A secologanina é um metabolito secundário vegetal pertencente à classe dos secoiridoides que atua como o bloco de construção fundamental na biossíntese da vasta maioria dos alcaloides indólicos monoterpénicos. Sintetizada principalmente através da via do fosfato de metileritritol (MEP), a sua formação molecular ocorre no citoplasma celular a partir da oxidação da loganina, uma reação altamente específica catalisada pela enzima sintase de secologanina (uma mono-oxigenase dependente do citocromo P450) que cliva o anel de ciclopentano do precursor. Apresentando a fórmula química C₁₇H₂₄O₁₀, esta molécula destaca-se pela presença de um grupo funcional de aldeído altamente reativo e de uma ligação glicosídica que lhe confere estabilidade e solubilidade nos tecidos vegetais. O seu momento metabólico mais crucial ocorre quando se condensa com a triptamina através da enzima sintase de estrictosidina, gerando a estrictosidina, o andaime químico universal a partir do qual as plantas derivam mais de três mil compostos complexos. Esta rota biossintética baseada na secologanina é a única via natural de acesso a compostos farmacêuticos de importância médica crítica, incluindo os agentes antitumorais vimblastina e vincristina extraídos de Catharanthus roseus, o antimalárico quinina e o anti-hipertensor reserpina. Devido à extrema complexidade da sua arquitetura molecular e à dificuldade em replicar de forma economicamente viável a sua estereoquímica em laboratório, a secologanina permanece no centro das atenções da engenharia metabólica contemporânea, que procura otimizar a sua produção através de culturas de tecidos e biologia sintética em micro-organismos.