
O Stabat Mater (expressão latina que significa “A Mãe estava de pé”) é uma prece poética e litúrgica da tradição católica, mais precisamente uma sequência (sequentia) composta no século XIII, que medita sobre a presença dolorosa da Virgem Maria junto à cruz de seu Filho, Jesus Cristo. Trata-se de um dos textos mais comoventes da espiritualidade mariana, enraizado na contemplação do mistério da Paixão de Cristo e da participação singular de Maria nesse sacrifício redentor.
Existem, tradicionalmente, dois hinos distintos conhecidos sob o nome de Stabat Mater. O mais difundido e amplamente utilizado é o Stabat Mater Dolorosa, que contempla as Dores de Maria ao pé da Cruz, inspirando-se no relato evangélico de João 19,25: “Junto à cruz de Jesus estava sua Mãe”. O outro, menos conhecido, é o Stabat Mater Speciosa, que, em tom jubiloso e contemplativo, refere-se ao Nascimento de Jesus, apresentando Maria de pé junto ao presépio, em atitude de admiração e alegria pelo mistério da Encarnação.
Na tradição litúrgica e devocional da Igreja, contudo, a expressão Stabat Mater é quase sempre empregada para designar o Stabat Mater Dolorosa, o hino penitencial e compassivo do século XIII. A sua autoria é tradicionalmente atribuída ao frade franciscano Jacopone da Todi, embora alguns estudiosos também tenham sugerido o nome do Papa Inocêncio III. Independentemente da autoria exata, o texto foi rapidamente acolhido pela piedade popular e pela liturgia, tornando-se um dos mais conhecidos e profundos testemunhos da Mariologia medieval.
O Stabat Mater Dolorosa convida o fiel não apenas a contemplar o sofrimento de Maria, mas a unir-se espiritualmente a ela, pedindo a graça de participar dos sofrimentos de Cristo, de detestar o pecado e de alcançar, por intercessão da Mãe das Dores, a salvação eterna. Por essa razão, o hino ocupa um lugar de destaque na liturgia da Igreja, especialmente na festa de Nossa Senhora das Dores e em celebrações penitenciais da Quaresma, além de ter inspirado inúmeras composições musicais ao longo dos séculos.

O título do hino mais triste é um incipit da primeira linha, Stabat mater dolorosa (que significa "A mãe permaneceu cheia de tristeza"). O hino chamado de Dolorosa, um dos mais pungentes e diretos poemas medievais, medita sobre o sofrimento de Maria, a mãe de Jesus, durante a crucificação. Ele é cantado em honra à Nossa Senhora das Dores. O Dolorosa já recebeu diversas composições musicais por diversos artistas, principalmente Palestrina, Pergolesi, Scarlatti, Vivaldi, Haydn, Rossini, Dvořák, Schubert, Liszt, Verdi e Perosi.
O Dolorosa era bem conhecido já no final do século XIV e Georgius Stella escreveu sobre a sua utilização em 1388, com outros autores corroborando a afirmação mais para o final do século. Na Provença, por volta de 1399, ele era utilizado em procissões que duravam nove dias.
Como sequência litúrgica, o Dolorosa foi suprimido, juntamente com centenas de outras, pelo Concílio de Trento, mas retornou ao missal por ordem do papa Bento XIII, em 1727, na festa de Nossa Senhora das Dores.
O hino mais alegre, Stabat Mater Speciosa ("A mãe permaneceu, bela") apareceu pela primeira vez numa edição de 1495 dos poemas de Jacopone da Todi contendo ambos os stabats. Porém, o Speciosa permaneceu praticamente esquecido até reaparecer no "Poètes Franciscains en Italie au Treizième siècle", em Paris. O Speciosa desde então tem sido visto como um dos mais doces hinos em honra a Maria e um dos sete grandes hinos latinos.
O poema foi musicado por muitos compositores, como Antonio Vivaldi, Rossini, Dvořák e Pergolesi, Giovanni Pierluigi da Palestrina, Marc-Antoine Charpentier, Joseph Haydn, Emanuele d'Astorga, Charles Villiers Stanford, Charles Gounod, Krzysztof Penderecki, Francis Poulenc, Karol Szymanowski, Alessandro Scarlatti, Domenico Scarlatti, Arvo Pärt, Giuseppe Verdi, Zoltán Kodály, e muitos outros.