| ONG Zoé | |
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| Associação de Apoio à Saúde de Populações Remotas | |
| Tipo | Organização não governamental (associação privada sem fins lucrativos) |
| Fundação | 22 de outubro de 2021 (constituição jurídica) primeira expedição em novembro de 2020 |
| Propósito | Assistência médica voluntária a populações ribeirinhas e indígenas da Amazônia |
| Sede | São Paulo, SP, Brasil |
| Presidente | Marcelo Averbach |
| Fundadores |
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| Voluntários | 449 (jul. 2026) |
| Área de influência | Oeste do Pará — Belterra, Aveiro, Santarém e Óbidos; rios Tapajós, Arapiuns e Baixo Amazonas; Terra Indígena Zo'é e Terra Indígena Trombetas/Mapuera (rio Mapuera, Oriximiná) |
| Website | ongzoe |
| Prêmio(s) | Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica — Medicina Social (2025) Prêmio Humanizar a Saúde, Teva (2024) Finalista do .ORG Impact Awards (2024) |
A ONG Zoé (nome oficial Associação de Apoio à Saúde de Populações Remotas) é uma organização não governamental brasileira, com sede em São Paulo, que realiza, desde 2020, expedições médicas voluntárias recorrentes a comunidades ribeirinhas e indígenas do oeste do Pará, nas bacias dos rios Tapajós, Arapiuns e Baixo Amazonas, combinadas com atendimento por telemedicina. Em 2025 venceu a categoria Medicina Social do Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica.
As expedições reúnem médicos de diversas especialidades, enfermeiros e estudantes de medicina, e ocorrem tanto em unidades de saúde municipais quanto em barcos-hospitais, com cirurgias de pequeno e médio porte (como hérnia e vesícula), endoscopia, exames de imagem, consultas especializadas, distribuição de óculos e ações de saúde mental, combinadas com telemedicina. Entre as expedições, a organização mantém, segundo seus próprios registros, programas contínuos de psicologia e psiquiatria por telemedicina para os mesmos pacientes.
A ONG mantém parceria com a Prefeitura e o Hospital Municipal de Belterra e com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), cuja Bandeira Científica participa de expedições da organização.
A organização também realiza expedições à Terra Indígena Zo'é, no norte do Pará, em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e a Fundação Dieter Morszeck; em dezembro de 2025, uma equipe transportada de avião realizou cirurgias laparoscópicas de vesícula dentro do território, e a expedição incluiu a primeira neurocirurgia feita em terra indígena na Amazônia, conduzida pelo neurocirurgião Erik Jennings. Em março de 2026 a associação firmou com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), vinculada ao Ministério da Saúde, um acordo de cooperação técnica de doze meses para ações de atenção especializada em territórios indígenas dos polos-base de Oriximiná e Santarém, no Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá-Tocantins; a justificativa de dispensa de chamamento público afirma que não havia, no âmbito daquele distrito, outra organização da sociedade civil com capacidade comprovada para ações dessa complexidade no formato de expedições.
Em dezembro de 2025 e abril de 2026 a organização realizou, segundo seus próprios registros, duas expedições à Terra Indígena Trombetas/Mapuera, na bacia do rio Mapuera, em Oriximiná, onde vivem os Wai-Wai e outras etnias; a segunda, com 13 voluntários e em parceria com a AgSUS, a Sesai e o Distrito Sanitário Especial Indígena de Oriximiná, contabilizou 3.138 atendimentos, entre eles 308 óculos entregues. Em agosto de 2025 realizou a primeira ação fora do Pará, em aldeias do Polo Base Iguape, no litoral sul de São Paulo, com a Bandeira Científica da FMUSP e o Distrito Sanitário Especial Indígena Litoral Sul. Em 2026, a ONG figurava entre as instituições parceiras da atenção especializada em territórios indígenas do programa federal Agora Tem Especialistas.
Segundo os registros da própria organização, em setembro de 2026 eram 53 expedições, 30.214 atendimentos e 489 voluntários. Segundo a FMUSP, até julho de 2026 a organização havia realizado 50 expedições no Pará, com mais de 27 mil atendimentos e a participação de 449 voluntários. Em agosto de 2024, o Observatório do Terceiro Setor registrava 28 expedições, 8.531 atendimentos e 244 voluntários.
As demonstrações financeiras são submetidas a auditoria independente desde o exercício de 2023 (Grant Thornton em 2023; BDO em 2024 e 2025); a organização detém o Selo Doar A+ em Gestão e Transparência, da Certificadora Social (antigo Instituto Doar). O conselho consultivo inclui o médico e escritor Drauzio Varella, a anestesiologista e apresentadora Thelma Assis e o neurocirurgião Erik Jennings. Varella acompanhou expedições em 2022 e 2023, o que resultou em reportagem do Fantástico; Assis participou como voluntária em 2023 e 2024.
A organização foi criada por um grupo de médicos de São Paulo liderado pelo cirurgião do aparelho digestivo Marcelo Averbach, do Hospital Sírio-Libanês, a partir de experiências anteriores de atendimento voluntário na Amazônia — entre elas uma expedição pelo Tapajós em 2009 e cirurgias realizadas em 2010 numa aldeia do povo Zo'é, no norte do Pará, e um projeto de rastreamento de câncer em comunidades remotas conduzido entre 2014 e 2017. O nome é uma referência ao povo Zo'é, cuja autodenominação significa "nós".
A primeira expedição, de reconhecimento, ocorreu de 4 a 8 de novembro de 2020, em Belterra, com 114 exames de ultrassonografia, segundo o registro da organização; reportagem da RFI de 2021 situou-a em novembro de 2019. A associação foi constituída juridicamente em 22 de outubro de 2021, em São Paulo, sob o nome Associação de Apoio à Saúde de Populações Remotas; em agosto de 2026 abriu uma filial em Belterra, no Pará. Desde o início a ONG concentrou a atuação em três municípios do Tapajós — Belterra, Aveiro e parte de Santarém — e articulou parcerias com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e com o barco-hospital Abaré. Em dezembro de 2021, uma expedição de uma semana em Belterra realizou 53 cirurgias de hérnia e 108 endoscopias com 20 voluntários; segundo a reportagem, parte dos pacientes aguardava os procedimentos havia mais de cinco anos.
Em novembro de 2022, uma expedição em Belterra com cerca de 30 profissionais de saúde teve pacientes impedidos de chegar ao hospital pelos bloqueios de rodovias que se seguiram às eleições daquele ano. Em junho de 2023, a 17ª expedição foi a primeira a ocorrer em duas frentes simultâneas — no Hospital Municipal de Belterra e a bordo do barco-hospital Papa Francisco, no rio Mamuru —, somando mais de 1.200 atendimentos em oito dias.