O salário (do latim "salariu:": "pagamento com sal", originalmente refletindo a prática romana de remunerar soldados com este bem essencial) é a contraprestação económica, habitual e direta, devida por um empregador a um empregado em troca do trabalho por este realizado, sob subordinação e de acordo com os termos de um contrato de trabalho.
O salário constitui a principal forma de compensação monetária pela cedência da força de trabalho e é um elemento fundamental nas relações laborais e na estrutura económica das sociedades. O salário é normalmente pago em intervalos fixos, por exemplo, pagamentos mensais de um duodécimo do salário anual.
Contrasta com o salário por peça (ou produção), equivalente ao wage dos países anglófonos, em que cada trabalho, hora ou outra unidade é paga separadamente, em vez de periodicamente. Esta distinção, no entanto, nem sempre é rígida, com muitos regimes mistos existindo (e.g., um salário base fixo complementado por comissões por unidade vendida). Do ponto de vista contabilístico e empresarial, o salário também pode ser considerado como o custo de contratação e manutenção de recursos humanos para as operações corporativas e, portanto, é referido como despesa com pessoal ou despesa salarial. Na contabilidade, os salários são registados nas contas da folha de pagamento.
A sua determinação é um processo complexo, influenciado por múltiplos fatores. Normalmente, é estabelecido pela comparação com os salários praticados no mercado para profissionais que realizam trabalhos semelhantes em setores análogos dentro de uma mesma região ou país (benchmarking). Simultaneamente, é afetado pela oferta e procura de mão-de-obra qualificada para uma função específica e pelas estruturas internas de cada empregador, como as faixas salariais e políticas de nivelamento definidas pela gestão de recursos humanos. A negociação coletiva, através de sindicatos e convenções, é outro mecanismo primordial de fixação salarial em muitas economias. A remuneração total pelo trabalho, no entanto, vai além do salário, incluindo também um conjunto de benefícios indirectos para os funcionários. Após a dedução dos impostos sobre o rendimento e contribuições sociais obrigatórias (que variam drasticamente entre diferentes sistemas fiscais nacionais), o montante restante constitui o salário líquido ou rendimento disponível do trabalhador.
Em termos da teoria neoclássica, o salário é visto como o preço da força de trabalho, determinado pela oferta e demanda no mercado. Já na teoria marxista, o salário é uma forma de pagamento pelo trabalho, mas com uma visão mais crítica, onde o salário é apenas uma parte do valor total produzido pelo trabalhador, com a diferença sendo a mais-valia, apropriada pelo capitalista.

O primeiro trabalho assalariado teria exigido uma sociedade suficientemente avançada para ter um sistema de troca que permitisse a troca periódica de bens ou serviços. Alguns inferem que o primeiro salário teria sido pago numa aldeia ou cidade durante a Revolução Neolítica, algures entre 10 000 a.C. e 6 000 a.C.
Uma tabuinha de argila com inscrições cuneiformes datada de cerca de 3 100 a.C. fornece um registo das rações diárias de cerveja para os trabalhadores na Mesopotâmia. A cerveja é representada por um jarro vertical com uma base pontiaguda. O símbolo para as rações é uma cabeça humana a comer de uma tigela. Impressões redondas e semicirculares representam as medidas.
Na época do livro hebraico de Esdras (550 a 450 a.C.), receber sal de uma pessoa era sinónimo de obter sustento, receber pagamento ou estar ao serviço dessa pessoa. Naquela época, a produção de sal era rigorosamente controlada pela monarquia ou pela elite governante. Dependendo da tradução de Esdras 4:14, os servos do rei Artaxerxes I da Pérsia explicam a sua lealdade de várias maneiras: "porque somos salgados com o sal do palácio", "porque recebemos manutenção do rei" ou "porque somos responsáveis perante o rei".
A palavra latina salarium ligava emprego, sal e soldados, embora a ligação exata não seja clara. Fontes modernas afirmam que, embora os soldados romanos fossem normalmente pagos em moedas, a palavra salarium deriva da palavra sal (sal), porque, em algum momento, o salário de um soldado pode ter sido um subsídio para a compra de sal ou o preço para que os soldados conquistassem os suprimentos de sal e guardassem as Estradas do Sal (Via Salaria) que levavam a Roma. No entanto, não há evidências antigas para nenhuma dessas hipóteses.
Independentemente da ligação exata, o salário pago aos soldados romanos definiu uma forma de trabalho por contrato desde então no mundo ocidental e deu origem a expressões como "valer o seu salário". Dentro do Império Romano ou (mais tarde) na Europa medieval e pré-industrial e nas suas colónias mercantis, o emprego assalariado parece ter sido relativamente raro e limitado principalmente a servos e funções de status mais elevado, especialmente no serviço público. Essas funções eram amplamente remuneradas com alojamento, alimentação e roupas de serviço (ou seja, "alimentação, vestuário e abrigo" na linguagem moderna). Muitos cortesãos, como os valets de chambre, nas cortes medievais tardias recebiam pagamentos anuais, por vezes complementados por pagamentos extra avultados, embora imprevisíveis. No outro extremo da escala social, aqueles que exerciam muitas formas de emprego ou não recebiam qualquer remuneração, como no caso da escravatura (embora muitos escravos recebessem pelo menos algum dinheiro), da servidão e da servidão por contrato, ou recebiam apenas uma fração do que era produzido, como no caso da parceria agrícola. Outros modelos alternativos comuns de trabalho incluíam o emprego autônomo ou cooperativo, como no caso dos mestres em guildas de artesãos, que muitas vezes tinham assistentes assalariados, ou o trabalho corporativo e a propriedade, como nas universidades e mosteiros medievais.
Mesmo muitos dos empregos inicialmente criados pela Revolução Comercial nos anos de 1520 a 1650 e, posteriormente, durante a Industrialização nos séculos XVIII e XIX, não eram assalariados, mas, na medida em que eram pagos como funcionários, provavelmente recebiam um salário por hora ou por dia ou por unidade produzida (também chamado de trabalho por peça).
Nas empresas da época, como as várias Companhias das Índias Orientais, muitos gestores teriam sido remunerados como proprietários-acionistas. Esse esquema de remuneração ainda é comum hoje em dia em contabilidade, investimentos e sociedades de advogados, onde os principais profissionais são sócios com participação no capital e, tecnicamente, não recebem um salário, mas sim um "adiantamento" periódico sobre a sua parte nos lucros anuais.
De 1870 a 1930, a Segunda Revolução Industrial deu origem às modernas empresas comerciais impulsionadas pelos caminhos de ferro, pela eletricidade, pelo telégrafo e pelo telefone. Esta era assistiu ao surgimento generalizado de uma classe de executivos e administradores assalariados que serviam as novas empresas de grande escala que estavam a ser criadas.
Os novos cargos gerenciais se prestavam ao emprego assalariado, em parte porque o esforço e a produção do “trabalho de escritório” eram difíceis de medir por hora ou por peça, e em parte porque eles não necessariamente recebiam remuneração pela participação acionária.
À medida que o Japão se industrializou rapidamente no século XX, a ideia de trabalho de escritório era tão nova que uma nova palavra japonesa (salaryman) foi cunhada para descrever aqueles que o realizavam, bem como para referir a sua remuneração.
O surgimento da economia de serviços no século XX tornou o emprego assalariado ainda mais comum nos países desenvolvidos, onde a participação relativa dos empregos na produção industrial diminuiu e a participação dos empregos executivos, administrativos, de informática, marketing e criativos — todos eles tendendo a ser assalariados — aumentou.
De acordo com os economistas de orientação neoclássica, o salário é a remuneração do fator de produção trabalho e o seu valor depende do custo de oportunidade para o trabalhador de renunciar a outras ocupações (incluindo o ócio) durante o período empregado para realizar a sua tarefa. De acordo com esta teoria, a determinação do salário de acordo com o conceito de oferta e procura também permite que este fator de produção ajuste o seu preço ao valor ideal. Deste ponto de vista, as lutas sindicais são uma forma de conluio que influencia a determinação dos preços, afastando-os do ótimo. Adam Smith, em A Riqueza das Nações, criticou repetidamente as corporações e as ordens profissionais como um obstáculo à eficiência do mercado livre e à inserção dos jovens no mundo do trabalho.
Em contraste com a visão anterior, segundo os economistas de orientação marxista, o salário é o preço da força de trabalho que, em última instância, deriva do valor-trabalho. A força de trabalho no capitalismo constitui uma mercadoria e, como tal, é negociada no mercado de acordo com o seu valor, como todas as outras mercadorias: o tempo de trabalho socialmente necessário para a sua produção, ou seja, o valor dos meios de subsistência considerados, num determinado momento, necessários para a reprodução da própria força de trabalho. Sendo o trabalho humano também uma mercadoria, o salário está sujeito às leis da oferta e da procura de trabalho, de forma análoga aos preços. No entanto, pela própria lógica de funcionamento do sistema capitalista, os salários tenderiam a ser, cada vez mais, salários de sobrevivência, garantindo ao menos a reprodução da força de trabalho – do contrário, o capitalista não teria lucro.
Atualmente, o conceito de salário continua a evoluir como parte de um sistema de remuneração total que os empregadores oferecem aos funcionários.

O salário (também conhecido agora como remuneração fixa) refere-se estritamente ao pagamento direto pelo trabalho executado e está a ser visto como parte de um sistema de "recompensas totais" que inclui bónus, remuneração por incentivos, comissões, benefícios e regalias (ou vantagens), e várias outras ferramentas que ajudam os empregadores a associar as recompensas ao desempenho medido de um funcionário.
Já a remuneração é um conceito mais abrangente, que engloba o salário e todas as outras vantagens económicas, diretas e indiretas, percebidas pelo trabalhador. Isto inclui benefícios como subsídio de alimentação (vulgo "vale-refeição" no Brasil ou "subsídio de refeição" em Portugal), ajudas de custo, seguros de saúde pagos pelo empregador, carro da empresa, entre outros, que compõem o pacote total de compensação. A remuneração evoluiu consideravelmente. Considere a mudança desde os dias da revolução industrial e antes dela, quando um emprego era mantido por toda a vida, até o fato de que, de 1978 a 2008, indivíduos com idades entre 18 e 44 anos mantiveram uma média de 11 empregos.
As pesquisas salariais fornecem dados sobre os salários de empregos específicos em todo o mercado. As organizações podem usar os dados das pesquisas salariais para desenvolver e atualizar os seus pacotes de remuneração. Os indivíduos podem usar os dados das pesquisas salariais nas negociações salariais.
A estrutura salarial raramente é monolítica, sendo comum a sua decomposição em diversos elementos, que podem ser categorizados de várias perspetivas.
Para além dos componentes diretos, a lógica de cálculo do salário pode seguir diferentes modelos: