Rui Aguiar da Silva Leme | |
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| Presidente do Banco Central do Brasil | |
| Período | março de 1967 – setembro de 1967 |
| Presidente da República | Costa e Silva |
| Antecessor(a) | Dênio Chagas Nogueira |
| Sucessor(a) | Ernane Galvêas |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 7 de maio de 1925 São Paulo, SP |
| Morte | 22 de dezembro de 1997 (72 anos) São Paulo, SP |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Alma mater | Escola Politécnica da Universidade de São Paulo |
| Cônjuge | Maria Alice Vanzolini da Silva Leme |
| Filhos(as) | 5 |
| Profissão | Engenheiro civil, professor universitário |
Rui Aguiar da Silva Leme (São Paulo, 7 de maio de 1925 – São Paulo, 22 de dezembro de 1997) foi um engenheiro civil, professor universitário e administrador brasileiro. Titular de cátedra tanto na Escola Politécnica quanto na Faculdade de Economia e Administração, ambas da USP, idealizou e implantou a graduação em engenharia de produção na Politécnica e liderou a fundação da Fundação Carlos Alberto Vanzolini. Na esfera pública, exerceu a presidência do Banco Central do Brasil em 1967, no governo Costa e Silva.
Seus pais foram José Hildebrando da Silva Leme e Sílvia Aguiar da Silva Leme. Cursou o primário e o secundário no Ginásio Bandeirantes, em São Paulo, e em 1948 diplomou-se engenheiro civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Nos três anos seguintes, atuou como engenheiro na Sociedade Comercial Construtora (1949–1951).
Ingressou no corpo docente da Escola Politécnica da USP, onde lecionou economia política, estatística aplicada e organização administrativa por 31 anos. Conquistou a livre-docência por concurso em 1951 e a cátedra em 1957.
Foi o responsável pela criação do curso de engenharia de produção na Escola Politécnica. O curso foi aprovado em maio de 1958 como modalidade da engenharia mecânica, teve início em 1959 e formou sua primeira turma em 1960. Permaneceu como opção da engenharia mecânica até 1970, quando a Congregação da Escola Politécnica aprovou a criação de uma graduação autônoma em engenharia de produção. Em 3 de abril de 1963, foi eleito o primeiro chefe do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica.
Liderou os professores do Departamento na criação da Fundação Carlos Alberto Vanzolini, durante a Primeira Semana de Engenharia de Produção, com o objetivo de publicar livros e oferecer cursos de extensão e de aperfeiçoamento relacionados à engenharia de produção e à administração de empresas. Presidiu a Fundação em dois períodos: 1967 e 1976–1983.
Esteve à frente da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da USP de 1958 a 1960. Nesse período, estruturou o Departamento de Administração e introduziu programas de pós-graduação na unidade. Em 1961 passou a integrar o quadro docente do Departamento de Administração como professor contratado, alcançando a cátedra em 1965. Chefiou o Departamento em duas ocasiões (1973–1977 e 1981–1985) e dirigiu o Instituto de Administração entre 1973 e 1975.
Lecionou ainda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e na Escola de Engenharia de São Carlos, onde também atuou como assessor da Reitoria.
Na Universidade de São Paulo, exerceu os cargos de pró-reitor, coordenador da Câmara de Graduação, presidente da Comissão de Cooperação Internacional e presidente do conselho da Fundação para o Vestibular (1986).
Foi assessor da CAPES e do CNPq para assuntos na área de engenharia de produção entre 1976 e 1985, e integrou o conselho superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo em 1988.
Em 1965, viajou a Montevidéu a convite da Organização dos Estados Americanos (OEA) para ministrar curso de controles da produção.
Durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961), atuou na Secretaria Especial de Previdência do Trabalho e chefiou a Comissão de Salário Mínimo de São Paulo, órgãos vinculados ao Ministério do Trabalho.
De 1959 a 1962, no governo de Carlos Alberto Carvalho Pinto em São Paulo, dirigiu o departamento de estudos econômicos do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) e participou do grupo encarregado do planejamento estadual. Nessa função, coordenou a implantação de três fundos previstos no primeiro plano de ação do governo paulista — voltados, respectivamente, à expansão agropecuária, ao fortalecimento das indústrias de base e ao financiamento da produção de bens de capital.
Entre 1965 e 1966, contribuiu para a formulação dos componentes industrial e regional do Plano Decenal elaborado pelo governo Castelo Branco, além de ter participado do Conselho Consultivo de Planejamento e do Conselho Nacional de Economia.
Em 1966, durante a gestão de Roberto de Abreu Sodré no governo de São Paulo, dirigiu a carteira de expansão econômica do Banespa. Foi membro do conselho de administração da Indústrias Villares e da Aços Villares entre 1966 e 1967. Em 1964 assumiu a vice-presidência da Fiação Brasileira de Rayon, Fibra S.A., cargo que manteve por 16 anos.
Em março de 1967, no início do governo do presidente Costa e Silva, assumiu a presidência do Banco Central do Brasil, sucedendo Dênio Nogueira.
À frente do Banco Central, adotou uma série de medidas regulatórias: instituiu o sistema pelo qual empréstimos obtidos no exterior passaram a ser repassados ao mercado interno por intermédio da rede bancária nacional; restringiu a atuação das financeiras ao financiamento direto ao consumidor; fixou em 10% a parcela dos depósitos bancários a ser obrigatoriamente canalizada para o crédito rural; e estabeleceu normas para a instalação de novas agências bancárias no país.
O cargo lhe conferiu assento no Conselho Monetário Nacional e no Conselho Nacional de Política Salarial. Representou o Brasil como governador suplente junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e como governador adjunto no Banco Mundial e no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
No exercício da presidência, representou o país em fóruns financeiros internacionais: esteve na reunião anual de governadores do BID em Washington, no encontro de dirigentes de bancos centrais do continente americano em Montreal e na conferência de presidentes de bancos centrais latino-americanos em Lima, entre outros eventos. Coube-lhe ainda a organização da assembleia conjunta do FMI e do BIRD, que naquele ano teve lugar no Rio de Janeiro.
Sua passagem pelo Banco Central durou cerca de seis meses. Em encontro com banqueiros de São Paulo, criticou abertamente o que considerava insuficiência de comunicação entre o governo e o sistema financeiro. Essas declarações, somadas a pronunciamentos em entrevista televisiva tidos como inoportunos, resultaram em sua exoneração por determinação de Costa e Silva em setembro de 1967. O economista Ernane Galvêas foi nomeado seu sucessor.
Após deixar o Banco Central, transitou entre o setor privado e a universidade. Esteve à frente de uma empresa de crédito e financiamento e atuou como coordenador técnico da Associação Nacional de Planejamento Econômico e Social (1968–1969). Trabalhou na Hidroservice, na área de projetos de engenharia (1970–1971), e assumiu a superintendência do grupo empresarial Cícero Prado (1971–1973).
Do casamento com Maria Alice Vanzolini da Silva Leme nasceram cinco filhos. Morreu em São Paulo em 22 de dezembro de 1997.
| Precedido por Dênio Chagas Nogueira |
Presidente do Banco Central do Brasil 1967 |
Sucedido por Ernane Galvêas |