Pantropical (do grego: pan, "todo", e tropikos, "do trópico") é a designação usada em biogeografia para referir a região que abrange todas as zonas tropicais da Terra, estendendo-se entre o Trópico de Câncer (23°N) e o Trópico de Capricórnio (23°S). Esta vasta região biogeográfica representa aproximadamente 40% da superfície terrestre do planeta e é caracterizada por climas quentes durante todo o ano, alta pluviosidade (em muitas áreas) e uma extraordinária biodiversidade.
O termo "pantropical" também é utilizado para descrever taxa (espécies, gêneros ou famílias) cuja distribuição geográfica cobre as regiões tropicais de todos os continentes, ou seja, estão presentes nas regiões tropicais de África, Ásia e Américas, e frequentemente também na Oceania.
Subdivisões
A região Pantropical é tradicionalmente dividida em várias ecozonas biogeográficas, que refletem tanto a história geológica dos continentes quanto os padrões de evolução e dispersão das espécies:
Australásia: Austrália tropical (norte), Nova Guiné e ilhas adjacentes. Caracteriza-se por fauna e flora únicas, resultado do longo isolamento do continente australiano.
Esta ecozona é considerada a mais biodiversa do planeta, abrigando aproximadamente 40% de todas as espécies de plantas vasculares e vertebrados terrestres conhecidos.
Flora pantropical
A flora pantropical inclui numerosas famílias de plantas que apresentam distribuição em todas ou na maioria das regiões tropicais do mundo. Entre as principais famílias com distribuição pantropical encontram-se:
Primatas: Embora com famílias diferentes em cada região (Cercopithecidae na África e Ásia, Platyrrhini na América), os primatas são característicos de todas as florestas tropicais.
Aves
Numerosas famílias de aves apresentam distribuição pantropical, incluindo:
A fauna de invertebrados pantropicais é extremamente rica, incluindo milhares de espécies de insetos, aranhas, moluscos e outros grupos, muitos dos quais apresentam radiações adaptativas independentes em cada região tropical.
Origem e dispersão
A distribuição pantropical de muitos taxa pode ser explicada por diferentes processos biogeográficos:
Origem Gondwana: Algumas linhagens de plantas e animais já estavam presentes antes da fragmentação do supercontinente Gondwana (há mais de 100 milhões de anos), resultando em distribuições vicariantes nas massas terrestres atuais.
Dispersão de longo alcance: Muitos taxa alcançaram distribuição pantropical através de dispersão oceânica, seja por correntes marinhas (sementes flutuantes, larvas marinhas), vento (esporos, sementes aladas) ou aves migratórias.
Migração através de pontes terrestres: Durante períodos de clima mais quente no passado geológico, algumas espécies tropicais puderam dispersar através de corredores em latitudes mais altas, posteriormente fragmentados pelas glaciações.
Introdução humana: Especialmente nos últimos séculos, muitas espécies adquiriram distribuição pantropical através do transporte humano intencional ou acidental.
Importância ecológica e conservação
As regiões pantropicais abrigam a maior parte da biodiversidade terrestre do planeta, incluindo:
Aproximadamente 80% de todas as espécies de insetos
No entanto, as florestas tropicais e outros ecossistemas pantropicais enfrentam severas ameaças devido ao desmatamento, conversão para agricultura, mineração e mudanças climáticas. A conservação destas regiões é considerada uma das principais prioridades globais para a manutenção da biodiversidade planetária.
Distribuições geográficas complementares
O conceito de distribuição pantropical deu origem a duas distribuições geográficas complementares que são amplamente utilizadas em biogeografia:
Paleotropical — quando a ocorrência geográfica do taxon cobre a região tropical do Velho Mundo, isto é, da África, Ásia e Oceania.
Esta distinção é particularmente importante em estudos de biogeografia histórica, pois reflete a separação geológica entre os continentes do Novo e do Velho Mundo, bem como as diferentes histórias evolutivas das biotas em cada região.
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