| As Moradas | ||||
|---|---|---|---|---|
| Autor(es) | Santa Teresa de Ávila | |||
| Idioma | Espanhol | |||
| País | Império Espanhol | |||
| Assunto | Misticismo cristão, Vida interior e oração | |||
| Gênero | Ensaio filosófico de literatura religiosa | |||
| Lançamento | 1588 | |||
| Cronologia | ||||
|
| ||||
As Moradas ou O Castelo Interior é uma obra de Teresa de Ávila, fundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços, escrita em 1577 como guia para o desenvolvimento espiritual por meio do serviço e da oração. Inspirada em sua visão do alma como um diamante com forma de castelo, dividido em sete moradas, a obra é concebida como o progresso da fé em sete etapas, que culmina na união com Deus.
Ela começou a escrever a obra em 2 de junho de 1577, completando-a em 29 de novembro do mesmo ano. Em agosto de 1586, foi escolhido como editor da obra o monge agostiniano Frei Luís de Leão, após o que, finalmente, em 1588 o livro foi publicado em Salamanca, Espanha.
A Inquisição Espanhola estava estudando o livro anterior de Santa Teresa, Vida de Santa Teresa de Ávila, ponderando se suas experiências poderiam ser consideradas heréticas ou não. Ela não tem certeza se deve escrever um novo livro, e ao iniciá-lo, afirma humildemente que:
Poucas coisas que me mandou a obediência se me tornaram tão difíceis como escrever agora coisas de oração; uma, porque não me parece que o Senhor me dá o espírito para fazê-lo, nem desejo; outra, por ter a cabeça, há três meses, com um ruído e fraqueza tão grandes, que até os negócios forçados escrevo com pena
— Teresa de Ávila, As Moradas, J.H.S.
No entanto, de acordo com uma carta escrita pelo frei Diego de Cetina SJ, confessor da santa, Teresa foi convencida a escrever o livro, após receber uma visão de Deus.
...que é considerar nossa alma como um castelo, todo de diamante, ou muito claro cristal, onde há muitos aposentos, assim como no céu há muitas moradas
— Teresa de Ávila, As Moradas, Moradas primeiras
O castelo interior está dividido em sete moradas, cada uma das quais descreve um degrau no acercamento a Deus. As primeiras três moradas são consideradas acessíveis pela oração ativa. As quatro últimas, próprias para a oração contemplativa. Como exemplo para distinguir ambos os tipos de oração, Teresa põe o exemplo de duas fontes: uma recebe a água de muito longe, trazida trabalhosamente por diversos condutos; esta seria a oração ativa. A outra está sobre o mesmo nascimento de um manancial, e recebe a água de sua mesma origem; seria a oração contemplativa.
As experiências místicas de Santa Teresa inspiraram vários autores modernos, embora não necessariamente da mesma perspectiva teológica.
Elizabeth Gilbert, em seu livro Comer, Rezar, Amar (2006), que trata sobre a exploração espiritual pessoal, alude a As Moradas, como uma «gloriosa meditação divina».
O livro de Caroline Myss, Entering the Castle está inspirado em As Moradas, mas a partir de uma abordagem ao misticismo Nova Era.
Santa Teresa também inspirou o escritor americano R. A. Lafferty em sua novela Fourth Mansions (1969), que foi nomeada ao Prêmio Nebula em 1970.
A novela de Jeffrey Eugenides The Marriage Plot (2011) refere-se a O Castelo Interior quando fala da experiência religiosa de Mitchell Grammaticus, um de seus principais personagens.
O escritor uruguaio Mario Levrero cita em seu "Diário da bolsa" (introdução a La novela luminosa) a As Moradas de Santa Teresa como uma fonte constante de inspiração em sua escrita. De fato, a chama como sua "patrona".
Por ocasião das comemorações pelo V Centenário do Nascimento de Teresa de Ávila, As Moradas foi adaptada à história em quadrinhos pelo Centro Cultural da Espanha em Buenos Aires e a editora Loco Rabia, especializada em quadrinhos.
A catedrática Christia Mercer da Universidade de Columbia afirma que "o argumento de Descartes do gênio maligno em suas Meditações metafísicas tem uma longa história, incluindo uma dívida à freira Teresa de Ávila".