Serra da Ibiapaba | |
|---|---|
| Vista de um ponto do sopé. | |
| Localização | |
| Coordenadas | |
| Localização | Noroeste Cearense e Nordeste do Piauí. |
| País(es) | |
| Subsistemas | Mata Atlântica, Cerrado, Matas dos Cocais, Caatinga e traços da Floresta Amazônica. |
| Características | |
| Altitude máxima | 954 m |
| Comprimento | 200 Km de Norte a Sul e 50 Km de Leste a Oeste |
Serra da Ibiapaba | |
|---|---|
| Divisão regional do Brasil | |
| Características geográficas | |
| Unidade federativa | Ceará |
| Mesorregião | Noroeste Cearense e Nordeste do Piauí |
| Regiões limítrofes | Limita-se ao norte pela Microrregião do Litoral de Camocim e Acaraú, ao sul Microrregião de Ipu, a leste pela Microrregião de Sobral e Microrregião de Coreaú, e a oeste pelo Piauí. |
| Área | 5 071,142 km² |
| População | 363,415 hab. est. 2022 |
| Densidade | 71,6 hab./km² |
| Indicadores | |
| PIB | R$ 551 946 315,00 IBGE/2003 |
| PIB per capita | R$ 2 025,44 IBGE/2003 |
| IDH | 0,623 PNUD/2000 |
A Serra da Ibiapaba, também conhecido como Serra Grande, Chapada da Ibiabapa, Planato da Ibiapaba, Cuesta da Ibiapaba e Glint da Ibiapaba, é uma região serrana que se localiza entre os estados do Piauí e do Ceará.
Possui uma grande biodiversidade e importância no cenário social, ambiental, econômico, cultural e histórico do Ceará, sendo um dos palcos da colonização no estado. Abrange oito municípios: Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte e Croatá, além de se estender por regiões dos municípios de Granja, Ipu e regiões do Piauí.
Desde o século XIX está em uma zona de conflitos fronteiriços entre o governo do Piauí e do Ceará até a atualidade.
O topônimo "Ibiapaba" é oriundo do termo tupi yby'ababa, que significa "terra fendida" (yby, terra + 'ab, cortar + aba, sufixo).

A região da Ibiapaba é rica em biodiversidade e recursos minerais, sendo um dos principais palcos da colonização do nordeste brasileiro, foi devido à invasão e conquista da Ibiapaba que os portugueses puderam ocupar os sertões adjacentes no Ceará e Piauí.
A Ibiapaba possui 19 sítios arqueológicos pré-coloniais, com a maioria concentrados entre os munícipios de Carnaubal, Croatá, Guaraciaba do Norte e Ipu. Por toda a serra são encontradas pinturas rupestres, com tonalidades de vermelho, amarelo e laranja e diversos tamanhos. Algumas pinturas encontradas em Viçosa do Ceará e Ibiapina possuem gravuras geométricas, enquanto outras em Ibiapina e Croatá, possuem representações de animais.
Também são encontrados materiais líticos de sílex lascado e alisado, além de dezenas de pilões líticos, que eram comuns entre os povos indígenas brasileiros. Em várias dessas localidades são encontradas cerâmica indígenas, com algumas sendo identificadas como pertencente à Tradição Tupi-Guarani.
Há mais de cinco séculos a Ibiapaba é habitada pelos povos indígenas Tacarijús e Aconguaçus (ou Kamamús), são etnias de origem macro-jê Relatos jesuíticos posteriores afirmam que um povo de origem tupi, os Tabajaras, chegaram na Ibiapaba, vindos por migrações pré-coloniais da região norte do rio São Francisco, ficariam conhecidos como "Os Senhores da Serra", pelos europeus.
Com o Tratado de Tordesilhas, o atual território do Ceará foi revindicado como posse dos portugueses, mas não houve presença portuguesa no Ceará durante todo século XVI. Os primeiros europeus a entrarem no territórios do estado foram franceses que em 1590, se instalaram na Serra da Ibiapaba, liderados por Adolf Montbille, formando a Feitoria da Ibiapaba e fundando o Forte Saint-Alexis, assim passaram conviver com os indígenas Tabajaras, comercializando bens como pimenta. No início do século XVII, a feitoria é liderada por Jacques Riffault, enquanto os tabajaras tinham dois grandes morubixabas: Irapuã (Mel Redondo), na atual Viçosa do Ceará e Juripariguaçu (Diabo Grande), na atual Ibiapina. Os relatos jesuíticos contam que nessa época, na Ibiapaba haviam mais de setenta aldeias Tabajaras.
A primeira tentativa de colonização cearense por portugueses, se deu em 1603, pelo capitão açoriano Pero Coelho de Sousa e Martim Soares Moreno que erguem o Fortim de São Tiago da Nova Lisboa na foz do Rio Jaguaribe e iniciam uma marcha até a Ibiapaba, acompanhados de 86 soldados e 200 indígenas escravizados, com objetivo de expulsar os franceses. A expedição chegou na Ibiapaba em janeiro de 1604, resultando em uma série de conflitos entre a aldeia do morubixaba Irapuã até as margens do rio Arabê. Os franceses acabaram fugindo para o Maranhão, enquanto os Tabajara foram forçados a se aliarem dos portugueses, também devido ao grande número de mortes causadas pela guerra e pelas doenças trazidas pela expedição de Pero Coelho, enfraquecendo as forças indígenas. Ao partir, o capitão açoriano levou Tabajaras escravizados para Recife e foi punido pelo governador da capitania pernambucana, pois a captura de indígenas não havia sido autorizada. Porém, no ano seguinte, ocorreu a primeira seca registrada no Ceará, que forçou os lusitanos a fugirem e abandonarem a colonização no território cearense.

Em 1607, iniciou-se outra tentativa de conquista da Ibiapaba, por meio dos jesuítas portugueses Francisco Pinto e Luís Figueira que chegaram na serra com objetivo de catequizar os nativos e fundar um aldeamento jesuítico. Os jesuítas foram recebidos pelos Tabajaras, na aldeia do morubixaba Juripariguaçu e seu irmão, Diabo Ligeiro. Nessa expedição, os jesuítas escreveram o primeiro documento escrito em território cearense, a “Relação do Maranhão”. Também fizeram o primeiro registro da passagem do cometa Hale-Bopp nas Américas, em setembro daquele ano. No documento citado, os jesuítas relatam que as doenças, guerras e escravidão trazida pelos lusitanos deixou sua marca nas tribos indígenas do Ceará, desde os povos do rio Jaguaribe, até os povos da Ibiapaba, por isso, muitos Tabajaras migraram para o Maranhão, onde encontraram seus parentes, os Tupinambás, o que resultou na redução de setenta aldeias na Ibiapaba, em 1603, para pelo menos duas grandes aldeias, em 1607. Mas, uma tragédia ocorreu em 11 de janeiro de 1608, quando o padre Francisco Pinto é assassinado por indígenas Tacarijús, incentivados por franceses que ainda tinham influência na região. O assassinato do padre marcou a história do povo Tabajara que sepultaram seu corpo no sopé da serra e reconheceram a imagem do padre como uma figura milagrosa ou um espírito, o "Pai Pina". Por fim, o jesuíta Luís Figueira fugiu da serra, enquanto os Tabajaras iniciaram um conflito contra os Tacarijús, estes que habitavam principalmente os sertões do oeste, indo até o atual município de São Miguel do Tapuio.
Após a morte do jesuíta, novas tentativas de colonização do Ceará ocorreram pelo litoral, mas a Ibiapaba não foi mais alvo de expedições lusitanas por décadas, foi somente visitada pelo padre francês Yves d'Évreux, em 1612. O padre francês registrou várias histórias e costumes indígenas da Ibiapaba, como a caça da formiga tanajura e a "Lenda dos Campos Elísios", em que os tabajaras acreditavam que abaixo das três maiores aldeias tabajaras da época, haviam três outras aldeias subterrâneas: Ibirupiguia, Inambuapixoré e Anhamari, onde os espíritos dos mortos habitavam, incluindo o padre Francisco Pinto, vivendo em fartura, festividade e grande descanso. A serra da Ibiapaba também foi brevemente visitada pelo frei Christóvão Severim de Lisboa, em maio de 1626, quando ele excursionava em direção do Fortim de São Sebastião (atual Fortaleza), passando por uma aldeia localizada nas proximidades de Ibiapina.
Em 1654, o líder potiguara Antônio Paraupaba chegou na Ibiapaba acompanhado de milhares de indígenas Potiguaras de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, vinham fugindo após o fim do domínio holandês no Nordeste. Antônio Paraupaba tinha objetivo de fundar uma república calvinista na Ibiapaba, com apoio dos holandeses, sendo chamada "República Cambressive". Rapidamente a coroa portuguesa reagiu e tentou impedir, enviando o jesuíta Francisco Ribeiro, para liderar outra tentativa de aldeamento na serra. Ao chegar, foi recebido pelos Tabajaras que ainda celebravam a memória de "Pai Pina", ele registrou toda sua experiência no documento "Relação da Ibiapaba". Mesmo após o fracasso da República de Cambressive, devido a falta de apoio holandês, o jesuíta registrou o impacto desse evento nos povos tupi da Ibiapaba, onde uma parte possuíam uma religião com somente alguns traços cristãos, enquanto outros já eram completamente evangelizados, principalmente no protestantismo, devido a influência holandesa e francesa. Também notou que parte da população usava roupas de seda, vindas de trocas com holandeses e franceses do Maranhão, além de terem alguns indivíduos bem letrados. A sociedade indígena da Ibiapaba, relatada no documento de Francisco Ribeiro foi uma experiência única no nordeste brasileiro, recebendo o apelido de "Genova do Sertão". A serra foi visitada em 1660 pelo famoso jesuíta António Vieira, porém dois anos depois, os jesuítas são novamente expulsos da Ibiapaba em um conflito com o morubixaba Simão Tagaibuna, de origem Tabajara, que se revoltou contra a repressão que os indígenas estavam sofrendo pelos jesuítas, tendo seus costumes e tradições marginalizados. O líder Tabajara foi acusado como razão do fracasso dessa nova tentativa de aldeamento da Ibiapaba, então as forças coloniais prenderam Simão Tagaibuna por um breve período, mas posteriormente ele foi solto.
Após a segunda tentativa fracassada de erguer uma aldeia jesuíta na Ibiapaba, se passaram mais três décadas sem missões ao local. Em 1694, ocorreu outra tentativa de colonização na serra, pelos jesuítas padre Ascenso Gago e Manuel Pedroso, que novamente tentaram fundar uma missão jesuíta. Os indígenas da Ibiapaba estavam cada vez mais atentos aos avanços dos portugueses pelos sertões, litorais e serras da região, nessa mesma época estava ocorrendo a Confederação dos Cariris, na qual povos indígenas dos sertões do Cariri Cearense e do Jaguaribe, se uniram em uma resistência aos portugueses. Os Tabajaras da Ibiapaba temiam a perda de suas terras e perseguição de sua cultura pelos portugueses invasores, por isso, concordaram com o aldeamento pelos jesuítas Ascenso Gago e Manuel Pedroso, em uma tentativa pacífica de manter suas terras e costumes. Em 1699, os jesuítas reuniram as principais lideranças indígenas da Ibiapaba, incluindo Simão Tagaibuna, e formaram uma aldeia em um serrote circunvizinho, mas aquele local não deu certo. Por isso, tentaram novamente em outra localidade na serra, onde fundaram a Aldeia da Ibiapaba (atual sede de Viçosa do Ceará), em 15 de agosto de 1700. O marco inicial da aldeia foi a criação de uma capela de taipa, que se tornaria a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, uma das mais antigas igrejas do Ceará.
Durante o século XVIII, o noroeste cearense passou ser ocupado efetivamente, com a doação de dezenas de sesmarias para colonizadores portugueses, que traziam gado, cavalos e plantações nos sertões próximos. Foram estes que deram início a diversas famílias da região do Vale do Rio Acaraú, formando povoamentos vizinhos como Granja, Coreaú e Sobral, sendo esta última, o principal centro urbano dessa região até a atualidade. Contudo, a ocupação dos sertões nos sopés da Ibiapaba não foi pacífica, os indígenas tapuias resistiram bravamente ao avanço colonial, como o povo Arérius.
Para manter fidelidade das lideranças indígenas da Ibiapaba, o Rei de Portugal decretou em 1720 que "toda terra em cima da serra pertencia aos indígenas". Em troca, além catequização, os indígenas da serra deveriam auxiliar os portugueses no combate dos tapuias que habitavam os sertões do Vale do Acaraú, Camocim e Piauí.
Em 1743, chegou na serra da Ibiapaba, uma equipe de engenheiros de minas e mestres-fundidores sob liderança do francês Jean Christophe Sporgel, contratados pela coroa portuguesa, com objetivo de explorar as riquezas minerais da serra, onde haviam rumores da presença de prata. Foram realizadas expedições em uma mina entre Bari, Ubari e Ubajara (atual mina de Pedra Verde), contudo a exploração foi fracassada, devido à escassez de minerais. Entre os engenheiros estava o francês Jean Pierre Fontenelle, que fixou residência na aldeia da Ibiapaba e deixaria grande descendência na região, sendo o patriarca da família Fontenelle no Brasil.
Na década de 1750, a aldeia da Ibiapaba já era um grande povoamento indígena na região, reunindo Tabajaras, Anacés, Arérius e outros povos. Em 1759, o ministro português Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, decretou a expulsão dos jesuítas do Brasil e extinguiu todos os aldeamentos, nas chamadas Reformas Pombalinas. A partir disso, a aldeia da Ibiapaba foi elevada para categoria de vila, sob o nome de Villa Viçosa Real d'América. Ainda em 1759, o tabajara Jacob reuniu alguns indígenas e assentaram-se nas margens do rio Arabê, erguendo uma capela de taipa sob devoção de São Benedito. Nas próximas décadas, novos moradores chegariam na região e dariam origem ao povoado de São Benedito.
No início da década de 1760, a Villa Viçosa possuia cerca de 8 mil habitantes, principalmente indígenas, e entre suas lideranças estava o mestre-de-campo D. Felipe de Souza Castro, um tabajara que havia sido agraciado pelo Rei de Portugal com o título nobre de "Dom". A vila possuía destaque na região, devido ao seu exército indígena que frequentemente era convocado pelos portugueses para batalhar contra tapuias nos sertões do Piauí, auxiliando no avanço da colonização portuguesa. Nessa época, o governador do Ceará afirmou que os religiosos de Villa Viçosa eram os mais abastados do interior do Ceará, devido ao bom rendimento de suas fazendas de gado, sob o vigário Luiz do Rego Barros.
Na década de 1780, existia o povoado "Rua Nova" nos terrenos mais altos da serra, em uma localidade de solo fértil. Em maio de 1791, esse povoado foi elevado a Villa Nova Del Rey, a segunda vila da Ibiapaba (atual Guaraciaba do Norte).
Entre 1804 e 1805, o naturalista João da Silva Feijó estava explorando a natureza cearense e passou pela Serra da Ibiapaba, onde descreveu a ocorrência de salitre entre os povoados de Ibiapina e Viçosa. Foi um dos primeiros pesquisadores que realizou estudos na Ibiapaba.
Sob decreto real em agosto de 1840, a sede de Villa Nova Del Rey (atual Guaraciaba do Norte) foi mudada para o povoado de Ipu Grande (atual munícipio de Ipu), alterando o nome da vila para Villa Nova do Ipu. O antigo povoado foi renomeado para "Campo Grande", tornando-se distrito de Ipu.
Com o decreto da Lei de Terras de 1850 por Dom Pedro II, o português João Baptista Leal adquiriu terras em 1854, ao sul de Villa Viçosa Real da América e iniciou o povoamento do sítio Chapadinha, que posteriormente ficaria conhecido como "Barrocão" (atual Tianguá).
Em 1859, a Comissão Científica de Exploração, formada por pesquisadores brasileiros, realizou uma expedição no Ceará, com objetivo de estudar a geologia, astronomia, biodiversidade, geografia e etnologia do estado. Foi liderada pelo botânico Francisco Freire Alemão e passou por Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, São Benedito e Ipu. Contudo, a maioria dos documentos foram perdidos em um naufrágio em 1861.
Em 1863, o governador José Bento da Cunha Figueiredo declarou que não haviam mais povos indígenas no estado do Ceará, pois todos haviam sido assimilados ou migraram para outros estados. Contudo, ainda existiam dezenas de etnias pelo estado, incluindo na Ibiapaba que ainda preservava muitos costumes indígenas em sua população. Essas comunidades indígenas pelo Ceará mantiveram-se escondidas, evitando assumir publicamente sua etnia, como uma forma de evitar perseguição, assédio e conflitos maiores.
Em novembro de 1872, houve a criação da Villa de São Benedito, desmembrada da Villa Viçosa Real d'América.
Enquanto a ocupação dos sertões crescia no nordeste brasileiro, o ano de 1877 foi marcado pelo início da "Seca dos Três Anos", uma das mais devastadoras da história nordestina. Nessa época ocorreram migrações de famílias que foram assoladas pela fome, e algumas dessas buscaram abrigo no povoado de Barrocão (atual Tianguá), onde encontrara terras férteis para criação de gado e plantações. Entre essas famílias, estava o coronel Manoel Francisco de Aguiar e seus filhos. Dessa forma, o distrito de Barrocão e toda a Ibiapaba, passaram por um rápido crescimento populacional.
Em meio a isso, em novembro de 1878, foi criada a Villa de São Pedro da Ibiapaba (atual Ibiapina), desmembrada da Villa de São Benedito. Por fim, em janeiro de 1879, o distrito Campo Grande, da jurisdição de Villa Nova do Ipu, é novamente elevado a categoria de vila sob o nome de Villa Campo Grande (atual Guaraciaba do Norte).
Sob decreto de 31 de julho de 1890, o distrito de Barrocão foi desmembrado de Viçosa do Ceará e elevado a categoria de vila, sob o nome de Tianguá. Nessa época já era um dos principais povoamentos da serra.
Em agosto de 1915, foi criado o munícipio de Ubajara, anteriormente o povoado era chamado de "Jacaré" e pertencia à Ibiapina. Os munícipios mais recentes da Ibiapaba são Carnaubal, criado em 1957 e Croatá, criado em 1963.
Durante o início do século XX, ocorreu o Ciclo da Borracha, na Amazônia brasileira, resultando na migração de vários cearenses para trabalharem naquela região, incluindo vários moradores de Viçosa do Ceará e Tianguá. Após a Segunda Guerra Mundial, muitos nordestinos voltaram para suas cidades natais, trazendo consigo várias tradições e plantas nativas da Amazônia. Foi assim que na década de 70, começou o plantio de cultivos amazônicos na Ibiapaba, como os Açaízeiros e Pupunhas, tornando a região um destaque na produção desses frutos até hoje.
Atualmente, é uma grande produtora de hortaliças e flores que são exportadas para a Europa e também é grande produtora de cana-de-açúcar e derivados como cachaça, rapadura, mel e alfenim, entre outros, distribuindo estes produtos para toda a Região Norte do Ceará e parte do Piauí.
Entre as atuais etnias indígenas na Ibiapaba está a etnia Tapuya-Kariri, localizada em uma aldeia na fronteira municipal de São Benedito e Carnaubal. Os Tapuya-Kariri têm iniciado seu levante desde 2006, cobrando pela demarcação da sua terra indígena, onde vivem há mais de 150 anos.

Atravessa de norte a sul o extremo oeste do Estado, limitando-o com o Piauí. Caracterizando-se como uma cuesta, seu relevo possui uma escarpa íngreme voltada para o Ceará e outra, cujo declive, é bastante suave e gradual em direção ao oeste, voltada para o Piauí. As altitudes médias são de 750m. De norte a sul e de leste a oeste, ocorrem variações nítidas de condições climáticas. Na sua vertente voltada para a Depressão Sertaneja cearense, em especial na parte nordeste de cuesta, possui vegetação tropical frondosa e densa, sendo considerada Mata Atlântica, por está em uma zona de transição possui micro-biomas de cerrado, matas dos cocais, floresta amazônica e caatinga, em alguns pontos, estas vegetações aparecem mescladas. Tem rica fauna, com muitas aves, roedores e mamíferos de grande porte. Nesta região ocorre a mais intensas pluviosidades do território cearense, superior a 2.000mm. Por outro lado, percorrendo-se alguns quilômetros para oeste, as chuvas orográficas não são mais tão intensas e configuram um clima semi-árido com vegetação de carrasco. Da mesma forma, do norte para o sul, vão diminuindo as pluviosidades, o que resulta na predominância da caatinga na parte sul da cuesta, particularmente após o boqueirão constituído pelo Rio Poti.
Na parte sul da cuesta, as altitudes são em média 150 m abaixo das observadas na face norte, encontrando-se nessa região as maiores altitudes do estado do Piauí, inclusive o ponto culminante do estado, localizado na zona rural do Município de Assunção do Piauí - PI, próximo da fronteira com o Ceará, com cerca de 865m acima do nível do mar. Por fim, já ao extremo sul do planalto da Ibiapaba, próximo a Chapada do Araripe, encontra-se o distrito de Cova Donga, na zona rural do município de Pio IX - PI, que fica as margens da BR 020, na divisa sul entre Piauí e Ceará, estando a uma altitude de 798m, onde foram construídos postos fiscais pelos dois estados. O local é famoso por sediar um dos maiores projetos de plantação de caju para produção de castanha do Brasil, a Fazenda Planalto.
Um destino turístico famoso da região é a Serra de Ubajara, famosa por seu bondinho, cachoeiras e grutas, destacando-se a Gruta de Ubajara. Há também uma abundância de cursos e quedas d'água, destacando-se a Bica do Ipu, cujas águas lançam-se do Pico Angelim, na Serra da Amontada, a 135m de altitude, a Bica do Donato em Pires Ferreira, que é uma ótima opção para uma trilha ecológica e a Cachoeira da Pirapora em Viçosa do Ceará, na divisa com o Estado do Piauí.

Devido à altitude, o inverno na Serra da Ibiapaba tem temperaturas amenas em comparação com as demais regiões do Ceará, com a ocorrência de neblina no começo da manhã e com frequência à noite, dando à paisagem a aparência das regiões de clima frio, como Sul do País. É comum entre o meses de Junho, Julho e Agosto os termômetros registrarem temperaturas entre 13,5°C e 15°C. Nos pontos mais elevados da serra como em São Benedito e Guaraciaba do Norte, o frio pode ser mais intenso e as temperaturas chegam aos 13°C, mas em outras cidades da Ibiapaba isso também pode acontecer. As temperaturas frias e as manhãs de neblina na serra são registradas desde a colonização da região durante o século XVII, no documento "Relação da Ibiapaba" do jesuíta Francisco Ribeiro.

Segundo dados da estação meteorológica do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) localizada em Tianguá, a temperatura local chegou a 13,6°C na madrugada de 9 de agosto de 2020, a menor temperatura do estado do ano. Em Julho de 2021, a temperatura mais baixa do estado, foi 13,6°C na cidade de São Benedito. Em 2022, a cidade de Tianguá alcançou 14,4° C em 27 de agosto de 2022, a segunda menor temperatura do estado naquele ano. No ano de 2023, a temperatura mais baixa do estado foi novamente 13,6°C, em São Benedito, no mês de Julho. Em 14 de junho de 2024, a menor temperatura do estado até então, foi registrada em Tianguá, com 16,8°C, enquanto a segunda menor do estado foi 17,1°C, em Viçosa do Ceará.
A Serra da Ibiapaba está dentro de sua própria bacia hidrográfica, a Bacia da Ibiapaba, abragendo dez municípios, incluindo Ipueiras e Poranga. Por decreto, desde Novembro de 2012, possui o "Comitê da Bacia Hidrográfica da Serra da Ibiapaba", um colegiado de caráter consultivo e deliberativo a respeito da bacia hidrográfica local.
O Açude Jaburu I é o principal responsável pelo abastecimento da população local, estando localizado entre os municípios de Tianguá e Ubajara. Foi criado em 1983 , com a barragem do Riacho Jaburu, desde então se tornou o maior açude em cima de um alto relevo do mundo. Devido ao solo ibiapabano, de origem arenitica (Sedimentar), o açude é único no estado, tendo um solo frágil e suscetível, por isso passou por dez intervenções na sua estrutura, como em 1992, 2002, 2008 e 2009, resultando na diminuição da sua capacidade hidrográfica, devido ao solo. Originalmente, repressava 210 milhões de m³, mas com as reformas foi reduzido para 140, 3 milhões de m³, sua barragen atinge 48,1m de altura. Seu último sangramento foi em 2009. Na época de sua fundação, foram colocados no Açude alguns peixes Tucunarés, exóticos na fauna local.
As Cachoeiras da Pirapora são quedas de água situadas no município de Viçosa do Ceará, Estado do Ceará, no Brasil.
Estão localizadas no rio Pirangi, um dos afluentes do rio Parnaíba. Ficam a cerca de 30 km da cidade de Viçosa do Ceará, e a 382 km de Fortaleza, a capital do Ceará exatamente na divisa com o Piauí. São uma conjunto de quedas d'águas formando quatro cachoeiras em escala crescente, sendo a última e maior, já no estado do Piauí, a Cachoeira do Engenho Velho, que possui cerca de 30 metros de altura. A segunda maior é Cachoeira do Pinga que é a terceira queda d'água com cerca de 15 metros de altura e 30 de largura.
Esse conjunto de cachoeira é reconhecido como um sítio paleontológico, sendo um dos principais pontos de ocorrência de icnofósseis da Serra da Ibiapaba.
| Município | Altitude | Área (km²) | Criação do
Município |
População
(2017) |
DENSIDADE
(Hab./Km²) (2017) |
PIB (R$ mil)
(2015) |
PIB per capita
(R$) (2015) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Guaraciaba do Norte | 950 metros | 611,46 | 1791 | 39.445 | 64,51 | 325.717 | 8.320 |
| São Benedito | 903 metros | 338,25 | 1872 | 46.648 | 137,91 | 378.749 | 8.203 |
| Ibiapina | 878 metros | 414,94 | 1878 | 24.997 | 59,83 | 162.102 | 6.576 |
| Ubajara | 847 metros | 421,03 | 1915 | 34.332 | 81,54 | 336.284 | 9.952 |
| Tianguá | 775 metros | 908,89 | 1890 | 74.719 | 82,21 | 867.094 | 11.802 |
| Carnaubal | 763 metros | 364,81 | 1957 | 17.631 | 48,33 | 96.701 | 5.537 |
| Viçosa do Ceará | 740 metros | 1.311,63 | 1758 | 60.030 | 45,77 | 330.777 | 5.614 |
| Ipu | 636 metros | 629,32 | 1842 | 41.576 | 66,07 | 314.753 | 7.604 |
| Croatá | 571 metros | 696,98 | 1988 | 17.874 | 25,64 | 100.700 | 5.680 |
A Lei Complementar Estadual nº 154, de 20 de outubro de 2015, define a nova composição da região de planejamento da Serra da Ibiapaba, sendo a regionalização fixada em 9 municípios: Carnaubal, Croatá, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ipu, São Benedito, Tianguá, Ubajara e Viçosa do Ceará.

O relevo da Ibiapaba é popularmente chamado de "serra" e "chapada", mas é classificado como um Glint. Por sua vez, "Glint" é o escarpamento aclinal e contínuo formado pelo contato discordante de uma estrutura sedimentar imediatamente sobre o embasamento erodido.
A Ibiapaba é um relevo sedimentar do Grupo Serra Grande, da Bacia do Parnaíba. Assim suas rochas constituem-se principalmente de arenitos, conglomerados, folhelhos e diamictito, formados desde o final do período Ordoviciano até a transição do Devoniano. As rochas da Ibiapaba foram formados em um ambiente marinho com características glaciais que cobriu essa região entre 458-419 milhões de anos atrás.
A beleza geológica da Ibiapaba é nacionalmente conhecida por lugares como a Gruta de Ubajara.
A Ibiapaba possui uma riqueza de fósseis, principalmente de icnofósseis do Grupo Serra Grande. Estes, são rastros fossilizados de animais invertebrados que habitaram os mares primitivos que cobriram essa região, na forma de túneis de vermes e crustáceos, rastejos de trilobitas e diversos outros vestígios. Há mais de vinte icnogêneros descritos para essa região, especialmente no munícipio de Viçosa do Ceará. Também há ocorrências pouco estudadas de invertebrados marinhos como equinodermos, moluscos e braquiópodes.
Em 2025, foi descrita a espécie animal mais antiga do estado do Ceará, a Arenactinia ipuensis ou "Anêmona-do-Ipu", uma espécie extinta de anêmona-do-mar com mais de 430 milhões de anos, com fósseis encontrados nos municípios de Ipu e Pacujá. Essa descoberta coloca a Ibiapaba em destaque internacional, devido a grande raridade de encontrar fósseis de anêmonas do mar no mundo todo. A Anêmona-do-Ipu é a espécie de anêmona mais antiga da América Latina.
A Ibiapaba também é conhecida pelo fóssil do Arctotherium wingei, um urso primitivo que viveu na região Ubajara há mais de 10 mil anos atrás. Além do urso, foram encontrados outros restos de animais com cerca de 8 mil anos nas cavernas do Parque Nacional de Ubajara, incluindo animais que atualmente estão extintos na região: tatu-de-rabo-mole, queixada e anta. Esses achados mostram que essas espécies foram extintas por mudanças climáticas ou pela caça extensiva iniciada durante a colonização da Ibiapaba em 1590.
O histórico do estudo paleontológico da Ibiapaba e das regiões próximas tem aumentado desde 2003, quando foi fundado o Laboratório de Paleontologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral, pela professora Maria Somália Viana. Este, é um dos primeiros núcleos de pesquisa e ensino de paleontologia em todo Ceará.
A Ibiapaba é um dos maiores destaques de biodiversidade do Ceará, sendo a região de altitude mais rica em plantas com flores de todo semiárido nordestino, contando com mais de 400 espécies (incluindo nativas e exóticas). Entre as plantas mais famosas estão o Ipê-Amarelo e o Ipê-Roxo.
Apesar da expansão populacional e crescente de desmatamento e queimadas no estado, a Ibiapaba segue como um dos últimos refúgios de onça-parda no Ceará, encontrada ao Parque Nacional de Ubajara. Entre os mamíferos: Gambá-de-orelha-branca, cuíca, catita, Tatu-galinha, Tatupeba, Tamanduá-mirim, cachorro-do-mato, Jaguarundi, Gato-maracajá, furão-grande, quati de cauda anelada, veado-mateiro. Com três espécies de primatas: Macaco-prego-das-guianas, Sagui-de-tufo-branco e o raro Búgio-de-mãos-vermelha-do-Maranhão. Além de pelo menos quatorze espécies de morcegos, como o Morcego-de-Cara-Branca e o Morcego-Vampiro-Comum.
A Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba foi criada em 26 de novembro de 1996. A APA está situada na biorregião do complexo da Serra Grande, localizada nos estados do Ceará e Piauí. No Ceará, a APA abrange os municípios de Chaval, Granja, Moraújo, São Benedito, Tianguá, Uruoca e Viçosa do Ceará. Já no Piauí, são 20 municípios: Batalha, Bom Princípio do Piauí, Brasileira, Buriti dos Lopes, Buriti dos Montes, Caraúbas do Piauí, Caxingó, Cocal, Cocal dos Alves, Domingos Mourão, Juazeiro do Piauí, Lagoa de São Francisco, Luís Correia, Milton Brandão, Pedro II, Piracuruca, Piripiri, São João da Fronteira, São José do Divino e Sigefredo Pacheco.
A APA tem como objetivos:
Seu Conselho Consultivo foi criado em 2012, 16 anos após a criação da Unidade de Conservação, pela Portaria nº 105, de 8 de outubro de 2012, com a finalidade de contribuir para a criação e implementação do plano de manejo. A composição do Conselho foi modificada em 2019 pela Portaria nº 2 de 9 de abril de 2019. Segundo verificação do Instituto Socioambiental, a APA possui a extensão de 1.592.550 hectares (ha), sobrepondo cerca de 6.321 ha com o Parque Nacional de Sete Cidades, localizado nos municípios de Brasileira e Piracuruca, ambos piauienses.
A Ibiapaba possui uma riqueza cultural principalmente de costumes portugueses e indígenas, como na culinária, danças, contos populares e toponímias.
Entre os locais culturais e turísticos da região estão a Praça Clóvis Beviláqua, a Igreja do Céu e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Viçosa do Ceará, os grupos de dança do Assentamento Valparaíso, em Tianguá.
Além de localidades naturais como a Gruta de Ubajara, o Parque Nacional de Ubajara e as Cachoeiras da Pirapora.

|título= (ajuda)