| Renato Kehl | |
|---|---|
| Nome completo | Renato Ferraz Kehl |
| Conhecido(a) por | trabalhos sobre eugenia |
| Nascimento | 22 de agosto de 1889 |
| Morte | 14 de agosto de 1974 (84 anos) |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Ocupação | farmacêutico, médico, escritor, eugenista |
Renato Ferraz Kehl (Limeira, 22 de agosto de 1889 – Interior de São Paulo, 14 de agosto de 1974) foi um farmacêutico, médico, escritor e eugenista brasileiro do início do século XX.
Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1915, Renato Kehl, de estema germânico, atuou no início de sua carreira no Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), realizando atividades voltadas para o saneamento rural e a educação higiênica e sanitária. A partir do final dos anos 1920, tornar-se-ia empresário da indústria farmacêutica, destacando-se como diretor da Bayer no Brasil, multinacional alemã que atuava em diferentes regiões do mundo. Seu nome ficaria mais conhecido pela incansável dedicação à eugenia, a quem chamava de "a religião da humanidade". Para o escritor Monteiro Lobato, com quem mantinha uma estreita amizade e consideráveis afinidades intelectuais, Kehl deveria ser considerado o "pai da eugenia no Brasil", tendo em vista seu empenho na organização do movimento eugênico brasileiro.
Foi eleito membro da Academia Nacional de Medicina em 1932, sucedendo Rodolpho Albino na Cadeira 93, que tem Belisário Penna como patrono.
A adesão de Renato Kehl às ideias formuladas por Francis Galton, o fundador da doutrina eugênica, possibilitou que sua trajetória fosse dedicada à organização do Movimento Eugênico Brasileiro, especialmente entre as décadas de 1910 a 1930, período em que as teorias raciais e as discussões em torno da nacionalidade brasileira estruturavam a maneira como viajantes, escritores, intelectuais e cientistas interpretavam o Brasil.
Em 1918, com a colaboração de um grupo de médicos brasileiros, fundou a Sociedade Eugênica de São Paulo, instituição que contou com mais de uma centena de associados, entre eles Monteiro Lobato, Arnaldo Vieira de Carvalho, Afrânio Peixoto, Artur Neiva, Vital Brazil, Belisário Penna, Juliano Moreira, entre outras importantes lideranças intelectuais da época. Uma década depois criou o Boletim de Eugenia, periódico que circulou entre 1929 e 1933 e que se notabilizou pela divulgação das medidas eugênicas entre os brasileiros. Nesse mesmo período, além de colaborar com a organização do Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia, realizado no Rio de Janeiro, em 1929, também fundou a Comissão Central Brasileira de Eugenia, cujo objetivo era o de auxiliar o governo brasileiro em assuntos relacionados ao melhoramento eugênico do país.
Entre os anos 1910 e 1930, Renato Kehl publicou mais de uma dezena de livros sobre eugenia, com destaque para "Lições de Eugenia" (1929) e "Sexo e civilização - aparas eugênicas" (1933), obras que se caracterizariam pela maior aproximação do autor em direção à 'eugenia negativa', um modelo radical de eugenia que se caracterizava pela defesa de medidas extremas, como a esterilização eugênica dos "degenerados", o controle matrimonial e reprodutivo e a seleção racial dos imigrantes. Durante os anos 1930, sua adesão a essa eugenia mais radical levou o eugenista brasileiro a elogiar publicamente a política eugênica nazista lançada na Alemanha por Adolf Hitler.
Renato Kehl consolidou-se como uma figura emblemática do movimento eugênico brasileiro ao popularizar suas ideias por meio de livros, jornais, palestras, periódicos, conferências e associações, além de manter troca de correspondências com eugenistas estrangeiros. Sua militância em prol da ciência eugênica, embora o tenha colocado em evidência, não foi capaz de produzir um consenso, no meio intelectual da época, sobre quais seriam as bases e propostas de aplicação da eugenia.