A sesamina é um composto orgânico lipofílico pertencente à classe das lignanas, sendo o principal fitoativo do sésamo (Sesamum indicum). Farmacologicamente, atua como modulador metabólico e protetor celular. No fígado, regula a expressão génica de enzimas ligadas à oxidação de ácidos gordos e inibe a absorção do colesterol no lúmen intestinal, o que se traduz clinicamente na redução do colesterol total e da fração LDL. A nível cardiovascular, estimula a síntese endotelial de óxido nítrico, promovendo a vasodilatação e a consequente diminuição da pressão arterial. Em modelos oncológicos, exibe propriedades antitumorais ao induzir a paragem do ciclo celular e a apoptose em linhagens malignas, além de suprimir a angiogénese tumoral. Estruturalmente, comporta-se como um pró-fármaco: a sua biotransformação hepática gera metabolitos do tipo catecol que mimetizam a atividade de varrimento de radicais livres, preservando os sistemas enzimáticos endógenos, como a glutationa e a dismutase de superóxido, face a insultos xenobióticos ou alcoólicos. Adicionalmente, a sua conversão pela microbiota intestinal em enterolignanas confere-lhe propriedades fitoestrogénicas. Estas múltiplas vias de sinalização posicionam a sesamina como um protótipo molecular de elevado interesse para o desenvolvimento de novos nutracêuticos e terapias adjuvantes contra patologias crónico-degenerativas.