Policorde

Em música, o policorde designa, etimologicamente, um instrumento constituído de várias cordas — real ou fictício com objetivos pedagógicos.

Por extensão, no entanto, o termo se refere, genericamente, a uma sucessão de notas musicais — ascendentes ou descendentes — numa determinada escala musical. No segundo sentido, deve-se fazer uma distinção cuidadosa entre « policorde » e « intervalo musical » : o policorde designa uma sucessão de graus conjuntos, e o intervalo designa apenas a distância entre os graus extremos do dito policorde.

Por exemplo, as quatro notas dó, ré, mi e fa formam um policorde — mais precisamente, um tetracorde — mas a distância entre dó e fá é um intervalo — mais precisamente, uma quarta justa.

Os nomes atribuídos aos principais policordes são os seguintes — observe que não existe terminologia específica para designar os policordes superiores a octocordes.

Monocorde

O monocorde designa, ou um único som que inicia uma escala musical, num intervalo correspondente a um uníssono melódico, ou um instrumento musical primitivo constituído de uma caixa de ressonância e uma única corda que vibra sobre um braço (como no violino), variando-se a altura do som através de um cavalete móvel. O monocorde, enquanto instrumento experimental, tornou-se célebre, depois que Pitágoras demonstrou que a altura do som é inversamente proporcional ao comprimento da corda. Dessa experiência, Pitágoras tirou as seguintes conclusões:

Dicorde

O dicorde — ou bicorde — é um policorde constituído de dois graus conjuntos.

Por exemplo, dó e ré.

Tricorde

O tricorde é um policorde constituído de três graus conjuntos.

Par exemple, dó, ré e mi.

Tetracorde

Designa, a princípio, um antigo instrumento musical da Grécia.

O tetracorde é um policorde constituído de quatro graus conjuntos no sentido ascendente, separados por 1 tom — 1 tom — 1/2 tom.

Por exemplo, dó, ré, mi e fá.

O conceito de tetracorde é considerado pela maioria dos teóricos gregos como a unidade fundamental para a formação das escalas melódicas. Na música tonal, o tetracorde é, por vezes, utilizado de modo análogo, para justificar a teoria da geração das escalas diatônicas. Com efeito, pode-se considerar que uma escala maior é constituída de dois tetracordes idênticos separados por um tom, cada acorde compreendendo dois tons consecutivos e um semitom diatônico.

Por exemplo, a escala de dó maior compreende um tetracorde inferior (dó, ré, mi, fá = dois tons e um semitom) seguido de um tetracorde superior (sol, lá, si, dó = dois tons e um semitom), sendo os dois tetracordes separados por um tom (fá, sol = um tom).

Pentacorde

O pentacorde é um policorde constituído de cinco graus conjuntos.

Por exemplo, dó, ré, mi, fá, sol.

Hexacorde

O hexacorde é um policorde constituído de seis graus conjuntos.

Por exemplo, dó, ré, mi, fá, sol, lá.

Ao longo do século XVI, Guido d'Arezzo recorreu, não mais ao tetracorde como seus predecessores, mas ao hexacorde, o que lhe permitiu estabelecer a solmização. A solmização é um sistema de ensino de leitura musical por relatividade, que foi mantido até o fim da Idade Média, quando do nascimento do Contraponto e da generalização da pauta.

Heptacorde

O heptacorde é um policorde constituído de sete graus conjuntos.

Por exemplo, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

Octocorde

O octocorde é um policorde constituído de oito graus conjuntos. Uma escala heptatônica — por exemplo, a escala diatônica — se apresenta, evidentemente, sob a forma de um octocorde.

Por exemplo, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si et dó.

Ver também