
Mídias sociais são novas tecnologias de comunicação que facilitam a criação, partilha e agregação de conteúdos (como ideias, interesses e outras formas de expressão) entre comunidades e redes virtuais. As características comuns incluem:
O termo "social", em relação às mídias sociais, sugere que as plataformas possibilitam atividades comunitárias. As mídias sociais ajudam as pessoas a se conectar e construir redes. Os usuários acessam as mídias sociais por meio de aplicativos web ou móveis. Essas plataformas interativas permitem que indivíduos, comunidades, empresas e organizações compartilhem, cocriem, discutam, participem e modifiquem conteúdo gerado pelo usuário ou curadoria própria. São usadas para compartilhar memórias, formar amizades, construir comunidades e aprender, além de promover pessoas, empresas, produtos e ideias.
Plataformas populares de mídia social com mais de 100 milhões de usuários registrados incluem Twitter, Facebook, WeChat, Instagram, Pinterest, QZone, Weibo, VK, Tumblr, Baidu Tieba, Threads e LinkedIn. Dependendo da interpretação, outras plataformas populares que às vezes são chamadas de serviços de mídia social incluem YouTube, Letterboxd, QQ, Quora, Telegram, WhatsApp, Signal, Snapchat, Viber, Reddit, Discord e TikTok. Wikis e Roblox são exemplos de criação colaborativa de conteúdo.
As mídias sociais diferem das mídias tradicionais (como jornais, TV e rádio) de diversas maneiras, incluindo qualidade, alcance, frequência, usabilidade, relevância e permanência. As redes sociais operam em um sistema de transmissão dialógica (muitas fontes para muitos receptores), enquanto as mídias tradicionais operam sob um modelo de transmissão monológico (uma fonte para muitos receptores). Por exemplo, um jornal é entregue a muitos assinantes e uma estação de rádio transmite os mesmos programas para uma cidade.
As mídias sociais têm sido criticadas por uma série de impactos negativos em crianças e adolescentes, incluindo a exposição a conteúdo inadequado, exploração por adultos, problemas de sono, problemas de atenção, sentimentos de exclusão e vários problemas de saúde mental. As redes sociais também têm sido criticadas por agravarem a polarização política e minarem a democracia, exacerbadas pela captura da plataforma por interesses particulares, com a jornalista Maria Ressa a considerá-las um "lodo tóxico" por aumentarem a desconfiança entre os membros da sociedade. Os principais meios de comunicação geralmente têm fortes mecanismos de controle para evitar e corrigir informações falsas, mas as características únicas das redes sociais permitem a disseminação de conteúdo viral com pouca ou nenhuma supervisão. "Algoritmos que rastreiam o engajamento do usuário para priorizar o que é exibido tendem a favorecer conteúdo que estimula emoções negativas como raiva e indignação. No geral, a maior parte da desinformação online origina-se de uma pequena minoria de "superpropagadores", mas as redes sociais amplificam seu alcance e influência."
O sistema PLATO foi lançado em 1960 na Universidade de Illinois e posteriormente comercializado pela Control Data Corporation. Ele oferecia formas iniciais de recursos de mídia social, como um fórum de mensagens, um recurso de mensagens instantâneas, talvez a primeira sala de bate-papo online; um jornal online colaborativo, um blog e listas de acesso, permitindo que o proprietário de um arquivo de notas ou outro aplicativo limitasse o acesso a um determinado conjunto de usuários, por exemplo, apenas amigos, colegas de classe ou colegas de trabalho.
A ARPANET, que entrou em funcionamento em 1969, já no final da década de 1970 permitia a troca de ideias e comunicação não governamentais/comerciais, como evidenciado pela etiqueta de rede (ou "netiqueta") descrita em um manual de computação de 1982 do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT.
Um precursor do sistema eletrônico de boletins informativos (BBS), conhecido como Community Memory, surgiu em 1973. Os BBSs convencionais chegaram com o Computer Bulletin Board System em Chicago, lançado em 16 de fevereiro de 1978. Em pouco tempo, a maioria das grandes cidades dos EUA tinha mais de um BBS, rodando em computadores TRS-80, Apple II, Atari de 8 bits, IBM PC, Commodore 64, Sinclair e outros. CompuServe, Prodigy e AOL foram três das maiores empresas de BBS e as primeiras a migrar para a Internet na década de 1990. Entre meados da década de 1980 e meados da década de 1990, os BBSs somavam dezenas de milhares somente na América do Norte.

A evolução dos serviços online progrediu de servir como canais para comunicação em rede para se tornarem plataformas interativas para interação social em rede com o advento da Web 2.0.
As mídias sociais começaram em meados da década de 1990 com a invenção de plataformas como Classmates.com e SixDegrees.com. Embora já existissem aplicativos de mensagens instantâneas e bate-papo na época, o SixDegrees era único, pois foi o primeiro serviço online projetado para que as pessoas se conectassem usando seus nomes reais em vez de anonimamente. Ele oferecia recursos como perfis, listas de amigos e afiliações escolares, tornando-se "o primeiro site de rede social". O nome da plataforma foi inspirado no conceito de "seis graus de separação", que sugere que cada pessoa no planeta está a apenas seis conexões de distância de todas as outras.
No início dos anos 2000, as plataformas de redes sociais ganharam popularidade generalizada com o BlackPlanet (1999) precedendo o Friendster e o Myspace, seguido pelo Facebook, YouTube e Twitter.
Pesquisas de 2015 relataram que, globalmente, os usuários gastavam 22% do seu tempo online em redes sociais, provavelmente impulsionado pela disponibilidade de smartphones. Em 2023, cerca de 4,76 bilhões de pessoas usavam mídias sociais, ou cerca de 59% da população mundial.
As redes sociais abrangem um conjunto crescente de serviços:
As controvérsias sobre as redes sociais virtuais vão desde a desinformação e a informação falsa até preocupações com a privacidade relacionadas a dados pessoais públicos e privados.
A relativa liberdade proporcionada por essas plataformas levantou preocupações quanto ao uso indevido por parte dos usuários, especialmente em casos de assédio e manipulação de identidades digitais. Nesse contexto, o cyberbullying consolidou-se como uma das principais problemáticas associadas às redes sociais. Estudos indicam que uma parcela significativa dos usuários já foi vítima desse tipo de violência, que pode provocar impactos emocionais profundos, incluindo estresse e traumas psicológicos. Além disso, práticas como o trolling, caracterizadas por provocações, insultos e disseminação de conteúdo ofensivo, tornaram-se comuns, frequentemente impulsionadas pelo anonimato e pela percepção de impunidade no ambiente digital.
Outro ponto crítico diz respeito à disseminação de desinformação e rumores nas plataformas digitais. As redes sociais funcionam como vetores rápidos de circulação de conteúdos, muitas vezes sem verificação, o que amplia o alcance de notícias falsas e dificulta sua contenção. Pesquisas sugerem que a análise comparativa entre a propagação de informações nas redes e em veículos confiáveis pode ser uma estratégia para identificar conteúdos enganosos.
Há também preocupações crescentes relacionadas à segurança de crianças e adolescentes no ambiente online. O acesso facilitado a conteúdos inadequados, a possibilidade de contato com predadores online e os impactos do uso excessivo, como ansiedade e depressão, têm mobilizado famílias, especialistas e autoridades. Ainda que medidas tecnológicas tenham sido propostas, sua eficácia é considerada limitada, reforçando a necessidade de acompanhamento e educação digital como formas de proteção.
O vício em mídias sociais é uma condição médica causada pelo uso excessivo de mídias sociais. Na opinião de especialistas a nível mundial, nomeadamente o professor Dimitri Christiakis, editor da revista médica JAMA Pediatrics, "enquanto ainda não foi oficialmente estabelecido dentro de um quadro psicopatológico, têm crescido tanto em prevalência quanto na consciência pública como sendo uma condição potencialmente problemática com muitos relações paralelas à desordens reconhecidas e existentes", e pode ser "uma epidemia do século XXI". Ele também afirma que "estamos em meio a uma espécie de experimento natural e incontrolado sob a próxima geração de crianças". O diagnóstico de vício em mídias sociais não é reconhecido pelo Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. No entanto, um consenso de especialistas em Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é de que a consequência não intencional das mídias sociais para algumas pessoas foi uma perturbação do neurodesenvolvimento na infância e adolescência. Isto é especialmente notável em crianças que possuem risco genético para TDAH.
Em todo o mundo, os especialistas em medicina estão a trabalhar sob uma perspectiva científica. Em dezembro de 2018, os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos em dezembro de 2018, completaram o alistamento de 11 834 jovens em um grande estudo de neuroimagem, que irá analisar diversos fatores no desenvolvimento infantil, incluindo efeitos causados pelo tempo gasto em frente à telas digitais. As mídias sociais têm, de forma muitas vezes não intencional, frequentemente alterado a formas com que as crianças pensam, interagem e se desenvolvem, por vezes positivamente, e em outras muito negativamente. Enquanto que problemas de saúde mental têm ocorrido ao longo da história humana, os cientistas não possuem certeza de como as mídias sociais se relacionam diretamente aos resultados de saúde mental atuais. Tais resultados mostram dependência do indivíduo e da plataforma de mídia social utilizada. Há uma correlação comprovada entre os diagnósticos de dependência crônica de internet e TDAH.
Aqueles que possuem tendência ao TDAH estão em risco de desenvolver outras condições neuropsiquiátricas quando não tratados, especialmente em estabelecer privação crônica de sono.