente estratégia comercial da empresa.

A visão da nuvem começou a se materializar de forma mais concreta nos anos 2000, impulsionada pela popularização da internet e pelo avanço das tecnologias de computação. A Amazon desponta como uma das primeiras a oferecer serviços web para desenvolvedores, sobretudo com o lançamento da Amazon Simple Storage Service (S3) e do Amazon Elastic Compute Cloud (EC2), em 2006. Nos anos seguintes, outras gigantes da tecnologia estabeleceram suas próprias plataformas de nuvem: Microsoft Azure (2008), Google Cloud (2012), IBM Cloud (2013), Oracle Cloud (2016).

O primeiro serviço na Internet a oferecer um ambiente operacional para os utilizadores — antigamente, disponível no endereço www.webos.org — foi criado por um estudante sueco, Fredrik Malmer, utilizando as linguagens XHTML e Javascript. Em 1999, foi criada nos EUA a empresa WebOS Inc., que comprou os direitos do sistema de Fredrik e licenciou uma série de tecnologias desenvolvidas nas universidades do Texas, Califórnia e Duke.

Modelos de serviço

Atualmente, a computação em nuvem é dividida em dez tipos:

Serviços oferecidos

Os seguintes serviços atualmente são oferecidos por empresas:

Característica de computação em nuvem

A definição de computação em nuvem do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia identifica "cinco características essenciais":

Modelo de implantação

A adoção de sistemas Cloud Computing dependem das características tecnológicas e do modo como os utilizadores percebem a utilidade da Cloud. Por exemplo se os sistemas Cloud forem fáceis de usar e se acrescentarem utilidade aos utilizadores finais, estes tendem a usar sistemas Cloud. Para auxiliar na decisão do utilizador final na escolha do modelo Cloud, o utilizador deverá identificar a adequação da infraestrutura tecnológica, deverá mensurar os custos e o retorno desse investimento, bem como identificar as medidas de controle de integridade de informação, a usabilidade da informação e dos sistemas. Neste contexto, importa ainda identificar as medidas de confiabilidade e segurança e integridade dos sistemas da informação e dos dados. Dependemos das necessidades das aplicações que serão implementadas no modelo de implantação. A restrição ou abertura de acesso depende do processo de negócios, do tipo de informação e do nível de visão desejado. Percebemos que certas organizações não desejam que todos os utilizadores possam aceder e utilizar determinados recursos no seu ambiente de computação em nuvem. Segue abaixo a divisão dos diferentes tipos de implantação:

Nuvem privada

As nuvens privadas são aquelas construídas exclusivamente para um único utilizador (uma empresa, por exemplo). Diferentemente de um data center privado virtual, a infraestrutura utilizada pertence ao utilizador, e, portanto, ele possui total controle sobre como as aplicações são implementadas na nuvem. Uma nuvem privada é, em geral, construída sobre um data center privado.

Segundo Veras, a nuvem privada é uma infraestrutura em nuvem operada exclusivamente para uma única organização, e quase sempre operada pela própria organização ou por terceiros e hospedada interna ou externamente. Realizar um projeto de nuvem privada requer engajamento significativo para virtualizar o ambiente de negócios e exige que a organização reavalie as decisões sobre os recursos existentes. Pode melhorar os negócios, mas cada etapa do projeto levanta questões de segurança que devem ser abordadas para evitar vulnerabilidades sérias.

A hospedagem interna é bastante interessante, quando o controle dos dados é algo muito crítico, nesses casos, hospedar através de algum provedor, não é uma solução interessante, devido a perda do controle do armazenamento das informações.

Nuvem pública

Uma nuvem é chamada de "nuvem pública" quando os serviços são disponibilizados em uma rede aberta para uso público. Os serviços de nuvem pública podem ser gratuitos. Tecnicamente, pode haver pouca ou nenhuma diferença entre a arquitetura de nuvem pública e privada, entretanto, a consideração de segurança pode ser substancialmente diferente para serviços (aplicativos, armazenamento e outros recursos) disponibilizados por um provedor de serviços para uma base de usuários pública e quando a comunicação é efetuada através de uma rede não confiável. Geralmente, os provedores de serviços de nuvem pública, como o Amazon Web Services (AWS), a Oracle, a Microsoft e o Google, possuem e operam a infraestrutura em seu data center e o acesso é geralmente feito pela Internet. A AWS, Oracle, Microsoft e Google também oferecem serviços de conexão direta chamados "AWS Direct Connect", "Oracle FastConnect", "Azure ExpressRoute" e "Cloud Interconnect" respectivamente. Essas conexões exigem que os clientes comprem ou concedam uma conexão privada a um ponto de "peering" oferecido pelo provedor de nuvem.

Nuvem híbrida

Nas nuvens híbridas temos uma composição dos serviços disponibilizados por nuvens públicas, privadas e de terceiros com orquestração entre essas plataformas. Elas permitem que uma nuvem privada possa ter seus recursos acedidos a partir de uma reserva de recursos em uma nuvem pública. Essa característica possui a vantagem de manter os níveis de serviço mesmo que haja flutuações rápidas na necessidade dos recursos. A conexão entre as nuvens pública e privada pode ser usada até mesmo em tarefas periódicas que são mais facilmente implementadas nas nuvens públicas, por exemplo. O termo computação em ondas é, em geral, utilizado quando se refere às nuvens híbridas.

Outros

Nuvem comunitária

A nuvem comunitária é de uso exclusivo para específicas comunidades de consumidores de organizações com interesses compartilhados (Requerimentos de segurança, política, considerações de compliance, entre outros). Ela pode ser gerenciada por uma ou mais organizações na comunidade, por terceiros, ou por alguma combinação entre eles, e podem ser hospedadas tanto internamente ou externamente. Seu custo por utilizadores é maior a Nuvem pública (porém, menor do que na Nuvem privada), então apenas alguns recursos de menor custo da computação em nuvem podem ser aplicados.

Nuvem HPC

Nuvem HPC se refere ao uso dos serviços e infraestrutura da computação em nuvem para executar aplicações de alta performance (em inglês, High Performance Computing Cloud ou HPC Cloud). Essas aplicações consomem uma porção considerável de poder de computação e de memória, e são tradicionalmente aglomerados de computadores. Vários vendedores oferecem servidores que suportam a execução dessas aplicações. Em nuvem HPC, o modelo de implantação permite que todos os recursos de HPC estejam dentro da infraestrutura do provedor da nuvem ou em diferentes porções de recursos HPC a serem compartilhados entre o provedor e o cliente no local em que a infraestrutura se encontra. A implementação de nuvem para rodar aplicações de alta performance (HPC applications) começou majoritariamente para aplicações compostas de tarefas independentes, sem "Inter-process Communication" (IPC). Conforme os provedores de nuvens começaram a oferecer tecnologias de rede de alta velocidade, como a InfiniBand, aplicações com multiprocessamento totalmente acopladas começaram a se beneficiar dos serviços de nuvem também.

Multicloud

O Multicloud é o uso de vários serviços de computação em nuvem em uma única arquitetura heterogênea para reduzir a dependência de fornecedores individuais, aumentar a flexibilidade por meio de opções, mitigar desastres etc. Diferencia-se da nuvem híbrida em se referir a vários serviços em nuvem, em vez de várias implantações modos (nuvem pública, hardware privado, ou legado).

Nuvem de BigData

Os problemas para transferir grandes quantidades de dados para a nuvem, assim como segurança desses dados uma vez que esses dados estão na nuvem inicialmente dificultaram a implementação de nuvem para Big Data, mas agora que muitos dados se originam na nuvem e com o advento dos servidores "bare-metal", a nuvem se tornou uma solução para usada para diversos casos, incluindo análise de negócios ("business analytics") e análises geoespaciais ("geospatial analysis").

Nuvem Distribuída

Uma plataforma de computação em nuvem pode ser montada por máquinas distribuídas em diferentes locais, conectadas a uma rede ou a um serviço de hub. Existem dois tipos de nuvem distribuída: computação com recursos públicos ("public-resource computing") e nuvem voluntária ("volunteer cloud").

  • Computação com recursos públicos: Este tipo de nuvem distribuída é resultado de uma extensa definição de computação em nuvem, porque eles são mais semelhantes à nuvem distribuída do que à computação em nuvem. De qualquer forma, esta é considerada uma subclasse da computação em nuvem, e alguns exemplos incluem plataforma distribuídas de computação como: BOINC e Folding@Home;
  • Nuvem voluntária: Esta é caracterizada como a interseção entre nuvem distribuída e computação em nuvem, onde a infraestrutura da computação em nuvem é construída utilizando recursos voluntários. Muitos desafios surgem por conta deste tipo de infraestrutura, por causa da volatilidade dos recursos usados para a construção e por conta do ambiente dinâmico em que opera. Esta também pode ser chamada de nuvens de pessoa para pessoa ("peer-to-peer cloud"), ou nuvens "ad-hoc". A Cloud@Home é uma iniciativa interessante nessa direção, ela tem como objetivo implementar uma infraestrutura de computação em nuvem utilizando recursos voluntários provendo um modelo de negócios que incentiva contribuições através de restituição financeira.

Arquitetura

Arquitetura de Nuvem

Cloud computing sample architecture

Arquitetura de nuvem, os sistemas de arquitetura dos sistemas de software envolvidos na entrega da computação em nuvem, tipicamente envolvem múltiplos componentes de nuvem comunicando-se entre si através de um mecanismo de acoplamento solto, como uma fila de mensagens. O fornecimento elástico implica inteligência no uso de acoplamento rígido ou solto aplicado a mecanismos como esses e outros.

Engenharia de Nuvem

Engenharia de nuvem é a aplicação de disciplinas de engenharia à computação em nuvem. Tal acarreta uma abordagem sistemática para as preocupações de alto nível de comercialização, padronização e governança na concessão, desenvolvimento, operação e manutenção de sistemas de computação em nuvem. É um método multidisciplinar que engloba contribuições de diversas áreas, como sistemas, software, web, desempenho, informação, segurança, plataforma, risco e engenharia de qualidade.

Vantagens

A maior vantagem da computação em nuvem é a possibilidade de utilizar softwares sem que estes estejam instalados no computador. Mas há outras vantagens:

Desvantagens

A maior desvantagem da computação em nuvem vem fora do propósito desta, que é o acesso à internet. Caso você perca o acesso, comprometerá todos os sistemas embarcados.

Gerenciamento da segurança da informação na nuvem

Sete princípios de segurança em uma rede em nuvem:

Desenho entre os documentos - Nuvem do Google com a face sorrindo ironicamente que irritou aos engenheiros do Google

Revelações da Vigilância pela NSA

Em outubro de 2013 a imprensa publicou, com base nos documentos revelados por Edward Snowden, que através do Programa MUSCULAR, o GCHQ britânico e a NSA secretamente invadiram os principais enlaces de comunicação dos centros de processamento de dados do Yahoo! e do Google ao redor do mundo, tendo acesso aos dados da nuvem de ambos.

Um dos slides de uma apresentação da NSA sobre o programa mostra como este funciona e apresenta um rosto com um sorriso indicando o sucesso da NSA em invadir os sistemas alvo. Em palestra em abril de 2014, o jornalista Barton Gellman disse que quando os engenheiros do Google viram o slide, responderam furiosamente ao ataque ao sistema do Google. Foi também este slide um dos fatores importantes em convencer o jornal Washington Post da necessidade e importância de publicar os documentos revelados por Edward Snowden.

Dúvidas

Existe uma ambiguidade terminológica no termo nuvem, que mantém a aura de algo nebuloso. Arquitetura em nuvem é muito mais que apenas um conjunto (embora massivo) de servidores interligados. Requer uma infraestrutura de gerenciamento desse grande fluxo de dados que incluem funções para aprovisionamento e compartilhamento de recursos computacionais, equilíbrio dinâmico do workload e monitoração do desempenho.

Embora a novidade venha ganhando espaço, ainda é cedo para dizer se dará certo ou não. Os arquivos são guardados na web e os programas colocados na nuvem computacional - e não nos computadores em si - são gratuitos e acessíveis de qualquer lugar. Mas a ideia de que 'tudo é de todos e ninguém é de ninguém' nem sempre é algo bem visto.

O fator mais crítico é a segurança, considerando que os dados ficam “online” o tempo todo.

Sistemas atuais

Os sistemas operacionais para Internet mais utilizados são:

No Brasil

No Brasil, a tecnologia de computação em nuvem é muito recente, mas está se tornando madura muito rapidamente. Empresas de médio, pequeno e grande porte estão adotando a tecnologia gradativamente. O serviço começou a ser oferecido comercialmente em 2008 e em 2012, ocorreu uma grande adoção.

Em 2002, a empresa Katri foi uma das que desenvolveram a tecnologia no Brasil, batizando sua implementação de IUGU. Aplicada inicialmente no site de busca de pessoas físicas e jurídicas Fonelista. Durante o período em que esteve no ar, de 2002 a 2008, os utilizadores do site puderam comprovar a grande diferença de velocidade nas pesquisas proporcionada pelo processamento paralelo.[carece de fontes]?

Em 2009 a tecnologia evoluiu muito e sistemas funcionais desenvolvidos no início da década já passam de sua 3ª geração, incorporando funcionalidades e utilizando de tecnologias como "índices invertidos" ("inverted index").

No ambiente acadêmico o Laboratório de Redes e Gerência da UFSC foi um dos pioneiros a desenvolver pesquisas em Computação em Nuvem publicando artigos sobre segurança, IDS ("Intrusion Detection Systems") e SLA ("Service Level Agreement") para computação em nuvem. Além de implantar e gerenciar uma nuvem privada e computação em nuvem verde.

Existem pouco menos de 10 empresas ofertantes do serviço em nuvens públicas (que podem ser contratadas pela internet em estrutura não privativa e com preços e condições abertas no site) com servidores dentro do Brasil e com baixa latência. A maioria utiliza tecnologia baseada em Xen, KVM, VMWare, Microsoft Hypervisor.

Ver também

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Ligações externas