Sir Robert Tony WatsonCMGFRS(nascido em 21 de março de 1948) é um químico britânico que trabalha com questões relacionadas às ciências atmosféricas, incluindo a destruição da camada de ozônio, o aquecimento global e a paleoclimatologia, desde a década de 1980. Mais recentemente, Watson atuou como copresidente da avaliação do relatório Global Environment Outlook 2025, das Nações Unidas. Número do documento: DEW/2728/NA. Apenas os copresidentes da avaliação estão listados como autores.
Em 1996, ingressou no Grupo Banco Mundial como conselheiro científico sênior do Departamento de Meio Ambiente. Em 1997, tornou-se diretor desse departamento e chefe do Conselho Setorial de Meio Ambiente, exercendo posteriormente o cargo de cientista-chefe e conselheiro sênior para o Desenvolvimento Sustentável. Em agosto de 2007, assumiu a cátedra de Ciências Ambientais e a direção científica do Centro Tyndall para Pesquisa sobre Mudanças Climáticas, na Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e, em setembro do mesmo ano, passou a atuar como conselheiro científico-chefe do Departamento para o Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) do governo britânico.
Foi presidente do Painel Consultivo Científico e Técnico do Fundo Global para o Meio Ambiente entre 1991 e 1994, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de 1997 a 2002 e copresidente do conselho da Avaliação Ecossistêmica do Milênio entre 2000 e 2005. Posteriormente, dirigiu a Avaliação Internacional do Conhecimento, Ciência e Tecnologia Agrícolas para o Desenvolvimento, realizada entre 2005 e 2007. Também foi copresidente da Avaliação Científica da Destruição da Camada de Ozônio para os relatórios publicados entre 1994 e 2006. Presidiu ou copresidiu ainda outras avaliações científicas internacionais, incluindo o Grupo de Trabalho II do IPCC, avaliações conjuntas do PNUMA/OMM e a Global Biodiversity Assessment do PNUMA.
Watson foi nomeado Knight Bachelor nas Honras de Ano-Novo de 2012 pelos serviços prestados ao governo.
Atualmente é diretor de Desenvolvimento Estratégico do Centro Tyndall para Pesquisa sobre Mudanças Climáticas, na Universidade de East Anglia.
Em 29 de fevereiro de 2016, Watson foi eleito presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) durante a quarta sessão plenária da organização, após ter exercido anteriormente o cargo de vice-presidente.
Opiniões
O jornalista Andrew Revkin, escrevendo para o The New York Times, descreveu Watson como "um defensor franco da ideia de que as ações humanas — principalmente a queima de carvão e petróleo — estão contribuindo para o aquecimento global e precisam ser modificadas para evitar graves perturbações ambientais".
Em abril de 2002, os Estados Unidos defenderam e obtiveram a substituição de Watson por Rajendra Pachauri na presidência do IPCC. Segundo a revista New Scientist, "a indústria do petróleo parece estar por trás da iniciativa". A campanha do setor petrolífero para afastar Watson começou poucos dias após a posse de George W. Bush, em janeiro de 2001, com um memorando enviado à Casa Branca por Randy Randol, da petrolífera ExxonMobil, perguntando: "Can Watson be replaced now at the request of the US?" ("Watson pode ser substituído agora a pedido dos Estados Unidos?").
Em 2000, Watson afirmou:
A esmagadora maioria dos especialistas científicos, embora reconheça a existência de incertezas científicas, acredita que as mudanças climáticas induzidas pelo ser humano são inevitáveis. De fato, nos últimos anos, muitas partes do mundo sofreram grandes ondas de calor, inundações, secas, incêndios e eventos climáticos extremos que provocaram perdas econômicas significativas e perda de vidas humanas. Embora eventos individuais não possam ser diretamente atribuídos às mudanças climáticas provocadas pelo ser humano, prevê-se que a frequência e a magnitude desse tipo de evento aumentem em um mundo mais quente.
A questão não é se o clima mudará em resposta às atividades humanas, mas sim quanto mudará (a magnitude), com que rapidez (a taxa de mudança) e onde (os padrões regionais). Também está claro que as mudanças climáticas afetarão negativamente, em muitas partes do mundo, diversos setores socioeconômicos, incluindo os recursos hídricos, a agricultura, a silvicultura, a pesca e os assentamentos humanos, bem como os sistemas ecológicos (especialmente as florestas e os recifes de coral) e a saúde humana (em especial as doenças transmitidas por insetos), sendo os países em desenvolvimento os mais vulneráveis. A boa notícia, entretanto, é que a maioria dos especialistas acredita que reduções significativas nas emissões líquidas de gases de efeito estufa são tecnicamente viáveis graças a uma ampla variedade de tecnologias e medidas de política pública nos setores de oferta e demanda de energia, bem como na agricultura e na silvicultura. Além disso, os efeitos adversos projetados das mudanças climáticas sobre os sistemas socioeconômicos e ecológicos podem, em certa medida, ser reduzidos por meio de medidas proativas de adaptação. Essas são as conclusões fundamentais, extraídas das avaliações já aprovadas e aceitas pelo IPCC, de uma análise cuidadosa e objetiva de todas as informações científicas, técnicas e econômicas relevantes realizada por milhares de especialistas das áreas pertinentes da ciência, provenientes da academia, de governos, da indústria e de organizações ambientais de todo o mundo.