Povo de Deus

A expressão povo de Deus (em hebraico: עם האלהים) é utilizada na Bíblia hebraica para se referir aos judeus e no cristianismo para se referir aos cristãos. O "povo de Deus" teve origem na aliança que Javé estabeleceu com os patriarcas descendentes de Sem, aos quais Ele destinou os territórios do Vale do Jordão. Mais tarde, mediante a identificação de suas próprias origens com os patriarcas bíblicos, o conceito de "povo de Deus" foi resgatado para o uso comum pela Igreja, graças aos estudos bíblicos que prepararam o caminho para o Concílio Vaticano II. O próprio Concílio adotou o termo, empregando-o para se referir à Igreja de Cristo no contexto da linhagem de Davi e do conceito de Cristo como Filho de Javé.

Na Bíblia

Bíblia hebraica e Antigo Testamento

Josué renovando a aliança com Israel. Ilustração de um cartão bíblico publicado pela Providence Lithograph Company, 1907.

Na Bíblia hebraica e no Antigo Testamento, os israelitas são referidos como "o povo de Deus" em Juízes 20:2 e 2 Samuel 14:13. As expressões "o povo do Senhor" e "o povo do Senhor, teu Deus" também são utilizadas. Nesses textos, Deus também é retratado referindo-se aos israelitas como "meu povo". O termo "povo de Deus" foi utilizado pela primeira vez por Deus no Livro do Êxodo, como parte da aliança entre Israel e Deus (Êxodo 6:7).

Novo Testamento

No Novo Testamento, a expressão "povo de Deus" encontra-se em Hebreus 4:9 e 11 25:. A expressão "seu povo" (isto é, o povo de Deus) aparece em Apocalipse 21:3, e "meu povo", em Apocalipse 18:4. 2 Coríntios 6:16 menciona, para o crente do Novo Testamento, as mesmas promessas — "Habitarei neles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" —, o que constitui um paralelo com Ezequiel 37:27.

Romanos 9:25–26 também cita ou faz referência a Oseias 1:10 e Oseias 2:23:

Como ele também disse em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo, E amada à que não era amada; E no lugar em que se lhes disse: Vós não sois povo meu; Ali serão chamados filhos do Deus vivo.– Romanos 9:25–26

Nos documentos da Igreja Católica

Vitral na igreja de São Francisco de Assis (Notting Hill), O Povo de Deus (2008), de Benjamin Finn.

A totalidade do Capítulo II da Lumen Gentium é dedicada ao "Povo de Deus". Nele, o Povo é tratado antes da hierarquia. Os religiosos — para todos os efeitos e primordialmente — pertencem ao Povo de Deus, um corpo que abrange todos os batizados, e não apenas os leigos. Em outras palavras, os Sagrados Pastores (o clero) são, antes de tudo, parte do rebanho do qual Cristo é o Pastor Supremo e ao qual eles instruem, santificam e governam.

O Catecismo da Igreja Católica incorpora a renovação do Concílio e, ao tratar da Igreja, descreve-a precisamente em termos dessa categoria. As suas características são descritas no n.º 782:

Passa-se, então, a analisar as suas características específicas: é um povo sacerdotal, profético e régio (n.º 783–786).

Ver também

Referências

  1. ↑ José Inácio Medeiros (18 de julho de 2025). «Curiosidades da Bíblia: Como foi a era dos Patriarcas?». Vatican News. Consultado em 20 de setembro de 2026
  2. ↑ Robson Ribeiro (16 de março de 2026). «A Igreja como Povo de Deus». Vatican News. Consultado em 20 de setembro de 2026
  3. ↑ «§ 782». Catecismo. Consultado em 20 de setembro de 2026

Leituras complementares