A oleandrina é um glicosídeo cardiotónico lipofílico de extrema toxicidade pertencente à família dos cardenolídeos, sintetizado naturalmente em todas as estruturas do loendro (Nerium oleander), um arbusto ornamental endémico da bacia mediterrânica e amplamente distribuído em Portugal. Quimicamente semelhante à digoxina, este metabolito secundário atua como um inibidor alostérico potente da bomba de sódio e potássio (Na⁺/K⁺-ATPase) nos miócitos cardíacos, desencadeando um desequilíbrio iónico que eleva o cálcio intracelular; embora este mecanismo aumente a força contrátil do coração, ele reduz drasticamente o limiar para arritmias ventriculares letais e bloqueios auriculoventriculares severos. A ingestão de quantidades ínfimas da substância, a exposição à sua seiva ou mesmo a inalação do fumo da queima da planta resultam numa intoxicação aguda rápida, cujo quadro clínico evolui de distúrbios gastrointestinais violentos e sintomas neurológicos (como vertigens e confusão) para bradicardia extrema e colapso cardiovascular fatal. Paralelamente ao seu perfil como um dos venenos botânicos mais perigosos da flora europeia, a oleandrina tem despertado um interesse renovado na oncologia e virologia modernas devido à sua capacidade laboratorial de induzir a apoptose em células tumorais e inibir a replicação viral in vitro, embora o seu índice terapêutico residual e a ausência de seletividade celular limitem severamente a sua transição para a medicina clínica humana fora de ensaios laboratoriais rigorosamente controlados.