Uma fatia do palasito de Esquel, mostrando claramente grandes cristais de olivina suspensos numa matriz metálica
O palasito é um tipo extraordinariamente raro e visualmente deslumbrante de meteorito siderolítico (de rocha e ferro), representando menos de 1% de todos os meteoritos recuperados na Terra. Consideradas as «rainhas da beleza» da astronomia, estes corpos celestes distinguem-se por uma matriz contínua de liga metálica de ferro e níquel que envolve cristais translúcidos de olivina, que na sua qualidade gemológica correspondem ao peridoto. Quando cortados em fatias finas e polidos, os palasitos assemelham-se a um vitral cósmico, onde o metal prateado e refletor contrasta com os tons de amarelo-mel, dourado e verde-oliva dos silicatos. O termo homenageia o naturalista alemão Peter Simon Pallas, que em 1772 estudou o famoso espécime de Krasnoyarsk na Sibéria, uma descoberta fundamental para que a ciência aceitasse a origem extraterrestre das rochas espaciais. Do ponto de vista geológico, a teoria clássica sugeria que estas estruturas se formavam exclusivamente na zona de transição entre o núcleo metálico e o manto rochoso de antigos asteroides diferenciados (planetesimais). Contudo, estudos recentes propõem um modelo alternativo baseado em impactos violentos no espaço, onde o ferro líquido do núcleo de um corpo impactor foi injetado diretamente no manto rico em olivina de outro objeto cósmico. Divididos em categorias como o grupo principal ou o raro grupo de Eagle Station, espécimes célebres como os meteoritos de Esquel (Argentina) e de Fukang (China) alcançam valores astronómicos no mercado de colecionismo e na alta joalharia, sendo os únicos objetos conhecidos no universo onde gemas minerais naturais chegam à Terra vindas diretamente do espaço profundo.