A profilina é uma proteína de ligação à actina que está implicada na dinâmica da renovação e reestruturação do citoesqueleto de actina. Encontra-se em todos os organismos eucarióticos na maioria das suas células. A profilina é importante para o controlo espacial e temporal do crescimento dos microfilamentos de actina, o qual é um processo essencial na locomoção celular e nas mudanças de forma da célula. Esta reestruturação do citoesqueleto da actina é essencial em processos como a desenvolvimento de órgãos, a cicatrização de feridas, e a eliminação de invasores infeciosos por parte das células do sistema imunitário.
A profilina também se une a sequências ricas no aminoácido prolina de diversas proteínas. Embora a maioria da profilina celular esteja ligada à actina, existem cerca de 50 possíveis proteínas às quais as profilinas se podem unir. Muitas delas estão relacionadas com a regulação da actina, mas a profilina também parece estar implicada em atividades que ocorrem no núcleo celular, como o splicing do ARNm.
A profilina liga-se também a algumas variantes de fosfolípidos da membrana plasmática (fosfatidilinositol (4,5)-bisifosfato e inositol trifosfato). A função desta interação é sequestrar a profilina numa forma "inativa", que pode ser revertida para a forma ativa pela ação da enzima fosfolipase C.
A profilina é o principal alergénio presente no pólen de bétula, de ervas e de outras plantas.
As profilinas são proteínas com um peso molecular de aproximadamente 14–16 kDa. Apresentam um único gene em leveduras, insetos e vermes, e múltiplos genes noutros organismos, incluindo as plantas. Nas células de mamíferos, foram descobertas quatro isoformas da profilina; a profilina-I exprime-se na maioria dos tecidos, enquanto a profilina-II predomina no cérebro e nos rins.
A profilina potencia o crescimento dos filamentos de actina de duas formas:
A profilina também regula negativamente o fosfatidilinositol (3,4)-bisifosfato (PI(3,4)P2), limitando a acumulação de lamelipodina na extremidade de avanço da célula durante o movimento.
A profilina é uma das moléculas mais abundantes entre as que se ligam ao monómero de actina, mas proteínas como a CAP e (em mamíferos) a timosina β4 apresentam alguma sobreposição funcional com a profilina. Pelo contrário, a ADF/cofilina possui propriedades que antagonizam a ação da profilina.
A profilina foi descrita pela primeira vez por Uno Lindberg e colaboradores no início da década de 1970 como a primeira proteína a ligar-se ao monómero de actina. Posteriormente, os investigadores aperceberam-se de que esta não atua apenas no músculo, mas também em células não musculares, que contêm elevadas concentrações de actina, embora em parte na sua forma não polimerizada. Pensou-se então que a profilina sequestrava os monómeros de actina (mantendo-os na sua forma pré-filamentosa) e que os libertava quando a célula recebia um sinal para os tornar mais acessíveis para o rápido crescimento do polímero de actina.