| Pablo Richard | |
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| Nascimento | 2 de fevereiro de 1939 Chile |
| Morte | 20 de setembro de 2021 San José |
| Cidadania | Chile |
| Ocupação | professor universitário, filósofo, teólogo, sociólogo, pároco, teólogo católico |
| Religião | Igreja Católica |
Pablo Richard (Chile, 1939 – 20 de setembro de 2021), foi um filósofo e professor universitário. Pablo publicou importantes obras sobre a Teologia da Libertação e estudos sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos.
Nasceu no Chile em 1939. Entre 1961 e 1963, estudou Filosofia em Viena (Áustria). Em 1966, obteve licenciatura em teologia pela Universidade Católica do Chile. Em 1969, obteve licenciatura em Escrituras Sagradas pelo Instituto Bíblico de Roma. Entre 1969 e 1970, esteve na Escola Bíblica de Jerusalém. Em 1973, após o golpe militar de Pinochet, se exilou na França, onde viveu até 1978. Em 1977, obteve o Título de "doutor honoris causa" pela Faculdade Livre de Teologia Protestante de Paris. Em 1978, obteve doutorado em Sociologia da Religião pela Universidade de Sorbonne em Paris. Em 1978, mudou-se para a Costa Rica, onde passou a integrar a equipe do Departamento Ecumênico de Investigações (DEI), do qual foi diretor. Foi professor de teologia na Escola Ecumênica de Ciências da Religião da Universidade Nacional da Costa Rica e foi integrante da Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina (CEHILA). Participou de um programa de formação permanente de Agentes de Pastoral em toda a América Latina.
É possível dividir a reflexão teológica de Pablo Richard em cinco etapas:
A perspectiva teológica de Richard tem elementos fundamentais: a prática da libertação, a espiritualidade e a Igreja dos pobres.
Em seus primeiros estudos, Richard buscou uma racionalidade crítica como mediação para fazer uma teologia historicamente significativa e, desse modo, encontrou a racionalidade da práxis social, cuja expressão concreta seria a racionalidade socialista, onde o cristianismo encontraria seu horizonte libertador e a sua própria verificação.
Trata-se de uma perspectiva teológica que:
Em escritos posteriores seu horizonte teológico se enriqueceu com a valorização da espiritualidade.
Defendia uma eclesiologia forjada no interior da Igreja latino-americana da década de 1980 que pretendia ser a Igreja dos pobres.
Era um profundo conhecedor da Bíblia, que estudava com os métodos histórico-críticos desde a realidade latino-americana. Merecem destaque seus estudos sobre o Livro dos "Atos dos Apóstolos" e sobre o Apocalipse.
Na obra "El movimiento de Jesús antes de la Iglesia", Richard apresentou uma interpretação libertadora do Livro dos Atos dos Apóstolos, em que descrevia um movimento do Espírito Santo, missionário e estruturado em pequenas comunidades domésticas, onde se mantinha viva a memória de Jesus, transmitida pelos apóstolos e nas quais se vivia a koinonía (comunidade de bens), a diakonía (o serviço) e a eucaristia (ação de graças).
Outros aspectos do estudo de Richard sobre Livro dos Atos dos Apóstolos são a participação das mulheres em tal movimento, a inculturação do Evangelho nas diferentes culturas e a dimensão política que contrapõe o cristianismo ao Império Romano.
Na obra "Apocalipsis", Richard apresentou o "Livro do Apocalipse" como um livro histórico e libertador que se orientaria para a reconstrução da esperança e da consciência da comunidade cristã em tempos de perseguição e em situação de caos, exclusão e opressão. Portanto, o "Livro do Apocalipse" seria um livro utópico que teria a função de transmitir aos cristãos perseguidos uma espiritualidade de resistência frente à helenização do cristianismo e à sua institucionalização autoritária e patriarcal que permitiria a construção de um mundo sem opressão e sem morte indigna. Trata-se de uma utopia que se expressaria por meio de uma rica variedade de mitos e símbolos, que teriam como objetivo mobilizar as energias da comunidade, reconstruir a consciência coletiva e a práxis social. Trata-se de uma interpretação bastante distinta das leituras fundamentalista, e neoconservadora.
Richard trabalhou com a formação bíblica dos Agentes de Pastoral em toda a América Latina por meio da leitura comunitária da Bíblia, que tem os seguintes princípios teóricos:
Richard tentou ativar a força ética e espiritual da teologia da libertação diante do contexto de exclusão social das maiorias populares provocada pela globalização neoliberal. Trata-se de uma força ética e espiritual libertadora, que se caracteriza pela defesa da vida como valor absoluto e pela relativização da lei e das instituições. O critério de eticidade é o serviço da vida, que abrange elementos como direitos à terra para o cultivo, ao trabalho, à assistência médica, à educação, à paz, à justiça, à participação política, ao gozo e ao desfrute da vida, etc.
Trata-se de uma espiritualidade que nasce do encontro com o Deus dos pobres, da esperança e da vida, que enfrenta a idolatria do mercado.
Diante de uma globalização neoliberal que produz empobrecimento, incrementa o número de pobres, cria um abismo cada vez maior entre ricos e pobres e gera exclusão em diversos níveis (étnico, político, cívico, etc.), Richard propôs a reformulação da "opção pelos pobres", para que essa passasse a ser entendida como:
Richard afirmava que a utopia teria um papel fundamental na construção de alternativas e que as utopias não estariam em contradição com o caráter escatológico da esperança cristã, pois acreditava que a escatologia seria um chamado para entrar em ação contra o poder da morte e da opressão do sistema, isso porque a Bíblia falaria de uma terra sem males, de um novo céu e uma nova terra, de um mundo onde não haveria pranto nem morte, de uma sociedade sem idólatras nem criminosos, de um banquete onde os pobres são convidados em primeiro lugar, o amor conjugal, etc.
Richard também defendia: