Parlamento de Tuvalu

Parlamento de Tuvalu

Fale i Fono
Brasão de armas ou logo
Brasão de armas de Tuvalu
Tipo
Tipo
Liderança
Presidente do Parlamento
Iakoba Italeli, Independente
Feleti Teo, Independente
Líder da oposição
Enele Sopoaga, Independente
Estrutura
Assentos16
Grupos políticos
  Governo (10)
  Oposição (6)
Duração do mandato
4 anos
Eleições
Voto não transferível múltiplo
Última eleição
2024
Local de reunião
Notas de rodapé
  • todos os candidatos ao Parlamento apresentam-se oficialmente como independentes

O Parlamento de Tuvalu (em tuvalano: Fale i Fono) é a assembleia legislativa nacional unicameral de Tuvalu. O local onde o parlamento se reúne é denominado Vaiaku maneapa. O maneapa em cada ilha constitui um espaço aberto de reunião onde os chefes e os anciãos deliberam e tomam decisões.

Os dezasseis membros do parlamento são eleitos a partir de oito círculos eleitorais de dois assentos, mediante um sistema de votação em bloco por maioria relativa.

História

Em 1886, um acordo anglo-alemão procedeu à partilha do Pacífico central «não reclamado», ficando Nauru na esfera de influência alemã, enquanto Banaba e a futura colónia das Ilhas Gilbert e Ellice passaram para a esfera de influência britânica. As Ilhas Ellice ficaram sob a influência britânica no final do século XIX, quando foram declaradas protetorado britânico pelo Capitão Gibson, da Marinha Real (R.N.), do navio HMS Curacoa, entre 9 e 16 de outubro de 1892, sendo posteriormente unidas às Ilhas Gilbert. As Ilhas Ellice foram administradas como protetorado britânico por um Comissário Residente entre 1892 e 1916, como parte do protetorado das Ilhas Gilbert e Ellice no seio dos Territórios Britânicos do Pacífico Ocidental, e de 1916 a 1974 como parte da colónia das Ilhas Gilbert e Ellice.

Com a criação, em 1970, de um Conselho Legislativo no qual apenas quatro membros provinham de círculos eleitorais das Ilhas Ellice, a ideia de separação entre os dois arquipélagos ganhou maior força. Em 1974, os habitantes das Ilhas Ellice votaram, por referendo, a favor de um estatuto separado como dependência britânica. Em consequência, Tuvalu separou-se das Ilhas Gilbert, que mais tarde se tornariam Quiribáti. Tuvalu tornou-se plenamente independente no seio da Comunidade das Nações em 1 de outubro de 1978. Em 5 de setembro de 2000, Tuvalu tornou-se o 189.º membro das Nações Unidas.

O modo de produção legislativa foi evoluindo à medida que Tuvalu transitou de protetorado britânico para colónia britânica e, finalmente, para um Estado independente:

Durante o período em que Tuvalu foi uma colónia britânica, até à independência, o parlamento de Tuvalu era designado House of the Assembly ou Fale i Fono. O parlamento foi inicialmente estabelecido aquando da separação de Tuvalu das Ilhas Gilbert e Ellice, em 1976. Após a independência, em outubro de 1978, a House of the Assembly foi oficialmente renomeada Fale i Fono (traduzido informalmente como Palamene o Tuvalu).

As eleições para o parlamento, então designado House of the Assembly, imediatamente antes da independência corresponderam às eleições gerais tuvaluanas de 1977, tendo Toaripi Lauti sido nomeado primeiro-ministro em 1 de outubro de 1977 ao abrigo de uma cláusula transitória. O parlamento foi dissolvido em julho de 1978 e, posteriormente, o governo de Toaripi Lauti exerceu funções a título interino até à realização das eleições gerais tuvaluanas de 1981.

À data da independência, o Parlamento de Tuvalu era composto por doze membros. Alterações à Electoral Provisions (Parliament) Act em 1999 e 2000 aumentaram o número de deputados para quinze. A Electoral Provisions (Parliament) Amendment Act 2019 elevou para dois o número de representantes eleitos pelo círculo eleitoral de Nukulaelae, passando assim cada um dos oito círculos eleitorais insulares a ser representado por dois deputados (sendo Niulakita representada pelos deputados de Niutao).

Em agosto de 2007, a Constituição foi alterada de modo a aumentar o número de ministros de cinco para sete.

Constituição

A Constituição de Tuvalu estabelece que constitui «a lei suprema de Tuvalu» e que «todas as demais leis devem ser interpretadas e aplicadas em conformidade com esta Constituição». Define ainda os princípios da Declaração de Direitos, bem como a proteção dos direitos e liberdades fundamentais. Em 1986, a Constituição adotada aquando da independência foi objeto de revisão, de modo a conferir maior atenção aos costumes e tradições tuvaluanos, bem como às aspirações e valores do povo de Tuvalu. Essas alterações passaram a dar maior relevo aos valores comunitários tuvaluanos, em detrimento de conceções ocidentais centradas nos direitos individuais.

O artigo 4.º da Laws of Tuvalu Act 1987 estabelece que o direito de Tuvalu tem como fontes: a Constituição, a legislação aprovada pelo Parlamento de Tuvalu, o direito consuetudinário, a common law de Tuvalu e toda a legislação aplicável. A «legislação aplicável» é definida no artigo 7.º do referido diploma como «os atos legislativos imperiais que produzem efeitos como parte integrante do direito de Tuvalu».

Cultura política

Convocação

A convocação do Parlamento encontra-se regulada pelo artigo 119.º, n.º 1, da Constituição, o qual estabelece que «sem prejuízo do disposto no presente artigo, o Parlamento reunir-se-á nos locais, em Tuvalu, e nas datas que o Chefe de Estado, atuando em conformidade com o parecer do Conselho de Ministros, determinar». A questão de saber se o Governador-geral dispõe do poder de convocar o Parlamento sem, ou em desconsideração do parecer do Conselho de Ministros, e, em caso afirmativo, em que circunstâncias tal poder pode ser exercido, foi analisada no processo Amasone v Attorney General.

O exercício do juízo político na convocação de eleições intercalares e do Parlamento voltou a ser posto à prova em 2013. O Primeiro-ministro Willy Telavi adiou a convocação de uma eleição intercalar após o falecimento de um deputado por Nukufetau, até que a oposição intentou uma ação judicial, que culminou com o Supremo Tribunal a ordenar ao Primeiro-ministro a emissão de um aviso para a realização dessa eleição. A eleição intercalar de Nukufetau, em 2013, foi vencida pelo candidato da oposição. A crise constitucional de Tuvalu prosseguiu até agosto de 2013, altura em que o Governador-geral Iakoba Italeli exerceu o seu poder moderador para determinar a destituição de Telavi e nomear Enele Sopoaga como Primeiro-ministro interino. O Governador-geral determinou igualmente que o Parlamento se reunisse na sexta-feira, 2 de agosto, a fim de permitir a realização de uma moção de censura a Telavi e ao seu governo.

Responsabilidades dos deputados

O papel do deputado de Tuvalu numa democracia parlamentar encontra-se estabelecido na Constituição, tendo sido igualmente analisada a capacidade de um Falekaupule (a assembleia tradicional de anciãos de cada ilha) para orientar a conduta de um deputado no exercício das suas funções, no processo Nukufetau v Metia. O Falekaupule de Nukufetau deu instruções a Lotoala Metia, deputado eleito, quanto ao grupo parlamentar a que deveria aderir e, perante o incumprimento dessas instruções, determinou que este se demitisse do cargo de deputado.

Quando o Falekaupule tentou fazer cumprir essas diretivas através de ação judicial, o Supremo Tribunal decidiu que a Constituição está estruturada em torno do conceito de democracia parlamentar; e que «[u]m dos aspetos mais fundamentais da democracia parlamentar é que, embora uma pessoa seja eleita para representar o povo do círculo eleitoral pelo qual foi eleita, não está obrigada a agir de acordo com as diretivas do eleitorado, quer individualmente quer enquanto corpo coletivo. É eleita porque a maioria dos eleitores a considera o candidato mais apto para os representar e defender os seus interesses no governo do seu país. Está vinculada às regras do parlamento e responde perante este pela forma como exerce as suas funções. Caso perca a confiança do eleitorado, não pode ser obrigada a demitir-se, só podendo ser afastada por um dos fundamentos previstos nos artigos 96.º a 99.º da Constituição».

Ausência de partidos

Não existem partidos políticos formais em Tuvalu. O sistema político assenta em alianças pessoais e em lealdades decorrentes de ligações familiares e de clã. O Parlamento de Tuvalu é incomum entre as assembleias legislativas nacionais por ter uma natureza não partidária. Ainda assim, tende a existir uma distinção entre governo e oposição; porém, os deputados transitam frequentemente entre ambos os grupos, o que tem resultado em várias mudanças de governo a meio da legislatura nos últimos anos, como ocorreu na sequência das eleições gerais tuvaluanas de 2010.

Maatia Toafa foi eleito Primeiro-ministro pouco depois dessas eleições; contudo, em 24 de dezembro de 2010, perdeu o cargo na sequência de uma moção de censura, aprovada por oito votos contra sete, o que conduziu à formação de um novo governo por Willy Telavi. Telavi manteve o apoio maioritário no parlamento após a eleição intercalar de Nui em 2011; todavia, a eleição intercalar de Nukufetau em 2013 foi vencida por um candidato da oposição, o que implicou a perda da sua maioria.

Desenvolveu-se então uma crise constitucional quando Telavi sustentou que, nos termos da Constituição de Tuvalu, apenas estava obrigado a convocar o parlamento uma vez por ano, não tendo, portanto, a obrigação de o reunir antes de dezembro de 2013. No entanto, acabou por ser compelido a convocar o parlamento na sequência da intervenção do Governador-geral. Em 2 de agosto de 2013, Willy Telavi enfrentou uma moção de censura no parlamento. Em 4 de agosto, o parlamento elegeu Enele Sopoaga como Primeiro-ministro. Em 2015, o parlamento foi dissolvido, tendo sido convocadas eleições gerais para março.

Composição

Um candidato ao Parlamento deve ser cidadão de Tuvalu e ter, no mínimo, 21 anos de idade. O voto em Tuvalu não é obrigatório. Aos 18 anos, os cidadãos tornam-se elegíveis para inscrição nos cadernos eleitorais. Os deputados exercem mandatos com a duração de quatro anos. Cada deputado é eleito por sufrágio universal em um dos oito círculos eleitorais insulares. A Electoral Provisions (Parliament) Amendment Act 2019 aumentou o número de representantes eleitos, passando cada um dos oito círculos eleitorais a ser representado por dois deputados. Os habitantes de Niulakita, a menor ilha, encontram-se inscritos no círculo eleitoral de Niutao.

O parlamento é responsável pela eleição do Primeiro-ministro de Tuvalu de entre os seus membros, bem como do Presidente do Parlamento, através de escrutínio secreto. O Presidente do Parlamento preside aos trabalhos parlamentares. Os ministros que compõem o Conselho de Ministros são nomeados pelo Governador-geral, sob proposta do Primeiro-ministro. O Procurador-Geral participa nas reuniões do Conselho de Ministros e tem assento no parlamento, mas não dispõe de direito de voto, sendo a sua função de natureza estritamente consultiva.

Qualquer deputado pode apresentar iniciativas legislativas; contudo, na prática, tal como na maioria dos sistemas, essas iniciativas emanam predominantemente do Conselho de Ministros. Os projetos de lei são sujeitos a primeira, segunda e terceira leituras antes de serem submetidos ao Governador-geral de Tuvalu para promulgação, à semelhança de outros sistemas de tipo Westminster. Uma particularidade relevante consiste no facto de a legislação dever, por imposição constitucional, ser submetida aos governos locais (falekaupules) para apreciação após a primeira leitura, podendo estes propor alterações por intermédio do respetivo deputado.

A sub-representação das mulheres no Parlamento de Tuvalu foi analisada num relatório encomendado pelo Secretariado do Fórum das Ilhas do Pacífico em 2005. Em maio de 2010, realizou-se em Funafuti uma consulta intitulada «Promoting Women in Decision Making», numa altura em que o parlamento não integrava quaisquer deputadas. Como resultado, foi recomendada a criação de dois novos lugares reservados a mulheres. Esta proposta seguiu o exemplo da Papua-Nova Guiné, cujo parlamento, que à data contava com apenas uma deputada, ponderava a introdução de 22 lugares reservados a mulheres. O Ministério dos Assuntos Internos de Tuvalu, responsável pelas questões de género, declarou que seriam adotadas medidas para considerar essa recomendação.

Ver também

Referências

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