Orgia

 Nota: Para o álbum de Johnny Hooker, veja ØRGIA. Para a banda de metal alternativo americana, veja Orgy.
Cena dionisíaca em um sarcófago do século III

Na antiga religião grega, uma orgia (em grego clássico: ὄργιον, orgion, mais usado no plural orgia) foi uma forma de adoração extática característica de algumas religiões de mistérios. O orgion é, em particular, uma cerimônia de culto a Dioniso (ou Zagreu), amplamente celebrada na Arcádia, apresentando danças mascaradas "desenfreadas" à luz de tochas e sacrifícios de animais por meio de cortes aleatórios que evocavam a própria dilaceração e sofrimento do deus nas mãos dos Titãs. Diz-se que a orgia que explicava o papel dos Titãs no desmembramento de Dioniso foi composta por Onomácrito. A arte e a literatura gregas, bem como alguns textos patrísticos, indicam que a orgia envolvia o manuseio de cobras.

História

A orgia pode ter sido manifestações anteriores de culto do que os mistérios formais, como sugerido pelos ritos violentamente extáticos descritos no mito como celebrados por Átis em honra a Cibele e refletidos na autocastração voluntária de seus sacerdotes, os Galli, no período histórico. A orgia tanto da adoração dionisíaca quanto do culto a Cibele visam quebrar barreiras entre os celebrantes e a divindade por meio de um estado de exaltação mística:

Máscara dionisíaca

Os iniciados das orgias órficas e báquicas praticavam costumes funerários distintos (ver Totenpass) que expressavam suas crenças na vida após a morte; por exemplo, era proibido aos mortos usar lã.

Os membros de um grupo devotado à realização de orgias são chamados de orgeônes, cujas atividades eram regulamentadas por lei. O culto da deusa trácia Bendis foi organizado em Atenas por seus orgeônes já no período arcaico.

A participação de mulheres em orgias, que em algumas manifestações era exclusiva para mulheres, às vezes levava a especulações obscenas e tentativas de suprimir os ritos. Em 186 a.C., o senado romano tentou banir a religião dionisíaca como subversiva tanto moral quanto politicamente.

Isidoro de Sevilha diz que o equivalente latino de orgia era caerimoniae (em português "cerimônias"), os ritos arcanos da antiga religião romana preservados pelos vários colégios sacerdotais.

Ver também

Procure por orgia no Wikcionário, o dicionário livre.

Referências

  1. ↑ Georg Luck, Arcana Mundi: Magic and the Occult in the Greek and Roman Worlds (Johns Hopkins University Press, 1985, 2006, 2nd ed.), p. 504.
  2. ↑ Madeleine Jost, "Mystery Cults in Arcadia," in Greek Mysteries: The Archaeology and Ritual of Ancient Greek Secret Cults (Routledge, 2003), pp. 144–164.
  3. ↑ Chisholm, Hugh, ed. (1911). «Orgy». Encyclopædia Britannica (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público)
  4. ↑ Pausanias 8.37.5; Fritz Graf and Sarah Iles Johnston, Ritual Texts for the Afterlife: Orpheus and the Bacchic Gold Tablets (Routledge, 2007), p. 70.
  5. ↑ Jacquelyn Collins-Clinton, A Late Antique Shrine of Liber Pater at Cosa (Brill, 1976), pp. 33–34. Among Church Fathers see Arnobius, Adversus Nationes 5.19; Clement of Alexandria, Protrepticus 2.12.2; Firmicus Maternus, De errore profanarum religionum 6.
  6. ↑ Robert Turcan, The Cults of the Roman Empire (Blackwell 1996, 2001, from the original French 1992), p. 296.
  7. ↑ According to Herodotus 2.81, as cited by Graf and Johnston, Ritual Texts, p. 159.
  8. ↑ Corinne Ondine Pache, "Barbarian Bond: Thracian Bendis among the Athenians," in Between Magic and Religion (Rowman & Littlefield, 2001), p. 8.
  9. ↑ Celia E. Schultz, Women's religious activity in the Roman Republic pp. 82–88.
  10. ↑ Isidore of Seville, Etymologiae 6.19.36.