Portainer

Um dos primeiros portêineres fabricados pela Paceco

Portêiner (do inglês portainer), também chamado de guindaste de contêineres, guindaste pórtico de contêineres ou guindaste cais-navio (do inglês ship-to-shore crane, STS), é um grande pórtico rolante instalado no cais de terminais de contêineres. Ele serve para carregar e descarregar contêineres de navios porta-contêineres.

O portêiner tem uma estrutura metálica que se desloca sobre trilhos ao longo do cais. Em vez de gancho, ele usa uma ferramenta de içamento própria, o spreader. O spreader desce sobre o contêiner e se prende aos quatro cantos de fixação (corner castings) por um mecanismo de twistlock. Em geral o guindaste move um contêiner por vez. Alguns modelos mais novos conseguem erguer de dois a quatro contêineres de 20 pés de uma só vez.

História

Há guindastes nos portos desde a Idade Média. A contentorização intermodal moderna surgiu em meados da década de 1950, a partir de estratégias de transporte criadas na Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coreia. Os guindastes especializados evoluíram junto com ela.

O primeiro guindaste de contêineres foi construído em 1959 pela PACECO Corp. para a Matson Navigation, no Encinal Terminal, em Alameda, na Califórnia.

Classificação

Os portêineres costumam ser classificados pelos seguintes critérios:

Tipos

Portêineres de lança reta no porto de Bremerhaven

Há três configurações comuns de portêiner:

O tipo de guindaste é escolhido no projeto do terminal, conforme o navio de projeto e as condições locais de operação e infraestrutura.

Tamanhos

Portêineres super pós-Panamax de lança reta, com pórtico em A modificado e duplo içamento, no Porto de Roterdã. Seu alcance cobre 25 fileiras de contêineres no navio.

Os portêineres são classificados principalmente pela capacidade de içamento e pelo porte dos navios que conseguem atender.

Modelos menores

Os primeiros portêineres atendiam navios de porte modesto. Tinham estrutura em "pórtico em A" (A-frame) e impulsionaram o crescimento inicial da contentorização. A bitola dos trilhos costumava ficar entre 12 e 16 metros (35 a 50 pés), e o alcance e a altura de içamento eram limitados. Com o aumento dos navios e do número de guindastes por navio, os cais ficaram mais largos. A bitola passou a cerca de 30 m (100 pés), e o projeto de "pórtico em A modificado" virou padrão. Guindastes menores, em geral sem lança móvel, ainda são usados em portos fluviais para atender barcaças e embarcações parecidas.

Panamax

Um portêiner Panamax carrega e descarrega totalmente o maior navio capaz de passar pelas eclusas originais do Canal do Panamá. Esses navios levavam no convés até 13 fileiras de contêineres, com até cinco contêineres de altura em cada uma. A grande maioria desses guindastes tinha bitola de 100 pés (cerca de 30 m), mesmo em países que usam o sistema métrico. Com uma bitola comum, guindastes usados podiam ser revendidos de um porto para outro.

Pós-Panamax

Um portêiner pós-Panamax atende navios largos demais para as eclusas originais do Canal do Panamá. Os primeiros navios desse tipo foram construídos no início e em meados da década de 1980 pela American President Lines, junto com os guindastes para operá-los. Levavam no convés até 16 fileiras de contêineres, com até seis de altura, e no começo operavam só em rotas transpacíficas. Com o avanço da propulsão, os navios continuaram crescendo, mas sobretudo em comprimento e altura. Depois, a economia operacional e novos avanços na propulsão voltaram a alargar os navios, o que levou à geração seguinte de guindastes.

Super pós-Panamax

Vista aérea do terminal Roberts Bank Superport, no Canadá (2014)

Os maiores portêineres modernos são chamados de super pós-Panamax. Um portêiner moderno que ergue dois contêineres de 20 pés (6,1 m) ao mesmo tempo, alinhados pelas pontas sob o spreader telescópico, costuma ter capacidade nominal de 65 toneladas. Alguns modelos novos têm capacidade de 120 toneladas e erguem até quatro contêineres de 20 pés ou dois de 40 pés (12,2 m). Já foram projetados guindastes capazes de erguer seis contêineres de 20 pés.

Um portêiner pós-Panamax pesa entre 800 e 900 toneladas. Os super pós-Panamax mais recentes podem chegar a 1 600 a 2 000 toneladas. Os maiores alcançam 26 fileiras de contêineres no convés, com até oito ou nove de altura.

Operação

Descarga do navio Rita no porto de Copenhague
Operação de portêineres no porto de Hamburgo

O operador trabalha numa cabine presa ao carro (trolley), que corre sobre trilhos no topo ou nas laterais da lança e da viga. Ele leva o carro até o navio para pegar a carga, normalmente contêineres. Depois que o spreader trava no contêiner, a carga é içada, levada sobre o cais e colocada numa carreta, num veículo guiado automaticamente (AGV) ou no chão, de onde segue para o pátio. O guindaste também embarca contêineres que chegam do pátio.

A maioria das operações é de "ciclo simples", que move um contêiner do navio para o cais ou do cais para o navio. Em alguns casos há o "ciclo duplo", em que um mesmo ciclo move um contêiner em cada sentido.

Quando os contêineres são deixados direto no cais, o transporte até o pátio costuma ser feito por straddle carriers, que os levam rapidamente entre o cais e a área de armazenagem. Vagões plataforma raramente são carregados logo abaixo do guindaste, porque essa operação rende muito pouco.

Alguns portêineres têm um segundo carro montado nas vigas do pórtico. O carro do lado do navio leva os contêineres entre o navio e uma plataforma intermediária, e o carro do lado de terra leva da plataforma para o cais. Dependendo da logística do porto e dos navios, esses guindastes rendem mais que os de carro único e facilitam a automação do terminal.

O spreader fica suspenso por cabos de aço dispostos num padrão de passagem (reeving) que dá alguma estabilidade à carga. Alguns guindastes têm estabilização dinâmica da carga incorporada a esse sistema. Mesmo assim, controlar o balanço do contêiner enquanto ele se move na vertical e na horizontal entre o navio e o cais exige habilidade e experiência do operador, e ventos fortes tornam isso ainda mais difícil. As operações costumam parar com ventos acima de cerca de 22 m/s (aproximadamente 80 km/h). Com ventos ainda mais fortes, os guindastes são levados ao longo do cais e ancorados em pontos de fixação da estrutura.

Automatizar totalmente um portêiner é difícil por dois motivos: o balanço da carga e os pequenos movimentos constantes do navio, causados por vento, marés, correntes, deformação do casco e mudanças na distribuição da carga a bordo.

Alimentação

Um portêiner pode ser alimentado de duas formas: por um gerador elétrico movido a motor a diesel, instalado no alto do guindaste, ou por energia elétrica fornecida pelo cais. A mais comum é a energia do cais (shore power). A tensão de alimentação vai de 4 kV a 13,2 kV em corrente alternada, e a maioria dos guindastes novos usa valores no topo dessa faixa. Dentro do guindaste, a energia costuma ser convertida em corrente contínua e depois em corrente alternada de frequência e tensão variáveis, que alimenta os motores de içamento, do carro, de translação do pórtico e de elevação da lança.

Galeria

Ver também

Referências

  1. ↑ «The American Society of Mechanical Engineers Dedicates an International Historic Mechanical Engineering Landmark: The PACECO Container Crane» (PDF). The American Society of Mechanical Engineers (em inglês). 5 de maio de 1983. Consultado em 31 de maio de 2022
  2. ↑ «Vessel Requirements» (PDF) (em inglês). Autoridade do Canal do Panamá. 1 de janeiro de 2005. Consultado em 26 de setembro de 2016. Arquivado do original (PDF) em 11 de junho de 2011
  3. ↑ Mackor, Rob (24 de abril de 2020). «RWG ontvangt 's werelds grootste containerkranen». Nieuwsblad Transport (em neerlandês). Consultado em 31 de julho de 2020

Ligações externas

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