Os peptaibóis constituem uma classe única de péptidos lineares biologicamente ativos de origem fúngica, sintetizados maioritariamente por fungos filamentosos do solo, com especial destaque para o género Trichoderma. O seu nome deriva da aglutinação das suas três características estruturais mais marcantes: a natureza peptídica, a presença abundante do ácido α-aminoisobutírico (Aib) — um aminoácido não proteinogénico que confere à molécula uma conformação helicoidal altamente rígida e resistência à degradação enzimática — e uma extremidade C-terminal modificada por um aminoálcool. Adicionalmente, exibem uma extremidade N-terminal acilada, frequentemente por um grupo de acetilo. A nível biossintético, estas moléculas não são produzidas nos ribossomas através da tradução do ARN, mas sim no citoplasma por megaenzimas multifuncionais designadas sintetases de péptidos não ribossómicos (NRPS), um processo que gera frequentemente misturas complexas de isoformas muito semelhantes devido à flexibilidade na incorporação de aminoácidos estruturalmente análogos. O interesse científico e biotecnológico nos peptaibóis reside no seu potente mecanismo de ação citotóxico, antimicrobiano e antifúngico. Devido à sua estrutura anfipática, estas moléculas inserem-se espontaneamente nas bicamadas lipídicas das células-alvo e organizam-se em canais iónicos ou poros transmembrares dependentes de voltagem. Este fenómeno destrói a integridade física da membrana, provocando a perda do controlo osmótico e a lise celular rápida. Na agricultura, são amplamente aproveitados através do uso de biofungicidas para o biocontrolo de fitopatogénios e estimulação das defesas das plantas. Na medicina, surgem como candidatos promissores para o desenvolvimento de novos antibióticos contra bactérias multirresistentes e terapias antitumorais, embora a sua toxicidade não seletiva e baixa solubilidade aquosa continuem a ser os principais desafios ao seu uso clínico.