SS Batavia

O SS Batavia foi um navio de passageiros britânico operado inicialmente pela Cunard Line na rota transatlântica entre Liverpool e Nova Iorque. Construído em 1870 pelos estaleiros da William Denny & Co. em Dumbarton, o navio fazia parte do plano de expansão da Cunard para garantir um serviço postal semanal estável.

SS Batavia
 Reino Unido
NomeBatavia (1870-1881)
Tacoma (1892-1898)
Shikotan Maru (1898-1924)
ProprietárioCunard Line (1870-1880)
John Elder & Co. (1880-1884)
Guion Line (1884-1892)
Northern Pacific Steamship Company (1892-1905)
Marinha Imperial Japonesa (1905-1924)
FabricanteWilliam Denny & Co., Dumbarton
Lançamento1 de fevereiro de 1870
Viagem inaugural10 de maio de 1870
Porto de registroLiverpool, Inglaterra
Número do casco137
RotaLiverpool–Nova Iorque
Período de serviço1870-1924
DestinoDesmantelado em 1924.
Características gerais
Tipo de navioTransatlântico
Tonelagem2.553 GRT
Comprimento99,8 metros (327,4 pés)
Boca12 metros (39,3 pés)
Pontal5,6 metros (18,6 pés)
PropulsãoHélice, 1 chaminé

História

Construção

O Batavia foi encomendado em 1869 dentro do mesmo pacote de modernização da Cunard Line. A escolha da William Denny & Brothers foi estratégica: o estaleiro recém-instalado no Rio Leven (Dumbarton) era famoso por sua vanguarda científica na hidrodinâmica de cascos e uso pioneiro de materiais. O navio recebeu o número de construção 137 no estaleiro.

Construído inteiramente com placas de ferro forjado, o design do casco do Batavia passou pelo escrutínio do jovem engenheiro William Denny III. Foi justamente em 1870, ano de entrega do Batavia, que ele convenceu o estaleiro a adotar o sistema de testes progressivos de velocidade em milha medida (progressive speed trials). O Batavia foi um dos primeiros navios da Cunard a ter sua eficiência de casco e arrasto calculados com critérios quase matemáticos antes de cruzar o Atlântico.

Ele foi equipado com um motor a vapor de expansão simples de dois cilindros inversos diretos, fabricado pela própria Denny & Co., gerando cerca de 450 cavalos de potência indicados (IHP). O motor movia uma hélice única de ferro fundido.

Assim como os "quase irmãos", foi configurado com três mastros com cordoaria do tipo barque (velas quadradas nos dois primeiros mastros). Isso garantia propulsão auxiliar para economizar carvão em mar aberto.

O casco do Batavia foi lançado ao mar com sucesso nas águas do Rio Leven em 1 de fevereiro de 1870. Após flutuar, ele foi rebocado para as docas de acabamento do estaleiro, onde recebeu suas caldeiras, sua única chaminé e a montagem das acomodações. Ele foi projetado para ser menor que o Algeria, medindo 99,7 metros de comprimento (327,4 pés) e 11,9 metros de largura (39,3 pés), registrando 2.553 toneladas de arqueação bruta (TAB).

Carreira

O Batavia iniciou sua jornada comercial em 10 de maio de 1870, partindo de Liverpool rumo a Nova York. Durante sua primeira década, operou como um navio postal e de passageiros regular da Cunard.

Em novembro de 1872, sob o comando do Capitão John E. Mouland, o Batavia protagonizou um resgate heroico no meio de uma tempestade no Atlântico, salvando a tripulação do navio de carga Charles Ward que estava afundando. O famoso escritor americano Mark Twain era um dos passageiros a bordo. Impressionado com a bravura da tripulação, Twain escreveu uma carta pública detalhada à Royal Humane Society de Londres elogiando o ato, o que gerou grande publicidade positiva para a Cunard.

Venda a Guion Line

Em 1880, a Cunard precisava de navios maiores e de aço. Como parte do pagamento para o estaleiro John Elder & Co. construir o moderno SS Servia, a Cunard entregou o Batavia e o seu companheiro SS Parthia como "moeda de troca".

O navio foi reformado, recebeu motores de expansão tripla e passou a ser operado pela Guion Line. Ele foi transferido para o Oceano Pacífico, realizando fretes e transporte de trabalhadores e imigrantes na rota entre a América do Norte (Vancouver/Tacoma) e a Ásia (Yokohama/Hong Kong). Em 1882, participou de uma campanha egípcia.

Em 1892, o navio foi comprado pela Northern Pacific Steamship Company. Para homenagear seu porto de registro em Washington, ele foi rebatizado como SS Tacoma. Ele passou a operar em rotas desafiadoras no Alasca durante a Corrida do Ouro de Klondike, além de manter suas viagens transpacíficas.

A maior reviravolta na história do navio ocorreu na virada do século. Vendido para operadores asiáticos em 1905, ele foi renomeado como Shikotan Maru.

Carreira no Japão

Durante a Guerra Russo-Japonesa (1904–1905), o navio acabou se envolvendo diretamente no conflito logístico regional. Ele foi formalmente capturado pelas forças navais japonesas, passando a servir ao esforço de guerra e, posteriormente, à marinha mercante civil controlada pelo Império do Japão.

O ex-Batavia continuou operando sob bandeira japonesa por mais duas décadas, sendo finalmente retirado de serviço e desmantelado em 1924, após mais de cinquenta anos de atividade marítima.

Ver também

Referências