| Roman Rosdolsky | |
|---|---|
| Nascimento | 19 de julho de 1898 Lviv |
| Morte | 20 de outubro de 1967 (69 anos) Detroit |
| Cidadania | Áustria-Hungria, República Popular da Ucrânia Ocidental, Polónia |
| Ocupação | historiador social, economista, arquivista, escritor, político, historiador, cientista político, Trotskyist |
| Empregador(a) | Universidade de Lviv |
| Ideologia política | marxismo |
Roman Rosdolsky (em ucraniano: Рома́н О́сипович Роздо́льський Roman Osipovič Rozdol's'kyj; Lemberg, 19 de julho de 1898 — Detroit, 15 de outubro de 1967) foi um importante pensador marxista e ativista político ucraniano.
Nasceu em 19 de julho de 1898, em Lemberg, na Galícia, que à época fazia parte do Império Austro-Húngaro, e hoje é conhecida como Lviv, na Ucrânia. Morreu em Detroit, nos Estados Unidos, em 15 de outubro de 1967. A cidade de Lviv foi anexada pela Polônia depois da Primeira Guerra Mundial, ocupada pelo Exército Vermelho em setembro de 1939, ocupada pelos nazistas em 1941, e libertada em 1944 pelo Exército Vermelho. O pai de Rosdolsky era um linguista ucraniano de alguma reputação.
Quando jovem, Rosdolsky foi membro dos Círculos Drahomanov, organização socialista ucraniana. Ele foi incorporado ao exército imperial em 1915 e editou com Roman Turiansky a revista Klyči em 1917. Foi um dos fundadores da Social Democracia Internacional Revolucionária (IRSD) e estudou direito em Praga. Durante a I Guerra Mundial, fundou o movimento antimilitarista "Internationale Revolutionäre Sozialistische Jugend Galiziens" (Juventude Internacional Revolucionária Socialista da Galicia). Tornou-se membro do Comitê Central do Partido Comunista da Galícia Oriental. Em 1925, recusou-se a condenar Trotsky e sua Oposição de Esquerda e, posteriormente, no final dos anos 1920, foi expulso do Partido Comunista.
Entre 1926 e 1931, foi correspondente em Viena do Instituto Marx-Engels de Moscou, encarregado de pesquisar nos arquivos austríacos documentos relacionados a Marx e Engels e aos primórdios do movimento socialista. Nesta época, em 1927, conheceu sua esposa, Emily. Com a repressão ao movimento operário na Áustria em 1934, retornou a Lviv, onde trabalhou na universidade como docente. Publicou o periódico trotskista Žittja i slovo entre 1934 e 1938, mas foi preso pela Gestapo em 1942, sobrevivendo à prisão nos campos de concentração de Auschwitz, Ravensbrück e Oranienburg. Emigrou para os EUA em 1947, trabalhando ali como um pesquisador independente, pois não pode obter uma posição docente nas universidades em função da perseguição macartista.
Rosdolsky é conhecido principalmente por seus trabalhos de interpretação da obra de Marx e, em particular, por seu livro Zur Entstehungsgeschichte des Marxschen "Kapital". Der Rohentwurf des "Kapital" 1857–58 (traduzido para o português como Gênese e estrutura de "O Capital" de Karl Marx). Editado na Alemanha em 1968, um ano após a morte de seu autor, o livro é resultado de quase vinte anos de trabalho. Faz um exame minucioso dos manuscritos econômicos redigidos por Marx entre 1857 e 1858 e publicados postumamente com o título de Grundrisse der Kritik der politischen Ökonomie (que pode ser traduzido como Elementos fundamentais para a crítica da economia política), relacionando-os com os livros da maturidade de Marx, em especial as Teorias da Mais-valia e O Capital, para, então, explicar "O Capital" a partir de uma longa e profunda análise de seu método, o principal tema da obra.
Mas Rosdolsky publicou também muitos outros trabalhos, voltados em sua maioria para temas de história (ver a relação abaixo). Durante sua vida correspondeu com muitos autores marxistas bem conhecidos, inclusive com Isaac Deutscher, Ernest Mandel, Paul Mattick, e Karl Korsch. Mandel considerou seu trabalho sobre a "questão nacional" como a única crítica marxista ao próprio Marx.
Uma descrição dos arquivos de Rosdolsky pode ser encontrada no sítio do Instituto Internacional de História Social
Roman Rosdolsky, Gênese e estrutura de O Capital de Karl Marx. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001.