Rio Sordo

Rio Sordo
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Localização
País
Localização
Coordenadas
Dimensões
Comprimento
20 km
Hidrografia
Tipo
Bacia hidrográfica
Área da bacia
50 km2
Nascente
Foz

Rio Sordo é um curso de água português do distrito de Vila Real, afluente do rio Corgo, integrando a bacia hidrográfica do rio Douro. A sua bacia situa-se no Norte de Portugal, na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, e tem cerca de 50 km² de área, sendo drenada por um curso principal com aproximadamente 20 km de extensão.

Nasce na área da Serra do Marão e percorre zonas rurais do município de Vila Real, passando pela área de Arrabães e pela freguesia de Torgueda, antes de confluir com o rio Corgo. No seu curso foi construída a Barragem de Sordo, utilizada para abastecimento de água e produção de energia hidroeléctrica.

Curso e bacia hidrográfica

A bacia hidrográfica do rio Sordo localiza-se no Norte de Portugal, no distrito de Vila Real, e integra a bacia hidrográfica do Douro, caracterizando-se como pequena bacia hidrográfica, com cerca de 50,2 km², drenada por um curso de água principal com cerca de 20 km de extensão.

O rio tem origem na área montanhosa associada à Serra do Marão e atravessa a zona do vale da Campeã e áreas rurais a ocidente e sudoeste da cidade de Vila Real. O rio atravessa Arrabães e segue pelos contrafortes da freguesia de Torgueda em direcção à Cumieira, separando, em parte do percurso, Torgueda de Mondrões e Parada de Cunhos.

A Agência Portuguesa do Ambiente, no Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Douro, identifica o Rio Sordo como massa de água da Região Hidrográfica do Douro, classificando-o entre os "Rios do Norte de Pequena Dimensão".

Geologia e solos

Do ponto de vista geológico, a bacia do rio Sordo insere-se numa região de rochas cristalinas, onde dominam metassedimentos paleozóicos intruídos por granitos hercínicos. Na zona de contacto entre granitos e xistos da Formação da Desejosa ocorrem intrusões filoneanas de aplitos, com orientação predominante noroeste-sudeste; segundo os estudos hidrogeológicos da bacia, esse dique aplítico funcionou como barreira à drenagem do vale da Campeã, favorecendo a acumulação de depósitos coluviais-aluviais provenientes dos cumes do Marão e do Alvão.

Os solos predominantes na bacia são os leptossolos, que ocupam a maior parte da área. Surgem também fluvissolos na zona do vale da Campeã e antrossolos no sector mais a jusante da bacia hidrográfica. A área apresenta ainda fracturação intensa, com sistemas dominantes de direcção nordeste-sudoeste a nor-nordeste/sul-sudoeste e um sistema conjugado noroeste-sudeste.

Barragem de Sordo

A Barragem de Sordo localiza-se no município de Vila Real, tendo sido construída no curso do rio Sordo. Tem como utilizações principais o abastecimento de água e a produção de energia. O promotor da obra foi a Câmara Municipal de Vila Real em associação com a Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião, tendo como dono de obra, no Registo de Segurança de Barragens, a Águas do Norte, S.A.; o projecto é de 1991 e a obra foi concluída em 1997.

A barragem é de betão, do tipo gravidade com curvatura, com 36 m de altura acima da fundação e 108 m de comprimento de coroamento. A albufeira tem capacidade total de cerca de 1 hm³ e superfície inundável de 0,084 km² ao nível pleno de armazenamento. O aproveitamento inclui ainda uma central hidroeléctrica afastada da barragem, equipada com dois grupos Pelton, com potência total instalada de 10 MW e produção média anual indicada de 25 GWh.O sistema inclui ainda um túnel com 2395 m e por uma conduta forçada de 1,2 m de diâmetro e 920 m de comprimento.

Qualidade da água e vulnerabilidade à contaminação

A bacia hidrográfica do rio Sordo tem sido objecto de estudos hidrogeológicos e ambientais, em particular sobre vulnerabilidade à contaminação das águas subterrâneas. Em 2004, investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro aplicaram o método DRASTIC à bacia, com o objectivo de avaliar a vulnerabilidade das águas subterrâneas à contaminação. Estudos posteriores compararam metodologias de avaliação de vulnerabilidade, incluindo versões fuzzy-DRASTIC, usando a mesma bacia como área de estudo.

A análise publicada em Cadernos de Geografia assinala que as áreas de vulnerabilidade intrínseca moderada localizadas no sector oeste da bacia, correspondentes à cabeceira do curso de água principal, não se traduzem necessariamente em risco potencial moderado ou elevado, devido à ocupação florestal dessas zonas. Por outro lado, zonas associadas a depósitos aluvionares e a usos agrícolas ou urbanos podem apresentar maior susceptibilidade, em função da permeabilidade dos materiais e das fontes potenciais de contaminação.

Documentos municipais de planeamento de Santa Marta de Penaguião, com base em dados do SNIRH, referem a estação da Albufeira do rio Sordo e indicam que, em 2013, a qualidade da água foi classificada como “má”, embora em outros anos tenha variado entre “razoável” e “boa”, com anos pontuais de classificação “muito má”.

Toponímia e tradição oral

O nome do rio é associado localmente ao fenómeno conhecido como “Seco do rio Sordo”. Segundo uma recolha de tradição oral integrada no Lendarium, projecto ligado à UTAD e ao Centro de Estudos em Letras, havia uma zona em que o rio desaparecia ao entrar numa falha geológica, voltando a surgir mais abaixo. A mesma tradição relaciona o nome “Sordo” com o facto de o rio, ao desaparecer no subsolo, deixar de ser ouvido.

A recolha oral afirma que esse desaparecimento ocorria numa extensão aproximada de cinquenta metros antes da construção da Barragem de Sordo.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Fernando A. L. Pacheco; Alcino S. Oliveira; Ana M. P. Alencoão; Isabel Cristina Ribeiro; Maria João Faria (2004). «Avaliação da vulnerabilidade à contaminação das águas subterrâneas pelo método DRASTIC na bacia hidrográfica do rio Sordo, Vila Real» (PDF). 7.º Congresso da Água — Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos. Consultado em 27 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 27 de maio de 2026
  2. 1 2 3 Gonçalo J. P. Carvalho; Fernando A. L. Pacheco (2010). «Análise da vulnerabilidade à contaminação das águas subterrâneas na bacia hidrográfica do rio Sordo (Vila Real) pelo método fuzzy-DRASTIC» (PDF). Recursos Hídricos. 31 (1): 47–60. Consultado em 27 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 27 de maio de 2026
  3. 1 2 3 4 «O Seco do rio Sordo». Lendarium — Arquivo Português de Lendas. UTAD / Centro de Estudos em Letras. Consultado em 27 de maio de 2026. Cópia arquivada em 27 de maio de 2026
  4. 1 2 3 4 5 «Sordo». Comissão Nacional Portuguesa das Grandes Barragens / Agência Portuguesa do Ambiente. Consultado em 27 de maio de 2026
  5. ↑ «Região Hidrográfica do Douro (RH3) — Parte 2, Anexos» (PDF). Agência Portuguesa do Ambiente. 2016. Consultado em 27 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 27 de maio de 2026
  6. 1 2 3 4 5 Gonçalo Carvalho (2013). «Vulnerabilidade à contaminação de águas subterrâneas: comparação de modelos baseados no método DRASTIC». Cadernos de Geografia (32): 289–299. Consultado em 27 de maio de 2026. Cópia arquivada em 27 de maio de 2026
  7. ↑ Alteração do regime fluvial a jusante de pequenos aproveitamentos hidroeléctricos (PDF) (Tese). Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa. 2013. Consultado em 27 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 27 de maio de 2026
  8. ↑ «Plano de Ação de Regeneração Urbana de Santa Marta de Penaguião — atualização de outubro de 2020» (PDF). Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião. 2020. Consultado em 27 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 26 de junho de 2024

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