Parque Indígena do Xingu

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Coordenadas: 11° 14′ S, 53° 11′ O

Parque Indígena do Xingu
UICN categoria II: Parque Nacional
Indígenas tocando a flauta uruá no pátio da aldeia camaiurá, no Parque Indígena do Xingu
LocalizaçãoMato Grosso
País Brasil
Estado Mato Grosso
Área2 642 003 ha.
GestãoFunai
Coordenadas11° 13′ 56″ S, 53° 11′ 05″ O
Parque Indígena do Xingu está localizado em: Brasil
Parque Indígena do Xingu
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O Parque Indígena do Xingu, anteriormente Parque Nacional Indígena do Xingu, é uma terra indígena brasileira, considerada a maior e uma das mais famosas reservas do gênero no mundo.

Histórico

O parque foi criado em 1961 pelo então presidente brasileiro Jânio Quadros, tendo sido a primeira terra indígena homologada pelo governo federal. Seus principais idealizadores foram os irmãos Villas Bôas, mas quem redigiu o projeto foi o antropólogo e então funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, Darcy Ribeiro.

Área

A área do parque, que conta com 2 642 003 hectares está situado no norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição entre os biomas de cerrado e amazônico. A região plana, onde predominam as matas altas entremeadas de cerrados e campos, é cortada pelos formadores do Rio Xingu, e pelos seus primeiros afluentes da direita e da esquerda. Os cursos formadores são os rios Kuluene, Tanguro, Kurisevo e Ronuro - o Kuluene assume o nome de Xingu a partir da desembocadura do Ronuro, no local conhecido pelos indígenas como Mÿrená (Morená). Os afluentes são os rios Suiá Miçu, Maritsauá Miçu, Auaiá Miçu, Uaiá Miçu e o Jarina, próximo da cachoeira de Von Martius.

História

Localização do Parque Indígena do Xingu no Brasil

O Parque Indígena do Xingu é considerado a maior e uma das mais famosas reservas do gênero no mundo. Criado em 1961, durante o governo de Jânio Quadros, foi resultado de vários anos de trabalho e luta política, envolvendo os irmãos Villas-Bôas, ao lado de personalidades como o Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, Café Filho e muitos outros.

Em mais de meio século de existência, o Xingu passou por diversas mudanças que coincidem com a história da questão indígena nas últimas décadas. No início, a filosofia aplicada pelos Villas-Bôas visava a proteger o índio do contato com a cultura dos grandes centros urbanos. Na época, por exemplo, não era permitido nem usar chinelos ou andar de bicicleta, para que nada mudasse no cotidiano da comunidade.

A criação do parque foi uma das consequências da Expedição Roncador-Xingu e da chamada "Marcha para o Oeste", movimento planejado sob o governo de Getúlio Vargas para conquistar e desbravar o coração do Brasil. Iniciada em 1943, o desbravamento adentrou a região central do Brasil, desvendou o sul da Amazônia e travou contato com diversas etnias indígenas ainda desconhecidas.

A liderança dos irmãos Villas-Bôas transformou o caráter militarista da Marcha para o Oeste. Baseada na filosofia do Marechal Rondon de "morrer se preciso for, matar nunca", o que seria meramente uma missão potencialmente violenta, tornou-se uma expedição de contato, pacificação e respeito para com os diversos povos indígenas da região centro-oeste brasileira. Um trabalho reconhecido em todo mundo como um dos mais importantes para a preservação da diversidade das pessoas.

Etnias e patrimônio cultural

Aldeia camaiurá no Parque Indígena do Xingu

Atualmente, vivem, na área do Xingu, aproximadamente, 5 500 índios de quatorze etnias diferentes pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil: caribe, aruaque, tupi e macro-jê. Centros de estudo, inclusive a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, consideram essa área como sendo o mais belo mosaico linguístico puro do país. Os povos indígenas que vivem na região são: cuicuros, calapalos, nauquás, matipus, icpengues (todos de tronco linguístico caribe), meinacos, uaurás, iaualapitis (tronco linguístico aruaque), auetis, camaiurás, jurunas, caiabis (tronco linguístico tupi), trumais (língua isolada), suiás (tronco linguístico macro-jê); já tendo ainda morado na área do parque os panarás (kreen-akarore), os menbengokrês (caiapós) e tapaiunas (beiço-de-pau). Criado o Parque Nacional do Xingu, posteriormente denominado Parque Indígena do Xingu, em 1961, Orlando Villas-Bôas foi nomeado seu administrador-geral. No exercício dessa função, pôde melhorar a assistência aos índios, garantir a preservação da fauna e da flora da região e reaparelhar os postos de assistência. Ainda como administrador do parque, Orlando Villas-Bôas favoreceu a realização de estudos de etnologia, etnografia e linguística a pesquisadores não apenas nacionais como de universidades estrangeiras. Autorizando, ainda, a filmagem documentária da vida dos índios, deu margem a um valioso acervo audiovisual.

A épica empreitada dos irmãos Villas-Bôas é um dos mais importantes e polêmicos episódios da antropologia brasileira e da história indígena. A concepção do Parque Indígena do Xingu, os custos para sua implementação e suas drásticas consequências, o constante ataque de madeireiros e latifundiários e as políticas indigenistas do estado brasileiro são temas importantes para a reflexão sobre o significado de toda esta experiência.

As populações dos povos indígenas no Parque Indígena do Xingu:

EtniaPopulação
Aweti195
Ikpeng459
Kalapalo385
Kamaiurá467
Kawaiweté (Kaiabi)1.193
Kisêdje (Suiá)330
Kuikuro522
Matipu149
Mehinako254
Nafukuá126
Naruvôtu69
Tapayuna60
Trumai97
Waurá409
Yawalapiti156
Yudjá (Juruna)348

Línguas

As línguas indígenas faladas no parque:

Ao sul (Alto Xingu):

Ao norte (Baixo Xingu):

Lista de aldeias

Lista das aldeias de cada povo indígena do Parque Indígena do Xingu:

Postos de Vigilância

Os Postos de Vigilância (PIV) no Parque Indígena do Xingu são:

Os Postos de Vigilância (PIV) pertos do Parque Indígena do Xingu são:

Municípios

Lista de municípios com incidência no Parque Indígena do Xingu:

MunicípioÁrea do Parque no município (%)Área do Parque no município (ha)Área do município (ha)
Gaúcha do Norte30,86815.371,651.693.429,80
Querência21,93579.426,061.778.619,50
Feliz Natal19,88525.273,211.167.899,90
Paranatinga9,34246.807,552.416.244,40
São Félix do Araguaia7,84207.240,251.671.347,50
Marcelândia5,45143.874,071.227.355,20
Canarana2,0654.312,411.088.237,90
Nova Ubiratã1,1530.273,561.250.011,40
São José do Xingu1,8548.974,45745.964,50

Referências

  1. 1 2 «Parque Indígena Xingu». Terras Indigenas no Brasil. Consultado em 10 de outubro de 2019. Cópia arquivada em 12 de maio de 2019
  2. ↑ «Terras Indígenas». www.funai.gov.br. Fudação Nacional do Índio. Consultado em 20 de setembro de 2020
  3. 1 2 Kahn, Marina; Campanili, Maura (eds.). Almanaque Socioambiental Parque Indígena do Xingu: 50 anos. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2011. ISBN 978-85-85994-84-6
  4. ↑ Seki, Lucy. 2011. Alto Xingu: uma área linguística? In: Franchetto, Bruna (org.), Alto Xingu: uma sociedade multilíngue, p. 57-85. Rio de Janeiro: Museu do Índio/FUNAI.
  5. 1 2 3 De Felipe, Paulo Henrique Pereira Silva. 2020. Fonologia e Morfossintaxe da língua Mehináku (Arawak). Doutorado, Unicamp.
  6. ↑ A aldeia está localizada a cerca de 1h de carro de Utawana e é liderada pelo cacique Yahati.
  7. 1 2 Instituto Socioambiental/ISA (2002). Xingu. Povos Indígenas no Brasil. (Mapa)

Ligações externas

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