| Sistema Interligado Nacional | |
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| Atividade | Energia elétrica |
O Sistema Interligado Nacional (SIN) é o sistema brasileiro de coordenação e controle da produção e transmissão de energia elétrica, formado pelas empresas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte. Trata-se de um sistema hidrotérmico de grande porte, com predominância de usinas hidrelétricas e múltiplos proprietários, tanto estatais quanto privados. Foi criado em 1998, por meio da Resolução nº 351/1998 do Ministério de Minas e Energia, em conformidade com a Lei nº 9.648/1998 e o Decreto nº 2.655/1998. O SIN é operado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que tem como funções garantir o equilíbrio entre oferta e demanda, otimizar o uso dos recursos energéticos e assegurar a confiabilidade do suprimento.
Apenas cerca de 1,7% da capacidade de geração elétrica do Brasil está fora do SIN, em pequenos sistemas isolados, localizados principalmente na região amazônica.
O Brasil conta com uma matriz elétrica diversificada, composta principalmente por:
Essa diversidade garante complementaridade entre fontes:
O ONS coordena o despacho de energia de forma a aproveitar ao máximo essas complementaridades, o que ajuda a evitar apagões e manter o fornecimento estável. Em crises severas, o sistema pode acionar termelétricas e importar energia de países vizinhos, como Argentina e Uruguai.
O SIN é formado por quatro grandes subsistemas interligados, mais sistemas isolados:
A interligação entre os subsistemas é feita por linhas de transmissão de alta tensão, permitindo trocas de energia para equilibrar a oferta entre diferentes regiões e épocas do ano, aproveitando a sazonalidade dos rios e transferindo excedentes de energia elétrica durante o período das cheias em cada região.
O estado do Amazonas esteve historicamente fora do SIN, mas desde 2013 a capital Manaus e parte da região metropolitana estão conectadas ao sistema por uma única linha de transmissão principal, no âmbito do projeto Interligação Tucuruí–Macapá–Manaus. Essa linha, em alta tensão e corrente contínua (HVDC), parte da hidrelétrica de Tucuruí (PA), passa pelo Amapá e chega ao Amazonas, permitindo que Manaus receba energia gerada principalmente por hidrelétricas da região Norte. Antes dessa interligação, Manaus dependia quase exclusivamente de usinas termelétricas a óleo diesel e gás natural.
Apesar da ligação, a capital amazonense permanece vulnerável: a dependência de uma única interligação significa que eventuais falhas podem isolar temporariamente a cidade, exigindo o acionamento de geração térmica local. No interior do estado, a maioria dos municípios ainda opera com geração própria, sem ligação ao sistema interligado.
Boa Vista, capital de Roraima, era a única capital brasileira que ainda não estava conectada ao SIN. A cidade dependia de geração térmica local e, até 2019, complementava o suprimento com energia importada da Venezuela. Seu abastecimento era garantido principalmente por usinas termelétricas movidas a óleo diesel e gás natural, o que encarece e torna mais poluente a matriz energética local.
O Linhão de Tucuruí foi licitado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2011. A obra, no entanto, foi alvo de um impasse judicial com os indígenas que vivem na reserva Waimiri Atroari, por onde irão passar 122 km de torres. Em setembro de 2022, a Justiça Federal homologou um acordo entre a Transnorte Energia, órgãos federais e o povo indígena Waimiri Atroari estabelecendo um plano de compensações socioambientais por causa dos impactos irreversíveis que terão na floresta. O novo prazo de conclusão das obras era até dezembro de 2025.
A entrada em operação definitiva do trecho ocorreu em 18 de setembro de 2025. A linha é operada pela Transnorte Energia, um consórcio formado pela Eletrobras (64,6%) e Alupar (35,4%)
O trecho recebeu investimentos de R$ 3,3 bilhões e conta com 725 km de extensão, em u/m circuito duplo de 500 quilovolts (kV). A conexão vai da Subestação Engenheiro Lechuga, em Manaus (AM), até a Subestação Boa Vista, na capital de Roraima, com um ponto intermediário em Rorainópolis (RR)
Existem cerca de 212 localidades que não estão ligadas ao SIN, desde pequenas comunidades indígenas até cidades de médio porte. A maioria fica na Amazônia, mas há sistemas isolados também no Mato Grosso e em Fernando de Noronha (PE).