Rio Mucuri

 Nota: Se procura outros significados de Mucuri, veja Mucuri (desambiguação).
Rio Mucuri
Rio Mucuri em Nanuque, Minas Gerais
Comprimento321 km
NascenteLadainha
FozOceano Atlântico

O rio Mucuri é um curso de água que banha os estados de Minas Gerais e da Bahia. Com 321 km de comprimento, o rio nasce no nordeste de Minas Gerais e deságua no sul da Bahia. Ele é o principal curso d'água da bacia hidrográfica homônima.

É formado a partir da junção dos rios Mucuri do Norte, cuja nascente fica em Ladainha, e Mucuri do Sul, que nasce em Malacacheta.

Etimologia

No idioma maxacali a palavra mucuri significa rio das raposas.

Bacia hidrográfica

A bacia do rio Mucuri faz parte da bacia agrupada do Atlântico Leste, estende-se por 17 municípios, sendo 13 mineiros, incluindo Teófilo Otoni e Nanuque que são as maiores cidades do seu percurso, e outros 4 baianos e capixabas. Compõe uma área com cerca de 15.400 km² e quase 437 mil habitantes nos estados da Bahia, Espírito Santo, e Minas Gerais, onde está quase 95% da bacia (14.640 km²) e uma população residente estimada em 296.845 habitantes.

A bacia limita-se com as bacias dos rios Jequitinhonha a oeste, Peruíbe e Itanhém ao norte, São Mateus e Itaúnas ao sul, e pelo Oceano Atlântico a leste.

História

Vale do rio Mucuri em 1866

A colonização do vale do Mucuri foi iniciada somente em 1859 para a exploração de madeira. Atualmente, essa atividade econômica foi parcialmente substituída pela pecuária e pela agricultura de subsistência.

Curso

O rio Mucuri forma-se no nordeste de Minas Gerais pela confluência do rio Mucuri do Norte, que nasce em Ladainha, com o rio Mucuri do Sul, nascido em Malacacheta. A partir dessa junção, corre predominantemente no sentido oeste-leste ao longo de cerca de 321 km, atravessando o vale do Mucuri e passando por Teófilo Otoni e Nanuque — as maiores cidades de seu percurso —, antes de cruzar para o sul da Bahia e desaguar no oceano Atlântico, junto ao município litorâneo de Mucuri. Ao longo do trajeto, recebe diversos afluentes que drenam o vale, sobretudo em sua porção mineira. Em todo o seu percurso, o rio atravessa os estados de Minas Gerais e da Bahia até alcançar o mar.

A ocupação sistemática do vale do Mucuri esteve ligada à Companhia de Comércio e Navegação do Mucuri, fundada em 1847 pelo político Teófilo Otoni com o objetivo de organizar o transporte e a exploração da região, ligando o interior de Minas Gerais ao litoral. A partir do rio e de estradas abertas no vale, Otoni fundou em 1853 o povoado de Filadélfia — que daria origem à cidade de Teófilo Otoni —, em meio à resistência dos indígenas botocudos. Entre as obras associadas ao empreendimento esteve a abertura, em 1857, da estrada entre Santa Clara e Filadélfia, com cerca de 170 km, apontada como uma das primeiras rodovias do interior do país. O povoado prosperou rapidamente e, em 1878, foi elevado à categoria de cidade com o nome de Teófilo Otoni, em homenagem ao seu fundador. A colonização do vale, voltada inicialmente à exploração de madeira, atraiu também imigrantes europeus para a região. Esse processo de ocupação é considerado um marco da expansão da fronteira e da integração do nordeste de Minas Gerais ao restante do país ao longo do século XIX.

Meio ambiente

A bacia do Mucuri integra o domínio da Mata Atlântica, cujas florestas foram extensamente reduzidas a partir da exploração madeireira e, posteriormente, da expansão da pecuária e da agricultura, processos que reduziram de forma significativa a cobertura florestal original do vale ao longo dos séculos XIX e XX. A Agência Nacional de Águas inclui a bacia entre as unidades hidrográficas da vertente atlântica leste acompanhadas quanto à disponibilidade e à qualidade da água. A maior parte da bacia situa-se em território mineiro, onde se concentram suas principais cidades e a maior pressão sobre os recursos naturais.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Bacia do Mucuri». Companhia Energética de Minas Gerais. Consultado em 25 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2019
  2. 1 2 3 4 5 6 7 ANA. «Bacia Hidrográfica do Rio Mucuri» (PDF). Consultado em 6 de maio de 2010
  3. 1 2 3 4 Duarte, Regina Horta (2002). «Olhares Estrangeiros. Viajantes no vale do rio Mucuri». Revista Brasileira de História. 22 (44). ISSN 1806-9347. doi:10.1590/S0102-01882002000200002
  4. 1 2 3 4 «História». Câmara Municipal de Teófilo Otoni. Consultado em 24 de junho de 2026. Cópia arquivada em 24 de junho de 2026

Ligações externas

Ícone de esboço Este artigo sobre hidrografia do Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.