Prolina

Prolina
Nomes
Nome IUPAC (S)-Pyrrolidine-2-carboxylic acid
Outros nomes L-Prolina
(S)-Prolina
D-Prolina
(R)-Prolina
Ácido (2S)-Pirrolidino-2-carboxílico
Ácido (2S)-1,3,4,5-tetraidro-2H-pirrol-2-carboxílico
Ácido (2S)-azaciclopentano-2-carboxílico
Ácido (2S)-azolidino-2-carboxilíco
Pro, P (abreviaturas)
Prolina
Identificadores
Número CAS 147-85-3,(L-Prolina)
344-25-2 (D-Prolina)
609-36-9 {Racêmico; sinônimos: DL-Prolina e (RS)-Prolina}
PubChem 614
DrugBank NUTR00047
Código ATC ATCV06
SMILES
 
  • OC(=O)[C@@H]1CCCN1
Prolina
Propriedades
Fórmula química C5H9NO2
Massa molar 115.12 g mol-1
Densidade 1,35–1,38 g·cm 3 (25 °C),
Ponto de fusão decompõe-se a 220–222 °C (D- e L-Prolina)
210 °C (racêmico)
Solubilidade em água muito solúvel (1500 g·l-1 a 20 °C)
Acidez (pKa) pKCOOH: 1,95
pKNH2: 10,64 (a 25 °C)
Prolina
Riscos associados
Frases R -
Frases S -
LD50 > 5110 mg·kg-1 (rato, oral) 
Prolina
Compostos relacionados
Aminoácidos relacionados Norvalina (ácido 2-aminopentanoico)
Página de dados suplementares
Estrutura e propriedades n, εr, etc.
Dados termodinâmicos Comportamento de fases
Sólido, líquido e gás
Dados espectrais UV, IV, RMN, EM
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão.

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Alerta sobre risco à saúde.

A prolina (símbolo Pro ou P) é um aminoácido proteinogênico utilizado na biossíntese de proteínas.

Definição

A prolina faz parte do grupo dos 20 aminoácidos que participam da composição de proteínas, desse modo, chamados de aminoácidos proteicos ou α-aminoácidos, visto que possuem um grupo amino primário e um grupo carboxila ligados ao mesmo átomo de carbono. Contudo, a estrutura da prolina difere dos demais aminoácidos, pois ela possui um grupo amino secundário e não primário. Sua cadeia lateral é considerada apolar, pois não participa de ligações iônicas ou de hidrogênio, desse modo participando de interações hidrofóbicas. Estruturalmente, a cadeia lateral da prolina e seu N α-amínico formam uma estrutura rígida em anel, com 5 átomos. A geometria da molécula permite, por exemplo, a formação da estrutura fibrosa do colágeno e de proteínas globulares. As propriedades físico-químicas da prolina podem ser observadas no quadro ao lado.

Síntese de prolina

É considerado um aminoácido não essencial, visto que sua síntese ocorre endogenamente a partir do aminoácido glutamato. Inicialmente, o glutamato sintetizado é convertido em γ-glutamil fosfato através da enzima glutamato quinase. A seguir a enzima glutamato desidrogenase o converte em glutamato γ-semialdeído, que é então reduzido pelo NADPH a ∆¹-pirrolina-5-carboxilato de forma espontânea. Por fim, o último passo necessário para a síntese de prolina é a conversão da ∆¹-pirrolina-5-carboxilato em prolina, catalisado pela enzima pirrolina carboxilato redutase.

Propriedades em proteínas

A estrutura cíclica da cadeia lateral da prolina confere à molécula uma rigidez considerável em relação a outros aminoácidos, no entanto afetando a taxa de formação de ligações peptídicas. Comparado com outros tRNAs, a formação de ligação peptídica do Pro-tRNA é lenta, um fenômeno característico dos N-alquil-aminoácidos. A formação da ligação também é lenta entre moléculas de tRNA e cadeias que terminam em prolina, sendo a interação prolina-prolina a mais lenta de todas.

Quando a região amida da prolina realiza ligação peptídica, seu nitrogênio não interage com hidrogênio, ou seja, não atua como doador (apenas como receptor) na ligação de hidrogênio.

A rigidez conformacional da prolina afeta a estrutura secundária da proteína em que está inserida, o que poderia explicar sua maior prevalência em organismos termofílicos. A prolina pode alterar elementos da estrutura secundária como a alfa-hélice e a folha-beta. Contudo, a prolina é frequentemente encontrada nas primeiras posições da N-terminal, onde a perda do hidrogênio da ponte de hidrogênio da amida não produz uma alteração significativa. Em análises de estrutura, foi encontrado que grande parte das prolinas ocorrem no primeiro giro.

Uma sequência de múltiplas prolinas forma uma hélice de poliprolina, a estrutura secundária predominante em colágeno. A hidroxilação da prolina pela prolil hidroxilase aumenta de modo significativo a estabilidade conformacional do colágeno. Por causa disso, a hidroxilação da prolina é um fator bioquímico essencial para conservar o tecido conectivo.

Usos

A prolina e seus derivados são regularmente utilizados como catalisadores assimétricos em reações que usam catalisadores orgânicos. A redução Corey–Bakshi–Shibata (CBS) e a condensação aldólica são exemplos disso.

Na preparação de cerveja, proteínas ricas em prolina são utilizadas para obter turbidez.

A L-prolina serve como osmoprotetor, sendo assim usado em aplicações farmacológicas e biotecnológicas.

Meios de cultura de tecido vegetal podem ser suplementado com prolina. É sabido que a acumulação de prolina em plantas está relacionado com estresse, porém sua função específica continua em debate.

Referências

  1. ↑ Francis A. Carey. Química Orgânica. 7. Ed. São Paulo: editora AMGH Ltda, 2011
  2. ↑ Catálogo da Merck Prolina acessado em 19. Januar 2008
  3. ↑ Hans Beyer und Wolfgang Walter: Lehrbuch der Organischen Chemie, Hirzel Verlag, Stuttgart 1991, ISBN 3-7776-0485-2, S. 823.
  4. ↑ Richard A. Harvey, Denise R. Ferrier. Bioquímica Ilustrada.5.ed. Editora Artmed. 2012
  5. ↑ Pavlov, Michael Y.; Watts, Richard E.; Tan, Zhongping; Cornish, Virginia W.; Ehrenberg, Måns; Forster, Anthony C. (6 de janeiro de 2009). «Slow peptide bond formation by proline and other N-alkylamino acids in translation». Proceedings of the National Academy of Sciences (em inglês). 106 (1): 50–54. ISSN 0027-8424. PMID 19104062. doi:10.1073/pnas.0809211106
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  7. ↑ Berg, Jeremy M.; Tymoczko, John L.; Stryer, Lubert (2002). «Primary Structure: Amino Acids Are Linked by Peptide Bonds to Form Polypeptide Chains». Biochemistry. 5th edition (em inglês). Cópia arquivada em 24 de abril de 2021
  8. ↑ Kim, M. K.; Kang, Y. K. (julho de 1999). «Positional preference of proline in alpha-helices.». Protein Science : A Publication of the Protein Society. 8 (7): 1492–1499. ISSN 0961-8368. PMC 2144370Acessível livremente. PMID 10422838. Cópia arquivada em 10 de abril de 2024
  9. ↑ «Haze & Foam». 11 de julho de 2010. Consultado em 3 de junho de 2018
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  11. ↑ Mattioli, Roberto; Costantino, Paolo; Trovato, Maurizio (novembro de 2009). «Proline accumulation in plants: not only stress». Plant Signaling & Behavior. 4 (11): 1016–1018. ISSN 1559-2324. PMC 2819507Acessível livremente. PMID 20009553