Selfie

 Nota: Para a telessérie norte-americana, veja Selfie (telessérie).
Selfie do astronauta Akihiko Hoshide, da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial.

Selfie é, usualmente, um registro digital, ou foto que uma pessoa tira de si mesma (autorretrato). As selfies que envolvem várias pessoas fotografadas são conhecidas como "selfies em grupo". São frequentemente feitas para compartilhamento em mídias sociais como Facebook, Instagram, Threads, Twitter, e Snapchat.

A palavra vem da adição ao substantivo self (em inglês "eu", "si mesmo") do sufixo -ie ("-inho(a)"), resultando em "euzinho(a)". Foi considerada a palavra internacional do ano de 2013 pelo Oxford English Dictionary.

História

Robert Cornelius, em 1839. Acredita-se que esta seja a primeira selfie da história da humanidade.
Selfie de estilo autorretrato de um macaco da raça nigra chamado "Naruto" feita com a Câmera fotográfica do fotógrafo de animais britânico David Slater. Esta selfie gerou uma disputa judicial. Teria "Naruto" direitos legais sobre sua selfie?

Acredita-se ter sido o estadunidense Robert Cornelius, o autor do primeiro autorretrato fotográfico, em 1839, com um daguerreótipo. No entanto, a palavra selfie só passou a ser utilizada com esse sentido no ano de 2002, num fórum on-line australiano:

2002 ABC Online (forum posting) 13 September:
“Um, drunk at a mates 21st, I tripped ofer [sic] and landed lip first (with front teeth coming a very close second) on a set of steps. I had a hole about 1cm long right through my bottom lip. And sorry about the focus, it was a selfie.”

As redes sociais ajudaram posteriormente a popularizar o termo, com a etiqueta selfie aparecendo de forma recorrente em partilha de fotografias através do Flickr a partir de 2004. O seu uso, no entanto, só tomou verdadeira expressão a partir de 2012, quando a palavra se tornou comum nas plataformas principais da mídia.

De acordo com um estudo realizado pela empresa de tecnologias espanhola Energy System, as mulheres tiram, em média, 12 selfies a mais por dia do que os homens.

Febre nas redes sociais, as selfies receberam técnicas usadas na hora dos registros, como a busca pelo ângulo perfeito, a maquiagem no tom certo, o alongamento do pescoço para evitar o queixo duplo, a luz ambiente, entre outras. A busca pela selfie perfeita, porém, tem causado muitas mortes no mundo. Segundo uma pesquisa realizada nos EUA, que compilou dados de 2011 a 2017, o número de pessoas que morreram enquanto tentavam tirar fotos de si mesmas em situações arriscadas foi 259. Afogamento, acidentes de transporte e quedas foram as causas mais comuns. Também foram frequentes eletrocussões e mortes causadas por incêndio, animais e armas de fogo.

Direitos sobre selfies batidas por animais

Em 2011, uma selfie batida por um macaco da espécie Macaca nigra chamado "Naruto" gerou uma disputa legal sobre quem seria dono da foto, já que foi ele quem realmente apertou o botão da máquina. Esta selfie tirada por Naruto foi trabalho do fotógrafo David Slater, que deixou vários macacos brincarem com sua câmera, e acabou viralizando na internet.

Em 2015, ativistas da ONG de defesa dos animais "PETA" resolveram entrar com um processo em nome de "Naruto", no qual exigiam que o macaco fosse declarado o verdadeiro dono das imagens, e que David Slater deixasse de receber royalties por conta dessa imagem.

Uma corte dos EUA decidiu que Naruto não poderia ser dono dos direitos autorais porque "animais não podem processar terceiros por violações de direitos autorais, algo que a lei reserva a humanos". Em setembro de 2017, porém, Slater aceitou doar 25% de qualquer receita futura obtidas com essa imagem para instituições de caridade que protegem macacos.

Tipos de selfies

Em ordem alfabética:

Impacto

O fenômeno conhecido por "selfie" tem sido estudado sob múltiplas perspectivas nas ciências humanas e sociais. Na comunicação e nos estudos de mídia, por exemplo, é interpretada como forma de autorrepresentação digital e de narrativa do eu nas redes. Na sociologia e na cultura visual, aparece como prática social ligada à performance identitária e à interação pública online. Na antropologia e na história da arte, o fenômeno é analisado em continuidade com tradições de autorrepresentação e cultura visual contemporânea. Assim, "selfie" tornou-se objeto interdisciplinar para compreender identidade, tecnologia e imagem na modernidade digital.

A virada digital do século XXI, com efeito, transformou radicalmente os modos de produção, circulação e recepção das imagens de si. Neste novo regime imagético, a(o) "selfie" - termo popular derivado de "self-portrait" - emerge como fenômeno sociotécnico, cultural e estético incontornável. Longe de um simples produto da cultura de massa ou um artefato banal das redes sociais, "selfie" pode ser compreendido como um sintoma privilegiado das transformações contemporâneas nas práticas autorrepresentativas, objeto da autorretratística.

A prática da “selfie” representa uma inflexão decisiva no campo da autorretratística, ao deslocar o eixo da representação do eu da materialidade artística tradicional para a instantaneidade digital. Enquanto o autorretrato clássico, desde Albrecht Dürer até Frida Kahlo, implicava elaboração técnica, tempo e mediação simbólica, a selfie democratiza radicalmente o gesto autorrepresentacional. A selfie não deve ser compreendida como ruptura, mas como desdobramento histórico da autorretratística, mantendo seu núcleo essencial: a construção de uma imagem de si. Contudo, essa prática introduz novas camadas, como a performatividade identitária em redes digitais e a circulação imediata da imagem. A selfie transforma o sujeito em produtor e curador contínuo de sua própria imagem, reforçando dinâmicas de visibilidade, reconhecimento e validação social. Além disso, altera a relação entre intimidade e publicidade, ao tornar o “eu” simultaneamente privado e exposto. No campo estético, há uma diluição das fronteiras entre arte e cotidiano, ampliando o escopo da autorretratística para além dos circuitos institucionais. Por outro lado, críticos apontam para a superficialidade e a padronização imagética, sugerindo uma crise de profundidade simbólica. Ainda assim, a selfie consolida-se como prática cultural central do século XXI, exigindo novas abordagens teóricas interdisciplinares. Desse modo, a autorretratística contemporânea passa a incorporar dimensões tecnológicas, sociológicas e comunicacionais inéditas. A selfie não apenas amplia o campo da autorrepresentação, mas redefine seus modos de produção, circulação e recepção.

De acordo com um estudo realizado por Nicola Bruno e Marco Bertamini na Universidade de Parma, selfies de fotógrafos não profissionais mostram uma leve tendência em mostrar a face esquerda de quem está sendo fotografado. Isso é semelhante a observações de retratos de pintores profissionais de muitos períodos e estilos históricos, indicando que a tendência da bochecha esquerda pode estar enraizada em assimetrias de lateralização do cérebro que estão bem documentadas na neurociência cognitiva. Em um segundo estudo, o mesmo grupo testou se pessoas que tiram selfies sem treinamento em fotografia aderem espontaneamente às regras amplamente prescritas de composição fotográfica, como a regra dos terços. Parece que isso não acontece, sugerindo que essas regras podem ser convencionais e não conectadas às preferências perceptuais do cérebro. A "selfite" é uma condição descrita como a tirar obsessivamente selfies, embora atualmente não esteja listada como um transtorno mental.

Ver também

Referências

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Ligações externas